Início Ensaios “O SUV Cabrio” – Volkswagen T-Roc Cabrio 1.5 TSI 150 DSG em teste

“O SUV Cabrio” – Volkswagen T-Roc Cabrio 1.5 TSI 150 DSG em teste

“O SUV Cabrio” – Volkswagen T-Roc Cabrio 1.5 TSI 150 DSG em teste
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“O Oásis dos SUV”

Num mercado cada vez mais sério, com propostas que não têm como primeiro objetivo serem divertidas ou lúdicas, um cabriolet é sempre uma espécie de oásis no deserto. O Volkswagen T-ROC Cabrio é um desses casos, com a difícil tarefa de enfrentar os “fantasmas” de ser um SUV Cabrio, algo que já foi tentado, mas que nem sempre correu bem a outros construtores. Será que no caso germânico a receita está bem conseguida? Teste ao renovado modelo, com o novo motor 1.5 TSI de 150cv.

Vou ser-vos sincero, quando vi o T-ROC Cabrio pela primeira vez, temi o pior, pensei que iria ser mais uma experiência falhada ao juntar um estilo verdadeiramente vencedor (SUV) com um outro amado e aspirado por muitos, os Cabrio. Mas, como se sabe, é preciso “meter a mão na massa” para verdadeiramente entender esta proposta, que não é, de todo, a lógica para uma família, mas que tem talvez mais lógica do que possamos pensar.

O seu exterior destaca-se obviamente pela ausência de portas traseiras, contando igualmente com um pilar A mais inclinado, ajudando na imagem coupé. O tejadilho em lona não rouba espaço à bagageira, contando com uma abertura 100% elétrica, sem necessitar de destrancar qualquer tranca, demorando apenas 9s a cumprir a sua operação.

Ainda que bem diferente comparado com os T-ROC com que nos cruzamos na estrada, o Cabrio também contou com as alterações feitas ao modelo, três anos após o lançamento desta variante. Assim, passamos a contar com novos para-choques tanto na dianteira como na traseira, que lhe conferem um ar mais “adulto” e incluído na gama, com o pacote estético R-Line a eliminar por completo os plásticos negros, típicos dos SUV, conferindo-lhe uma imagem mais dinâmica e que fica muito bem em conjunto com este estilo de carroçaria mais aspiracional. As jantes Misano de 19’’ polegadas, opcionais, também “marcam pontos” no que à estética diz respeito.



Quanto a dimensões, também existem diferenças – ainda que muito ténues – com mais 20mm no comprimento total, mais 40mm na distância entre eixos, assim como uma maior largura, com os restantes valores a estarem iguais ou muito aproximados.

Abrindo as portas de grandes dimensões – e de peso mais elevado – entramos para um (também) renovado interior, que conta agora com maior qualidade. Melhores materiais, montagem isenta de erros e organização lógica dos comandos, como local dedicado para a climatização, são pontos a favor. Ainda assim, a Volkswagen optou por, nesta atualização do modelo, dotar esses mesmos comandos e os do volante com “botões” capacitativos. Dão um aspeto mais moderno e atual ao modelo, é inegável, mas se nos comandos da climatização até são bem-vindos, no volante não trazem muitas vantagens, obrigando por vezes a ter de olhar para a “tecla” em que vamos carregar, para não correr o erro de ativar o cruise-control, quando na verdade só queríamos aumentar o volume.

Os bancos do nível R-Line são confortáveis e garantem um grande apoio em curva, possibilitando também uma boa posição de condução, com um volante também redesenhado que conta com comandos da transmissão DSG para quando queremos ser nós a “mandar no assunto”.

Passando para trás, obviamente o acesso não é tão bom como o que encontraremos no T-ROC “convencional”, mas isso também não era esperado. Ainda assim, a ampla abertura das portas permite que através do rebatimento do banco se encontrem dois verdadeiros lugares – pelo menos para um conversível – já que conta com um razoável espaço para as pernas e cabeça, contando ainda com saída de ventilação dedicada. Esses bancos também são possíveis de rebater, aumentando a volumetria da bagageira de 280L, o que está longe de ser um mau valor, por exemplo se compararmos com o Golf eHybrid, em que este T-ROC Cabrio conta com mais 10L. O único senão está no seu acesso, mais condicionado, mas que se “desculpa” ao contar com uma roda suplente de emergência. Há quanto tempo não víamos isto?



Aqui, no interior, só existe um outro contra, relativo aos bancos, com a falta de opção de contar com aquecimento, o que permitiria um uso mais regular na altura em que o sol não brilha tão intensamente e as noites não são tão amenas.

Passemos para a condução. A animar este Volkswagen T-ROC Cabrio apenas contamos com uma motorização, o 1.5 TSI, que agora contou com uma nova evolução que o torna mais eficiente e performante. Apresentando 150cv, está ajustado à vida deste modelo, que pretende mais “rolar” sem preocupações, do que oferecer emoções fortes aos passageiros. A gerir a potência para as rodas dianteiras, contamos com os préstimos da transmissão DSG de sete velocidades, também a opção ideal, oferecendo suficiente rapidez e suavidade nas passagens, para uma condução mais confortável.

Este motor, que conta com desativação de dois cilindros, tem aqui a tarefa de puxar mais 183kg face a um T-ROC “tradicional”, graças aos reforços necessários pela ausência do tejadilho, notando-se nos seus consumos, que ficam um pouco mais elevados, situando-se nos 7,4L/100km em percurso combinado, ainda que a velocidade controlada seja possível fazer valores mais baixos e agradáveis, muito devido ao modo “roda livre” que nos permite rolar sem gastar praticamente qualquer gota de combustível.

No entanto o andamento, mesmo que demore mais um segundo dos 0-100km/h que o T-ROC, na prática não mostra maculas, respondendo bem aos ímpetos do condutor, podendo ser ajustado graças aos diferentes modos de condução, ainda que neste ensaio a vontade seja mais de conduzir em direção à praia ou junto a uma marginal num final de tarde, do que atacar um encadeado de curvas. Algo que num T-ROC Cabrio é tão lógico quanto beber um chocolate quente no deserto. Para isso existe o T-ROC R com os seus 300cv e tração integral.



Mas, ainda assim, é importante falar disso. O modelo mostra-se composto, sem reações adversas, notando-se o seu aumento de peso, assim como uma inferior rigidez, algo normal neste tipo de propostas, mais notório em mau piso, mas que não chega a um nível exagerado. Mesmo com esse “shake”, não são exibidos barulhos parasitas vindos da capota deste T-ROC que não é “Made in Portugal”, mas que é sim construído na Alemanha, na fábrica de Osnabruck.

Agora que já falámos de consumos, importa falar de outros números, o seu preço. A gama T-ROC Cabrio começa nos 39.107€ com o motor 1.5 TSI de 150cv e transmissão manual. Já esta unidade via o seu preço ascender até aos 49.500€, um valor que não irá agradar a todos, mas que é justificado pela sua exclusividade, num mercado em que propostas cabrio de quatro (verdadeiros) lugares é cada vez mais diminuta, ou então encontrada a um preço muito mais elevado.

É, muito provavelmente, o primeiro SUV Cabrio que correu bem, com um aspeto exterior que está longe de desagradar, ou seja, não parece que apenas foi recortado o teto ao modelo ao qual lhe dá o nome, havendo uma preocupação com as proporções. Claramente não é um automóvel que vá agradar aos mais puristas, mas é uma escolha lógica do ponto de vista da marca, sendo mesmo de ressalvar a “coragem” em oferecer uma proposta deste tipo em 2022.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!