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Honda HR-V Turbo em teste: “alguém pediu extra picante?”

Honda HR-V Turbo em teste: “alguém pediu extra picante?”
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“Transfusão”

 

A Honda tem no Civic o seu mais reconhecível e bem-sucedido modelo, mas ainda nesse mesmo segmento há um outro modelo responsável por ajudar nas vendas do construtor japonês: o HR-V, que pediu para esta versão Sport uma “transfusão de coração” ao seu irmão…

Pois é, a Honda decidiu no restyling desta segunda geração do HR-V dotá-lo de uma versão mais picante, mais desportiva e dinâmica de forma a dar um novo alento, e conseguir uma nova franja de clientes para o crossover familiar compacto.

No seu exterior, para além da grelha dianteira que foi renovada, a versão Sport destaca-se pelos para-choques mais extensos, assim como o acabamento preto brilhante, onde outrora se destacavam os plásticos negros “à la crossover”. Na traseira, há espaço para o “combo” desportivo, que é conseguido pela dupla ponteira de escape (uma em cada ponta) e o spoiler que é mais proeminente. A terminar todo este ramalhete, estão as jantes pretas de 18’’ que contrastam com a pintura branca que envolve o SUV japonês. Nada de muito espampanante.



No interior existem também diferenças. A cor vermelha destaca-se num interior com desenho simples. O contraste está bem conseguido e envolve também os bancos em pele e tecido, com o punho da caixa a demonstrar que estamos ao volante da versão mais desportiva do modelo. Os materiais não são os mais cuidados, mas a marca fez com que a montagem não apresentasse falhas. No campo da ergonomia, ponto a favor para os comandos da climatização em zona própria, ainda que apresentem um comando tátil, o que faz com que os olhos fujam da estrada. O sistema multimédia também podia ser mais fácil de trabalhar, mas por outro lado é muito completo.

Quanto a espaço, o Honda HR-V Turbo é um dos melhores da sua classe, conseguindo acomodar cinco passageiros. Na modularidade também apresenta cartas, com uma bagageira com 448L, capaz de aumentar para os 1043L e um fundo plano. Os “bancos mágicos” ainda aparecem nesta proposta, de forma a facilitar o transporte de objetos de maior dimensão.

O tal coração transplantado do Civic foi o 1.5 VTEC Turbo, de 182cv e que aqui se apresenta como o topo de gama do HR-V. Este motor está aliado a uma “certinha” caixa manual de seis velocidades, bem mecânica e de bom curso que dá gosto usar. Mesmo em posição, bastante ergonómica.



Os 182cv, mesmo Turbo, ainda conseguem ser bastante pontudos em rotações mais elevadas; já o binário máximo de 240Nm está disponível logo às 1900rpm até às 5000rpm. Mesmo que dinamicamente não seja tão eficaz como o Civic (o que é complicado), o Honda HR-V não desilude.

Quanto a prestações, são 7,8s dos 0 aos 100km/h e uma velocidade de ponta que ascende aos 215km/h.

Com uma suspensão revista, o pequeno (mas espaçoso) SUV nipónico consegue tolerar bem o seu aumento de potência, garantindo boas doses de aderência. O aumento de potência e foco na dinâmica de condução, felizmente, não prejudicaram em demasia o conforto, com o modelo a continuar a estar apto para a tarefa que lhe é proposta: ser um familiar.

O Honda HR-V, no final, apresentou um consumo de 6,3L/100km em mais de 600km percorridos, o que é um bom valor tendo em conta a sua potência que já é bastante generosa.

Não é um Type-R, mas também não o deseja ser. É mais um “Type-S”, um modelo que está a meio caminho entre o normal e o picante, uma proposta mais salgada que não faz mal à saúde. O seu motor turbo agrada mesmo os mais atrevidos, enquanto ao resto dos passageiros, o espaço a bordo não deixa ninguém desiludido. O preço de 36.865€ pode assustar, sendo quase 5000€ mais do que a versão gasolina sem turbo, e 130cv mais equipada. Ainda assim, situa-se como uma proposta única no segmento.