Início Carburadores “E quando tudo isto passar?” – Os automóveis depois do ‘Corona’

“E quando tudo isto passar?” – Os automóveis depois do ‘Corona’

“E quando tudo isto passar?” – Os automóveis depois do ‘Corona’
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“Será o individualismo, a resposta?”

 

Podem chamar-lhe pensar, meditar ou apenas sonhar. Mas a verdade é que todos nós estamos a pensar no fim desta pandemia, seja por razões mais românticas, como o restauro da nossa liberdade; ou, no caso de quem escreve, de conduzir, bem como de muitas outras “pequenas coisas” – julgávamos nós – que sentimos (imensa) falta.

Acho que todos fazemos isso, a certa parte do dia. É saudável até, porque nos faz querer avançar, e lutar por um amanhã que tarda em chegar. Mas hoje pensei de forma diferente, e surgiu na minha cabeça a seguinte questão:

 

 “Como é que será a realidade automóvel, depois de tudo isto passar?

Momentos antes desta pandemia nos atacar, a palavra de ordem na indústria era a de partilhar veículos, numa mobilidade partilhada, onde o carsharing era “rei e senhor”, onde o uso extensivo e intensivo do transporte público era aconselhado dentro das grandes cidades. Mas agora, como se de uma revolução de ideologia se tratasse, essas ideias parecem ter ficado novamente mais distantes de uma realidade que, na verdade, ainda nem conhecemos como será.

Mas, respondam-me à seguinte pergunta:

 

“Neste momento, entravam num automóvel que é partilhado por centenas de pessoas por semana?”

 

Pois bem, a vossa resposta parece-me ser a que a maioria de nós daria. Acho que a generalidade das pessoas vai ficar mais “egoísta” do ponto de vista de viajar novamente sozinha no seu automóvel. Tudo pela segurança.

Pelo menos se nos pedem distanciamento, partilhar algo onde temos de tocar em vários elementos, e respirar um ar “saturado”, não parece de todo algo convidativo, pois não? Segundo um estudo recentemente feito pela The Journal of Hospital Infection, refere que um volante ‘carsharing’, conta, em média, com 33% mais germes que um automóvel “normal”, pessoal e intransmissível. E que esses germes podem durar até 9 dias nas superfícies como o metal, vidro ou plástico.

Isso une-se a uma outra possível realidade, a das vendas. Porque muitos destes clientes (e dos transportes públicos) quererão voltar a andar de automóvel.

Nós somos muito latinos, falamos dos Espanhóis, mas adoramos tocar nas coisas. Por isso é que a realidade de comprar um automóvel 100% “em casa” pode parecer prático (o que na verdade, até é), mas acredito que não será para todos. O Português gosta de sair de casa para ir ver a sua nova compra, e se até para comprar as “compras do mês”, não manda vir “on-line”, acham que um automóvel, que é algo que vai pagar ao longo dos anos (ou poupou para), vai comprar pela internet? Sem um contacto presencial?

Pois, também não me parece.

Tudo vai mudar e melhorar, mas obviamente existirão regras mais “duras”, e de início não serão poucas. O perigo maior, depois deste fim, é o de uma nova pandemia, e isso é tudo o que não queremos.

Todos nos vamos reinventar, a economia tem de avançar, e nós, seres pensadores e criativos, temos de voltar a uma “normalidade”. Ela está cada vez mais próxima. Mas como se viu, não vale a pena planear muito.

Isto foi só o meu tal pensamento, de quem está fechado em casa há semanas, e que na verdade, só queria um pouco de normalidade.

 

Foto por: cottonbro

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!