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Teste Completo: Polestar 2 Dual Motor Performance Pack

Teste Completo: Polestar 2 Dual Motor Performance Pack
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“New star is born”

 

O nome Polestar não é completamente novo para quem acompanha o mundo automóvel, já que este nome surgiu no mundo das corridas no ano de 1996, ao apoiar a Volvo a vencer o STCC (Swedish Touring Car Championship), passando depois a ser uma divisão desportiva da marca sueca, oferecendo modelos como os S60 e V60 Polestar, estando presente até há bem pouco tempo na gama Volvo, com o S60/V60 ou XC60 Polestar Engineered, já com motorizações eletrificadas.

Agora, o nome é independente, já que este automóvel não é um Volvo, é mesmo um Polestar, o segundo modelo da marca que se chama “2”, uma berlina com dimensões de segmento D e que quer ser uma das novas referências no que toca a automóveis elétricos, tanto que este Polestar 2 tem como principal rival um certo modelo vindo de Austin, no Texas.

 

Exterior

Os gostos pessoais são sempre muito subjetivos; a definição de beleza ou estética é algo que apenas em raros exemplos consegue agradar a uma grande maioria, mas, neste caso, foram poucos os que connosco se cruzaram e não acharam o Polestar 2 um belo exemplo de design, que vence pelas suas proporções e desenho minimalista.

O modelo não opta por linhas exóticas ou futurismos, que daqui a pouco tempo podem ficar ultrapassados, prefere antes apresentar um design “puro”, de linhas retilíneas, superfícies planas, o que lhe consegue garantir igualmente uma maior robustez no seu design, talvez uma herança Volvo, o que também ajuda a dar-lhe um aspeto mais upmarket e de maior qualidade.

A dianteira está bem demarcada, com uma frente que não é de todo desconhecida, já que as semelhanças com a Volvo estão lá, ainda que o Polestar 2 tenha uma imagem própria. A grelha dianteira, com pouca função num automóvel deste tipo, tem antes a tarefa de “normalizar” este elétrico, tornando-o menos chocante, numa versão Dual Motor Performance, que é a mais desportiva e está repleta de detalhes.

Na sua lateral, o pilar A e B a preto fazem com que o tejadilho se destaque, mas são as jantes de 20’’ polegadas que mais se evidenciam, fruto do Pack Performance, bastante apetecível. Isto porque, para além destas jantes, oferece ainda um chassis mais desportivo, pinças de travão dianteiras Brembo de quatro pistões e acabamento dourado, assim como discos de travão perfurados e sobredimensionados com 375mm.

Este é o primeiro detalhe, com o autocolante da performance a estar disposto na lateral, como se de uma declaração de intenções para com os outros condutores se tratasse, com mais elementos específicos desta versão a estarem escondidos “sob a pele”, como é o caso dos amortecedores ajustáveis Öhlins Dual Flow Valve, algo que há algum tempo não esperaríamos encontrar num automóvel 100% elétrico. Mas, quanto a isso, falaremos na dinâmica.

A traseira é a secção mais distinta do modelo, com um terceiro volume menos definido, e um portão de bagageira fastback que nos dá melhor acesso. Aí, encontramos o farolim traseiro em LED de grandes dimensões, que circunda toda a traseira do modelo, que o faz destacar no meio do trânsito, mas que aumenta igualmente a sensação de largura do modelo. Já o detalhe mais apetitoso neste exterior são os espelhos exteriores sem moldura, muito conceptuais.

Em termos de dimensões, comparando com o Volvo S60, este Polestar 2 é 155mm mais curto que o Volvo, assim como conta com uma distância entre eixos inferior em 137mm, mas é maior em termos de altura (+51mm) e largura (+9mm).



Interior

No seu habitáculo encontramos um local que poderia ser visto como um exemplo no que toca a estilo interior, isto porque consegue um bom conjunto entre o essencial de ergonomia dos comandos e posição de condução (mesmo com as baterias debaixo do piso), com a qualidade de montagem e uma ampla escolha de materiais. Aqui, a Polestar juntou elementos como a tradicional madeira ou tecido, com materiais inovadores como WeaveTech, um material vegano que reveste a maior parte dos confortáveis bancos. Para além disso não encontramos muitos plásticos rijos ao toque, com pormenores interessantes como as colunas do sistema de som da Harman Kardon (incluídas no Pack Plus) a estarem “camufladas” atrás de um tecido que mais poderia estar numa loja de decoração.

Este Polestar 2 é toda uma sensação de nos fazer “sentir especiais”, sem nunca passar a ser um daqueles espaços demasiado clínicos e “frios”, onde parece que temos de ler um manual de 500 páginas antes de operar alguma função. Prova disso é o sistema multimédia, um outro ponto positivo, ainda que possa vir a ter melhorias para breve. Muito fácil de utilizar e explorar com sistema Google Integrado, graças ao sistema operativo Android. A sua grande vantagem está num comando por voz simples de utilizar, com um vasto leque de funções, até perguntar opiniões pessoais ao próprio Polestar…  A qualidade de imagem é muito elevada num ecrã generoso de 11,2” polegadas. A única falha é o facto de não contar com o sistema Apple CarPlay sem fios, algo que funcionaria muito bem com o carregamento por indução que está situado logo abaixo. Mas deverá ser uma questão de esperar por um update over the air…

No que toca ao conforto, ar condicionado automático bi-zona com controlo de qualidade do ar, assim como os quatro bancos e volante aquecidos, permitem que mesmo nos dias mais frios (algo que não apanhámos) o conforto esteja sempre assegurado. O espaço está também em bom plano, fator aumentado pelo generoso tejadilho em vidro (também parte do Pack Plus), que mesmo não tendo cortina, bloqueia 99,5% dos Raios UV, o que garantiu que nunca tenha incomodado durante as centenas de quilómetros feitos a bordo deste automóvel. Como “easter egg” encontramos o logo da marca, projetado no tejadilho quando circulamos à noite, como se se tratasse da nossa própria “Estrela do Norte”.

