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Renovado Volkswagen Polo em teste na versão R-Line com 110cv

Renovado Volkswagen Polo em teste na versão R-Line com 110cv
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“Utilitário com ambição familiar”

 

O Volkswagen Polo é, tal como o Golf, uma instituição dentro da marca germânica, tendo sido lançado um ano depois do seu “irmão maior”, e conta já com mais de 40 anos de história. Bem maior do que o modelo original, esta sexta geração lançada em 2017 foi agora renovada de forma a oferecer ao modelo um estilo mais familiar. Em teste a versão R-Line com o motor 1.0 TSI de 110cv e transmissão DSG.

 

Dentro do seu segmento, o Polo tem uma espécie de autoridade muito idêntica à que o Golf conquistou, graças a um estilo sóbrio, uma qualidade elevada e aquela sensação de que estamos perante um valor seguro. Esta será talvez a melhor maneira de descrever este modelo. Isso não mudou nesta geração, que está agora mais próxima do Golf em termos de dimensões, provando que um utilitário pode ser um automóvel mais polivalente do que muitos julgam.

Contudo, o modelo tem agora a companhia de dois outros modelos com os quais tem de compartir o seu protagonismo: o T-Cross – SUV de segmento B – e o Taigo, que já por aqui passou. Será, então, que o Polo ainda tem o seu lugar?

A resposta é afirmativa, mas antes vamos falar do que mudou.

Exteriormente, a dianteira recebeu uns novos grupos óticos, mais estilizados que têm agora melhor ligação com a grelha dianteira, possuindo um feixe de luz que vai de “ponta a ponta”, ao estilo do encontrado… no Golf, lá está. O para-choques também surge redesenhado, com esta versão R-Line a contar com um desenho específico, mais desportivo. Isso acontece também na traseira, simulando até quatro ponteiras de escape, desportividade evidenciada igualmente no spoiler que confere um melhor perfil ao modelo. Porém, a maior diferença nesta secção está nos farolins, que se prolongam para o tampo da bagageira, apresentando agora o nome Polo no centro do portão.

As jantes contam também com um novo desenho, com esta unidade a contar com as de 16’’ polegadas de série, com as 17’’ polegadas a estarem disponíveis como opcional, por 339€.



O jogo de “encontrar as diferenças” também pode ser feito no interior, sendo até tarefa mais fácil do que no exterior. Para começar, contamos com um novo volante de três braços, igual ao escolhido para as outras da marca, assim como um painel de instrumentos que agora é sempre digital, independentemente da versão escolhida. Ao centro encontramos mais duas novidades: o novo sistema multimédia de 8’’ polegadas Discover Pro, que conta com um funcionamento simples, e os já conhecidos sistemas de integração do smartphone sem fios. Abaixo, os comandos da climatização continuam separados deste ecrã, apresentando agora um comando digital, mais moderno e… também igual ao dos outros modelos da família Volkswagen. Entendem agora porque é que é um utilitário familiar?

Cá dentro importa também destacar a qualidade percebida, que é elevada. Os materiais do tablier são moles no topo, ainda que o mesmo não aconteça com as portas. Tudo está devidamente montado, o que aumenta essa sensação positiva. Os bancos desta versão R-Line também contam com um desenho específico, sentando confortavelmente condutor e passageiro. Atrás, o espaço é suficiente, apresentando até um espaço para a cabeça, não havendo muito lugar para lamentos. Cada vez mais importante, o Polo conta com duas entradas USB-C também nos lugares traseiros, para que ninguém fique “offline”.

Só resta falar da bagageira, que com 351L se apresenta na parte superior da tabela do segmento, contando ainda com uma muito útil roda suplente de emergência, algo que é claramente subvalorizado pela indústria, mas que por aqui merece pontos positivos.



Passemos para a condução. Em Portugal, o Volkswagen Polo está disponível com dois níveis de potência do motor 1.0 TSI, com 95cv para quem quer transmissão manual, ou 110cv para quem prefere a DSG. No nosso caso calhou-nos a versão mais potente disponível para comprar, isto se não contarmos com o apetecível GTI. Quanto a motorizações diesel, essas já não estão disponíveis.

Esta motorização de 110cv é mais do que suficiente para este Volkswagen Polo, oferecendo prestações bastante razoáveis, com a transmissão DSG de sete velocidades a ser um elo importante, que aumenta a tranquilidade na condução, sendo suave nas suas transições, ajudando também na poupança de combustível graças a uma “sétima” mais longa e de um modo “roda livre” que baixa as rotações em plano ou descidas. Assim, foi possível uma média de consumo final de 6,1L/100km em ciclo misto, o que não se afasta muito do anunciado pela marca.

Dinamicamente, o Volkswagen Polo mostra-se bastante neutro nas suas reações. Aliás, se existisse um dicionário ilustrado, o Polo poderia ser muito bem a imagem lá apresentada. Portanto, não é tão divertido quanto outras propostas, onde se inclui o seu primo espanhol Ibiza, mas não desaponta. O Volkswagen Polo oferece antes uma solidez também aqui a rodar, com um bom pisar e um conforto que não vai deixar ninguém com queixas. A insonorização também é algo que merece destaque, já que filtra muito bem o som deste tricilíndrico, assim como o ruído de rolamento.

Na condução noturna é a altura em que podemos destacar o novo sistema de matriz de LED, ao qual a Volkswagen chama de I.Q Light LED Matrix, que ajusta o feixe de luz consoante o trânsito e as condições, oferecendo sempre a melhor visibilidade, algo que ainda não é muito usual no seu segmento. Ainda que tenha um custo de 1.147€, é algo que aconselhamos. Por outro lado, o teto de abrir panorâmico está disponível por 900€, o que encarece o preço final, mas é uma opção caso seja um apreciador de ter os cabelos ao vento. (Nesse caso, leia o ensaio ao T-ROC Cabrio, vai gostar).

E é nos preços que tudo pode mudar no que toca a escolher um Volkswagen Polo, isto porque é aqui onde a sua tarefa não é tão fácil. Se as qualidades são inegáveis, o valor pedido também se faz sentir. A gama Polo começa nos 21.945€ para a versão Life com o 1.0 TSI de 95cv, já esta versão R-Line com o motor de 110cv e transmissão DSG pede em troca 27.453€. Se for igual a esta unidade ensaiada, o preço escala para cima dos 32.000€.

Isso ultrapassa em mais de 4.000€ o preço de entrada de um Volkswagen Golf com o mesmo propulsor, mas com transmissão manual, o que faz com que o Polo esteja numa posição algo difícil, caso o seu possível proprietário não saiba ter calma na altura de escolher opcionais.

De qualquer maneira, optando por uma versão mais comedida, o Volkswagen Polo pode muito bem ser um companheiro ideal para as viagens. Conta com um estilo sóbrio renovado, um interior bem construído e com espaço (dentro do segmento). A sua solidez é igualmente sentida na condução, com uma boa dose de conforto e um bom pisar. É só ter cuidado com os extras. Tem tudo para continuar a ser um nome importante e respeitado, mesmo com os novos familiares crossover e SUV, com mais “pinta” de aventureiros.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!