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Teste ao Honda Jazz que agora “só” é híbrido

Teste ao Honda Jazz que agora “só” é híbrido
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“O meu nome é Jazz”

 

Depois de testar o Honda Crosstar, que mais não é do que uma variante com aspeto mais aventureiro do novo Jazz, agora é altura de testar o “original”, o Honda Jazz que chega à sua quarta geração com um “transtorno de personalidade”, já que é um automóvel híbrido a gasolina que na verdade queria ser um elétrico.

Esteticamente o Honda Jazz é uma evolução da anterior geração, com linhas sóbrias, mas algo modernizadas com uma ausência de vincos muito dinâmicos, mais ao gosto do potencial comprador. O Jazz está agora também mais upmarket, algo graças à escolha da Honda Portugal em apenas trazer até nós a versão mais equipada do modelo japonês de segmento B. A dianteira destaca-se por uma ausência da grelha superior, de forma a melhorar o fluxo aerodinâmico, enquanto os faróis amendoados relembram o parentesco com o elétrico Honda e, ensaio que podem ler aqui.

Na lateral as jantes de 16’’ polegadas têm um desenho que pode não agradar a todos, mas têm uma preocupação com a aerodinâmica, enquanto a traseira é a secção mais convencional deste novo Honda Jazz, embora tenha perdido a orientação vertical dos farolins.



Passando para o interior, somos assolados por uma sensação de espaço, algo que o modelo consegue fazer desde a sua primeira geração, mas que, nesta “quarta vida”, chega a outro patamar graças a pilares mais finos e uma para-brisas de maiores dimensões. A organização do habitáculo é correta, sem grandes “floreados” como no exterior, com tudo a estar colocado de forma lógica e acessível. O sistema multimédia evoluiu e está agora mais rápido e fácil de utilizar, contando com o Honda Assistant assim como os Apple CarPlay e Android Auto, cada vez mais “obrigatórios”. O que falta cá dentro é um carregador de smartphone por indução.

Por outro lado, o Honda Jazz oferece-nos uma grande dose de equipamento, como é o caso dos aquecimentos dos bancos dianteiros em pele e tecido e do volante, ar condicionado automático, sistema de navegação, assim como outros sistemas de ajuda à condução como é o caso do cruise-control adaptativo, sistema de travagem automática de emergência, assistente de aviso ao ângulo morto e máximos automáticos. Sim, para quem anda muito em cidade também não falta a câmara de estacionamento traseira e os sensores, tanto à frente como atrás.

Sentados atrás, o Honda Jazz oferece também uma elevada dose de espaço em todas as direções e até para três passageiros; em altura é complicado bater com a cabeça no tejadilho, a não ser que seja um habitué a fazer afundanços em tabelas de basquetebol. Os bancos mágicos continuam presentes, prontos a ajudar caso seja preciso transportar algo mais elevado, sem necessidade de rebater os bancos.

Já o que não está igual é a bagageira, que desceu dos 354L para os 304L, que passam a estar “apenas” na média do segmento, mas que é justificado pela colocação das baterias de tração deste Honda Jazz e:HEV.

Quando começo a andar com o Honda Jazz, noto uma vez mais que a marca se preocupou com os níveis de NVH (noise, vibration, harshness), tornando o modelo mais filtrado do que anteriormente, com uma elevada suavidade a baixos regimes e muito silencioso, ligando quase sempre em modo elétrico.

Até porque é isso que ele parece querer ser; se formos a ver está “dois a um”. Sim, o sistema híbrido é composto por dois motores elétricos e um a combustão, o 1.5 VTEC, que em conjunto debitam 109cv de potência. É verdade que um dos motores elétricos é um gerador (70kW) enquanto outro é responsável por dar tração (80kW).



Este gerador quer fazer ao máximo que o Jazz ande em modo silencioso, conseguindo assim, em cidade, médias muito baixas com uma boa capacidade de regeneração. Saindo da cidade e entrado na autoestrada, o som da transmissão é de aceleração desfasado com o que realmente estamos a acelerar. Contudo, a Honda simulou sete velocidades para “cortar” um pouco esse efeito. Mesmo aí, os consumos não passam muito dos 5L/100km, mesmo com condições climatéricas mais adversas, como as que apanhei durante este ensaio.

A dinâmica é mais “adulta” que anteriormente, com uma maior preocupação no conforto dos ocupantes e uma suspensão mais branda. Ainda assim, a direção conta com um bom peso e balanço entre a informação necessária a mais alta velocidade e a leveza enquanto circulamos em cidade.

Tirando relativos pormenores, tudo parece estar bem neste Honda Jazz não é verdade? Temos um automóvel bem equipado, espaçoso (mesmo que a mala tenha diminuído), confortável e muito poupado. Pois, mas o único ponto que faz “torcer o nariz” é mesmo o seu preço de 28.597€, que fica acima do que a marca pede por uma versão intermédia do seu modelo de segmento superior, o Civic.

De qualquer maneira, a marca tem uma campanha com financiamento e retoma para o novo Honda Jazz, que reduz esse preço para os 25.596€.

No entanto, o Honda Jazz tem de ser pensado como o “híbrido acessível” da marca, uma espécie de CR-V mais pequeno, bem como uma proposta mais citadina e ecológica para quem ainda não quer, ou teve coragem de apostar num elétrico.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!