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O “pequeno extraterrestre” – Ford Puma

O “pequeno extraterrestre” – Ford Puma
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“Puma, o original”

 

Um design destemido que deu origem a um (improvável) pequeno desportivo de duas portas, um Rodrigo de pequena estatura, e um nome que passa para o “território SUV”. O que podemos dizer do original Ford Puma?

 

Já não é a primeira vez que vemos um modelo desportivo, ou especial, a ter o seu nome usado num SUV. O Ford Puma é o mais recente exemplo disso, mas hoje vamos conhecer o primeiro Puma, aquele pequeno coupé que chegou na segunda metade dos anos 90, e que era mais do que um “Fiesta glorificado”.  Não é por acaso que o seu slogan era: “Puma, a driver’s dream”, com uma campanha publicitária inovadora e que ficou na nossa memória. Comecemos por aí.

Uma recriação do filme Bullit, onde a “estrela” era Steve McQueen, em conjunto com o seu Ford Mustang, mas que aqui fora substituído por um novo Ford Puma, num truque de CGI que convenceu, e convence, mesmo após mais de vinte anos do seu lançamento. Não deixem de ver, um Puma “aos saltos” pelas ruas de São Francisco:

 

Mas o Ford Puma foi conhecido por mais do que isso, ao ser um modelo que tinha seguido as pisadas do Opel Tigra, modelo de sucesso que, tal como o Puma, foi baseado no modelo “mundano” de segmento B (no caso do Opel, o Corsa). Mas eis que a Ford foi mais além, e criou um modelo que era bem mais exclusivo, graças ao “lápis” de Ian Callum, sendo também mais focado e desportivo, com um acerto de suspensão dianteiro irrepreensível, continuando, no final, a ter um preço comedido.

E antes de avançar, permitam-me que partilhe convosco um episódio que tive com este pequeno Coupé. Estávamos no ano de 1997 ou 1998, tinha eu cinco anos de idade, e o meu pai levou-me até um concessionário da Ford, a Auto Boavista, que me lembro ser em Alcântara,  já que ia ter com um amigo dele, que era comercial lá na altura. Eu entrei no stand, e estranhamente fui direito a uma Ford Galaxy, que estava no fundo do concessionário e entrei todo feliz para o seu espaçoso interior – não me perguntem porquê, são coisas de “puto” – mas pouco depois, o novo Puma, que tinha acabado de ser lançado, despertou o meu interesse.

Depois de muito “chatear”, acabei por conseguir dar uma volta naquela “nave espacial”, e a memória que tenho é de que: “não via nada!”. Os vidros laterais traseiros eram diminutos. Essa é a única memória (claustrofóbica) que tenho desse Puma vermelho que me “passeou” por Belém, com um Rodrigo de cinco anos a bordo, sentado nos pequenos bancos traseiros.



Portanto, já entenderam que este coupé 2+2 tinha uns pequenos lugares atrás mas, de resto, o Puma não tinha muito com que falhar. Durante a sua carreira, que durou até 2002, este Ford esteve disponível em Portugal com três diferentes motores. O 1.4L era o motor mais “básico”, com 90cv, sendo substituído em 2000 pelo 1.6L com 103cv. Mas o “motor que importa” foi o 1.7 VCT de 125cv, desenvolvido em colaboração com os japoneses da Yamaha (o motor era montado em Espanha, ia até à Yamaha no Japão, e depois voltava a Espanha para ser montado no Puma), que já contava com um temperamento mais “vivaço” e conseguia uma aceleração dos 0 aos 100km/h em 8,8s e uma velocidade máxima que passava dos 200km/h. Verdadeiros números de “GTI”.

Em Inglaterra, o pequeno coupé Americano, produzido na Alemanha, conheceu uma versão melhorada com 155cv denominada Ford Racing Puma. Destacava-se pelas suas vias mais largas (70mm à frente/90mm atrás), suspensão mais rígida e jantes específicas de 17’’. Em opção, poderia contar ainda com diferencial autoblocante mecânico, que se juntavam a um sistema de travagem melhorada e bancos Sparco. Muito raro, a Ford pensou em fabricar 1000 unidades deste pequeno desportivo, que era montado na Tickford, mas que no final acabou por construir apenas 500 unidades para o mercado britânico, facto justificado pelo seu preço, que era 10.000 libras mais elevado que um Puma “normal” equipado com o 1.7 VCT de 125cv.



Qualquer que fosse a versão escolhida, o Ford Puma não esquecia as suas “raízes”, e no habitáculo encontrávamos um ambiente muito Fiesta, ainda que contasse com três elementos que o diferenciavam: a alavanca de velocidades,  puxadores com acabamento em alumínio, que se integravam numas diferentes quartelas das portas, e uns bancos com um maior apoio. Sim, apenas isso.

E chegava bem, porque o seu acerto de chassis, e o seu estilo “fora da caixa”, fizeram a história deste modelo, que em Portugal até teve a sua dose de sucesso, com quase 3000 unidades vendidas. Agora, vê o seu nome ser entregue a um pequeno SUV de segmento B.

No início achei que a escolha tivesse sido errada, mas a segunda vida do Puma é como a primeira: diferente. E pode dar o mérito a um nome que se poderia vir a esquecer com o passar dos anos, já que o novo SUV da marca pode mesmo ser um dos melhores Ford dos últimos anos. Mas isso, só irei descobrir depois desta pandemia…

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!