Atrás, porém, há dois pontos menos positivos. O primeiro é o “lugar do meio”, que conta com um túnel de transmissão, o que é algo estranho de encontrar num automóvel 100% elétrico, o outro pormenor é a visibilidade do vidro traseiro pelo condutor, ainda que existam quatro câmaras exteriores que “montam” uma imagem 360º.

Quanto à bagageira, por ter um portão ao estilo de um “fastback”, o seu acesso é mais facilitado como já foi dito, dando entrada a uma zona de carga com 405L de capacidade, possível de ser incrementada graças ao rebatimento dos bancos traseiros. Não há razão para não ser polivalente. Os cabos de carregamento podem ser arrumados na bagageira dianteira, de menor capacidade.



 

Condução

O Polestar 2 tem vários “sabores”, mas começamos pelo mais apetecível: o Dual Motor com 300Kw de potência, o que equivale em “equídeos” a 408cv e um binário muito generoso de 660Nm, disponível sempre e desde o arranque. Isso, claro, oferece uma sensação de aceleração mais do que suficiente para um condutor habitual, com a aceleração dos 0 aos 100km/h a demorar apenas 4,7s e uma velocidade máxima de 205km/h, facto curioso quando a sua “alma mater” Volvo limitou toda a gama aos 180km/h…

O peso é, nestes casos, inimigo da perfeição. Não há maneira de esconder uma bateria de 78kW, o peso acima das duas toneladas nota-se, mas não é demasiado notório. Confusos? Ora, nota-se o seu peso, mas em condução, neste Performance Pack cheio de elementos desportivos, torna a condução mais divertida do que poderia esperar, sendo menos notório. Ainda que, para garantir isso, tenha estado a afinar a suspensão regulável da Öhlins para aproveitar o melhor que este Polestar 2 tem para oferecer, já que estava demasiado firme quando chegou às minhas mãos.

Começar a viagem é simples: chave no bolso, pé no travão, selecionar D e avançar (ou R, caso estejam de frente para uma parede). Não há botão Start nem Stop. Querem parar? Carregam no P (de Park) e saem do carro. Simples.

Não há também modos de condução, a única afinação é mesmo aquela que fazemos à mão na suspensão, para termos um gostinho “Motorsport” num automóvel sem sons de escape. Ainda assim, podemos escolher o modo de regeneração, se desligado, médio ou elevado, escolher o peso da direção (que fica bem a meio termo), assim como selecionar um modo ESP mais permissivo.

Em condução normal, o Polestar 2, mesmo nesta versão mais “apimentada”, consegue ser perfeitamente amigável, com uma boa dose de conforto (se tiverem a afinação certa) e pouco balanceio de carroçaria. Os consumos também conseguem ficar comedidos, em torno dos 18,3 a 20,2kWh/100km.

Mas o que provavelmente querem saber é como se porta quando “esprememos” este elétrico com vontade de ser desportivo. A direção não é o pináculo da informação, mas o chassis transmite bem o que se passa durante a curva e os pneus agarram-se bem ao asfalto com esta versão a ser obrigatória, caso tenham o “azar” de vos calhar num test-drive. A sensação “sobre-carris” – eu sei, cliché – da tração integral dá-nos confiança e faz esquecer o peso que no IMC do automóvel passa para lá do aceitável. A ajudar a isso, o sistema de travagem Brembo (que não tem mau tato de pedal) ajuda a manter tudo em ordem, para que continuemos a seguir de curva em curva.

Nota-se que este automóvel foi desenvolvido como um todo, não é um “one trick poney”; brinda-nos com acelerações fortes, é verdade, mas negoceia igualmente as curvas de forma impecável, tendo em conta as leis da gravidade, que ainda existem. Botão de Start não, mas essa descoberta de Isaac Newton, temos de nos lembrar que está presente aqui e que continua a existir…

É tudo belo?

Bem, nem tudo. A autonomia anunciada de até 487km não foi atingida, mas os 410km são realistas. Apenas tenho pena de que este Polestar 2 não conte com uma arquitetura de bateria mais evoluída, como por exemplo os seus concorrentes sul-coreanos, de forma a evoluir mais facilmente em conjunto com os postos de carregamento. No entanto, os 155kW máximos de atingir num carregamento, permitem uma carga dos 0 aos 80% em 35 minutos. Se carregar em casa, com Wallbox (a 11kW) são necessárias 8h para “encher” toda esta bateria do Polestar 2 Dual Motor.



Conclusão

O Polestar 2 é um excelente exemplo do que poderá ser o futuro da mobilidade elétrica, ou seja, de que há espaço para propostas mais emocionais como esta, sem deixar de ser racional. A sua estética parece ser vencedora pelos olhares de quem connosco se cruza, com o interior bem conseguido e de qualidade a fazer sentir-se bem que viaja neste automóvel. O desempenho dinâmico é outra grande mais valia, numa marca que está apenas no início, mas que tem tudo para ser um dos principais “players” nos próximos anos.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!