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Teste ao Renault Mégane Sport Tourer E-Tech

Teste ao Renault Mégane Sport Tourer E-Tech
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“Eletrificar para reinar”

 

A eletrificação na indústria automóvel está na ordem do dia, seja através de micro-hibridização ou de modelos híbridos ou plug-in, como este Renault Mégane ST E-Tech, que quer ser uma alternativa viável ao diesel. Pelo menos para o cliente empresarial…

O Renault Mégane de quarta geração chegou ao mercado em 2015, e tal como as anteriores gerações tem sido alvo de uma elevada dose de sucesso, graças a uma gama completa e diversos estilos de carroçaria, que o tornam “ideal” para cada tipo de cliente. Agora, o modelo foi renovado tanto no interior como no exterior, e passa a oferecer pela primeira vez uma versão híbrida.

No exterior as diferenças são meramente de detalhe, uma vez que o Mégane, mesmo que se comece a aproximar do final de mais uma carreira, continua atual. Apenas contamos com novos grupos óticos na dianteira e outros revistos na traseira, mais escurecidos. Nesta versão E-Tech as diferenças são encontradas numa porta adicional para o carregamento, assim como o logo da versão eletrificada nos pilares B. Uma outra alteração que abrange toda a gama Mégane é que o GT Line desapareceu, passando a chamar-se R.S. Line, mais lógico, já tenta aproximar-se da estética dos modelos mais desportivos R.S.



Já no interior existem mais diferenças. Não são enormes, mas resolvem problemas que apontei desde início no Mégane. Para começar, temos um novo volante, e logo aqui passamos a contar com os comandos do cruise-control integralmente aqui, em vez do acionamento ser feito através de um botão colocado na consola central. Era algo que não compreendia, mas que já está resolvido. Depois, temos um novo painel de instrumentos 100% digital, que prima por uma grande dose de informação e qualidade de imagem, dedicado especificamente a este E-Tech.

Para finalizar, o ecrã multimedia de 9,3’’ polegadas foi alterado, está com uma melhor definição e também utiliza o mesmo software EasyLink que conhecemos dos novos Captur e Clio, sendo uma franca evolução face ao anterior sistema que não primava pela rapidez. Normal da evolução, claro está. Os comandos de climatização foram também revistos, e estão colocados de forma física abaixo do ecrã, resolvendo o outro problema que eu achei logo no Mégane quando foi lançado, já que estava escondido em submenus no ecrã principal. Portanto, cá dentro, tudo muito bem resolvido.

Quanto ao espaço interior, é amplo e confortável. As bacquets desta versão R.S. Line são um caso de “overseating”, ou seja, são demais para as prestações que podemos esperar, mas que não podem ser acusadas de falta de apoio. Atrás podem viajar três passageiros, como é normal em carrinhas deste segmento. Já a bagageira vê a sua volumetria descer, que nesta E-Tech é de 389L, bem diferente dos 521L que oferecem as versões equipadas com motor a gasolina ou gasóleo.
A culpa disso? O armazenamento da bateria de 9,8kWh.

Antes de passar para a condução, importa referir que a Mégane ST E-Tech R.S. Line já conta com uma boa dose de equipamento de série, onde se incluem elementos como cruise-control, sistema de navegação, faróis Full Led, câmara traseira, assim com uma elevada dose de equipamentos de segurança ativa como é o caso do alerta de fadiga, alerta da distância de segurança, leitor de sinais de trânsito, alerta de transposição de via ou travagem de emergência assistida com deteção de peões. Pode ainda optar pelo Pack Driving Híbrido, que oferece o sistema de aviso ao ângulo morto, cruise-control adaptativo ou manutenção ativa na via.



Passando para a condução, esta Mégane não é muito diferente do Captur que já testamos anteriormente e que podem ler aqui. É composta por um motor a combustão com 1.6L de capacidade (aspirado) e dois motores elétricos. Em conjunto, este trio oferece 160cv de potência.

A transmissão inteligente, sem sincronizador, foi a escolhida também aqui para a Mégane, e é capaz de apresentar quinze “velocidades” de forma a oferecer o melhor em cada momento, que segundo a marca é melhor do que uma tradicional CVT.  Existem três modos de condução, com o Pure a ser o responsável por “forçar” o andamento 100% elétrico, que diz ser capaz de 50km de autonomia. O modo Sport usa o máximo dos motores para oferecer a maior performance possível. Quanto a isso, são 183km/h de velocidade máxima e 9,8s dos 0 aos 100km/h.

Pode não impressionar, também não foi criado para isso, mas ainda assim o E-Tech oferece boas recuperações a baixos regimes graças à ajuda dos motores elétricos.

O último modo é o E-Save que deixa guardar 40% de bateria para gastar mais tarde, em cidade.

Na prática, esta Mégane não difere muito das demais. Bem, até difere, graças a uma maior suavidade e silêncio a bordo. A transição entre o elétrico e combustão é, na maior parte das vezes, bastante discreta e apenas a transmissão, quando lhe pedimos mais, “baralha-se” um pouco e não é tão fluida como o resto do conjunto. Contudo, em andamento normal cumpre bem.

Quanto a consumos, nos primeiros 100km a média ficou em 3,1L/100km, conseguindo 44km de autonomia elétrica. Depois disso, o sistema híbrido sem a bateria carregada apresenta-nos um consumo de 6L/100km. Este sistema dá-nos a liberdade de viajar que um automóvel totalmente elétrico não oferece, enquanto durante a semana, se viajar menos de 50km, consegue ter um custo “zero”, pelo menos no que toca a gasolina.

No final, tal como disse no Captur, a Renault tem na sua família E-Tech um produto capaz e promissor, já que nesta Mégane continua a oferecer a mesma dose de conforto em viagem, com um motor mais suave e poupado (se tudo for usado como deve de ser), em troca de uma bagageira mais pequena.

Mas também, tal como no Captur, se o contribuinte começar por 5, uma escolha como esta pode ter toda a lógica. Se for cliente particular é preciso alguma ginástica para justificar os 39.750€ que a Renault pede por uma Mégane E-Tech RS Line; são mais 7.200€ face à Mégane ST com maior bagageira, os mesmos 160cv vindos do motor 1.3 TCe e transmissão automática de dupla-embraiagem de sete relações…


 

Queres um Mégane mesmo (muito) especial?

Testámos o Renault Mégane R.S. Trophy-R

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!