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Teste Completo : KIA Niro HEV Tech

Teste Completo : KIA Niro HEV Tech
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“Take two”

Este é o novo KIA Niro, a segunda geração de um modelo que vendeu mais de 310 mil unidades na europa, desde o seu lançamento em 2016. Agora, está disponível em Portugal em duas variantes: HEV e EV (por cá, o PHEV ficou de fora). Colocámos em teste o híbrido convencional, sem necessidade de cabos, para entender o que mudou nesta nova geração do SUV ecológico da marca coreana.

Foi uma revolução ou evolução? Um pedaço de ambos.

 

Exterior

Pois bem, o exterior é um ponto que revolucionou, já que, ao contrário da anterior geração, que era mais sóbria e conservadora, o Niro está agora mais original e futurista nas suas linhas e soluções exteriores, num automóvel que “funciona” melhor ao vivo do que em fotos.

Na dianteira, o destaque vai para a face “Tiger Nose” mais estilizada, agrupada em conjunto com os grupos óticos colocados em posição mais baixa, num formato quadrangular que resulta numa secção frontal mais robusta.

O jogo das cores está elevado a um outro nível, não utilizado no tejadilho, mas sim na parte inferior deste KIA. Isto porque, na lateral, o departamento de design da marca optou por criar um largo elemento em preto, para tornar, pelo menos aos olhos, este KIA Niro mais baixo do que realmente é, numa proposta que cresceu em todas as direções face ao seu antecessor, mesmo que muito ligeiramente.

Esse “jogo” é mais visível no pilar C, que conta com uma cor de contraste (algo que não é obrigatório que assim seja), uma particularidade que resulta estranhamente bem, num daqueles casos de algo que ao início se estranha, mas depois entranha.

Este Pilar C é, talvez, o ponto de design mais elaborado do Niro, já que é “oco”, ou seja, conta com um canal de ar para minorar a resistência aerodinâmica, que é de apenas 0,29cX, o que ajuda a reduzir os consumos e emissões. Atrás, encontramos uns farolins esguios, montados nesse mesmo pilar, numa secção também ela futurista, talvez mais tradicional, o que será mais fácil de gostar comparativamente com a dianteira, pelo menos para um cliente mais conservador.

No exterior, destaque ainda para as jantes de 18’’ polegadas de série, que conferem uma imagem mais atlética a este modelo, que não tem preocupações com isso.



Interior

A revolução continua “dentro de portas”, com a mesma sensação vanguardista do exterior a ser também sentida no seu habitáculo, fortemente inspirado no totalmente elétrico EV6.

O tablier está bem conseguido, juntando o aspeto clean a uma ergonomia e facilidade de utilização. O ponto de destaque vai para os dois ecrãs de 10,25’’, unidos, dividindo as funções entre o painel de instrumentos e o sistema multimédia. Abaixo, contamos com o Multi-Mode touch display, que permite trocar entre os comandos multimédia ou climatização, de forma a facilitar a experiência a bordo, algo que foi estreado também no EV6 e que recebe crítica positiva.

Os materiais são, na sua maioria, de boa qualidade com diferentes texturas e cores, conferindo um aspeto interior interessante. A posição do tablier é mais baixa, o que facilita a visibilidade para a frente. Os bancos contam com um bom apoio e um desenho interessante, que em conjunto com o volante de dois braços transitam igualmente do… EV6. Adivinharam?

É tudo ótimo no interior do Niro? Quase.

Talvez o principal reparo seja o mesmo que tem sido feito a outros modelos da marca, com a ausência do sistema Android Auto ou CarPlay sem fios, algo que é difícil de entender num modelo que conta com sistema de carregamento por indução, mas que aparece de série nos modelos de base de gama. Outro reparo vai também para os espaços de arrumação que, ainda que sejam generosos na consola central, são algo apertados nas portas, o que dificulta o transporte de garrafas de maiores dimensões.

Passando isso, falamos do espaço, o maior ponto forte do novo KIA Niro.

Se o anterior já era bastante espaçoso, o novo Niro é um verdadeiro conforto para os seus ocupantes. À frente, condutor e passageiro são bem suportados pelos bancos envolventes; atrás encontramos um bom espaço em praticamente todas as direções, com elementos de conforto como as portas USB-C (montadas nos bancos dianteiros), a saída de ventilação dedicada, apoio de braço ou mesmo a capacidade de reclinar o encosto do banco traseiro.

A bagageira apresenta 451L de capacidade, o que não é o maior valor da família Niro (o elétrico oferece mais) com a chapeleira a ser agora de um material flexível para maior facilidade de arrumação caso os bancos sejam rebatidos.



Condução

Pois bem, este Niro com tecnologia híbrida convencional não é o que está mais “na moda”, mas continua a ser a solução para quem se quer eletrificar, mas que não pode ou ainda não consegue ter um posto de carregamento sempre “à mão”. Dessa forma, este híbrido oferece a mesma receita que oferecia anteriormente o Niro de primeira geração.

Com uma potência combinada de 141cv proveniente do motor 1.6 TGDI e de um motor elétrico de 32kW (44cv), o Niro HEV continua a optar por uma transmissão de dupla embraiagem, com seis velocidades, uma solução bastante diferente da “mais tradicional” CVT.

Desta forma, podemos contar com uma condução mais dinâmica (e natural), menos diferente do que podemos encontrar num automóvel apenas a combustão.

O KIA Niro HEV tenta sempre ligar em modo elétrico, com a suavidade garantida, contando com passagens suaves entre o motor térmico e elétrico. A maior leveza, alcançada nesta geração, faz com que se consigam consumos mais reduzidos, que em ciclo urbano e extra-urbano conseguem ficar facilmente abaixo de 5L/100km, com o combinado deste ensaio a ter ficado em 5,4L/100km.

O que também transitou da anterior geração do modelo, foi a capacidade de utilizar as patilhas montadas atrás do volante para ajustar o nível de regeneração desejado, o que aumenta o conforto e ajuda nessa poupança de combustível.

No que à condução diz respeito, o KIA Niro HEV é um automóvel neutro em termos de reações, com um bom controlo de carroçaria graças a um chassis que parece agora mais rígido que anteriormente, o que se nota mais caso utilizemos o segundo modo de condução disponível para além do ECO, o Sport. Já a direção não acompanha tanto essa desportividade, sendo menos comunicativa (e um pouco mais desmultiplicada) do que se desejaria, ainda que não tenha sido (de todo) para isso que o KIA Niro HEV tenha sido desenvolvido.

Em condução “normal”, nada a apontar, apresentando um peso correto.

A transmissão é quase sempre certa e suave, mas por (poucas) vezes apresentou algumas indecisões na altura de “subir” uma relação, tanto que se colocássemos em modo manual no seletor, aparecia logo imediatamente a indicação de subir uma relação.



Conclusão

Nova geração, mesmo resultado. O KIA Niro continua a ser uma das propostas a ter em conta caso procure um híbrido convencional (sem cabos de carregamento) para a família, sem ter de optar por uma outra proposta demasiado grande no que toca dimensões. O exterior pode não agradar a todos, mas merece uma visita “em pessoa”, enquanto o interior melhorou em aspeto e qualidade, assim como o espaço a bordo é um dos motivos de maior interesse, ao nível de um “grande”. O conjunto de 141cv não mudou, mas continua a chegar perfeitamente para as viagens e dia-a-dia, com um consumo baixo e fácil de alcançar.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!