Início Carburadores “O mais pequeno dos RS” – Renault Twingo II R.S.

“O mais pequeno dos RS” – Renault Twingo II R.S.

“O mais pequeno dos RS” – Renault Twingo II R.S.
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“Era só o que me faltava”

 

Raro, pequeno e endiabrado. Adjetivos que poderiam muito bem caracterizar o mais pequeno dos RenaultSport produzidos até à data. O Twingo RS também é aquele que me “ficou a faltar” experimentar.

  

A missão de um ‘jornalista’ é a de ser isento, mas como tudo, são seres humanos, e como tal, têm as suas preferências. Estranhamente, o Renault Twingo RS era para mim, na altura (e um pouco ainda) um automóvel interessante e me veria ao seu volante, fazendo “tempos recorde” nas lides citadinas. Uma espécie de como teria sido o VW Lupo GTI na sua altura, embora que ai, ainda estava a aprender coisas básicas na escola.

A história deste Twingo de segunda geração, começa no inicio dos anos 2000. Sim. Patrick Le Quément, na altura o responsável máximo de design da casa francesa, trabalhava na segunda geração do popular e revolucionário Twingo, lançado originalmente em 1992 (que é também o ano em que nasci).

Na altura fez dois estudos, uma proposta “fora da caixa”, em homenagem à primeira geração. E outra bem mais banal. Essa foi a escolhida pelos responsáveis da marca, mas antes de Carlos Ghosn chegar, em 2005.

E foi o Brasileiro (ou Libanês, como prefiram) Ghosn, que “atrasou” o projeto, devido a esse tal desenho banal, já que o queria mais “Twingo”. Então, em 2006, o modelo foi apresentado, como um concept no salão internacional de Paris.



E, logo aqui, deu para ver a iminência de uma possível versão desportiva, ainda para mais quando a marca estava numa altura em que a vida desportiva lhe corria bem (duas vezes campeões do mundo), e tinham uma gama desportiva completa, com o Mégane R.S., assim como um recém-chegado Clio R.S..

Mas foi preciso esperar mais dois anos para que isso acontecesse, com a marca a lançar um inédito desportivo de segmento A. Pouco depois de uma versão “picantezita” denominada GT, que mais não era do que um Twingo com “pinta de desportivo”.

O Twingo R.S. tinha um aspeto verdadeiramente exclusivo do modelo sob o qual se baseava, graças a uns para-choques mais largos e com diferente desenho, as jantes de maiores dimensões e até um spoiler traseiro, que terminava o “ramalhete”. O interior também tinha os seus detalhes, como era o caso dos bancos com um superior apoio, e um conta-rotações exclusivo, em fundo branco.



Mas a segunda geração do Twingo, era baseada na base do Clio II, e isso dava-lhe uma boa base para um desportivo. Basta relembrar o 172…

Assim, a Renault deu a hipótese ao cliente de escolher entre dois chassis: o Sport e o Cup.

Comparado com o Twingo GT (o tal que apenas tinha uma pimenta extra), o RS Sport contava com uma suspensão 30% mais rígida, barras estabilizadoras melhoradas (24mm em vez de 22.5mm), uma altura ao solo mais reduzida (-10mm) e uma maior largura de vias, que ia dos 59mm no eixo traseiro, e 60mm no eixo dianteiro.

O que até se conseguia ver a “olho nú”, quando colocávamos um Twingo “normal”, ao lado deste mais “rebelde”.

O Cup, ficava 4mm ainda mais baixo, e a suspensão ficava mais rígida em mais 10%. Portanto, era o caminho a seguir!



A Renault apostou forte neste Twingo, mas aproveitou o seu enorme lote de peças, para o tornar menos dispendioso, o que neste segmento, é ainda mais importante. Assim, usou o 1.6L (que também veio da geração anterior do Clio, chamado de K4M) que debitava 133cv, sem turbo. A potência era entregue “lá em cima” às 6750rpm, assim como o binário, que atingia os 160Nm às 4400rpm. A caixa era curta e apenas de cinco relações.

“Espremer” um pequeno desportivo tem sempre piada, não é?

O baixo peso ajudava à diversão, com 1049kg a serem anunciados pela marca, o que lhe dava a capacidade de uma aceleração dos 0 aos 100km/h em 8,7s e uma velocidade máxima que ultrapassava os 200km/h!

A sua carreira, ainda que tenha tido algum sucesso, foi travada pelas emissões de CO2, que este 1.6L emitia (155g/km).



Ainda assim, as versões Gordini (que também existiram no Clio R.S. III) tiveram uma boa aceitação, assim como a versão RB7, que comemorava a parceria com a RedBull Racing. Esta última já com restyling, que nada mais lhe deu do que uma estética renovada.

O modelo desapareceu da gama em 2013, deixando a memória de um pequeno desportivo, atmosférico que gostava de ser desafiado. A posição de condução era “sui generis”, mas as suas reações tornaram-no num dos pequenos desportivos mais divertidos de conduzir. Infelizmente não tive essa sorte, e o mercado de usados está curto para ter um destes. Resta-me pensar como teria sido…

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!