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“Teste Completo” – Renault Captur E-TECH Plug-In Hybrid

“Teste Completo” – Renault Captur E-TECH Plug-In Hybrid
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“Jogada de Mestre”

 

Estamos perante um automóvel de sucesso, um automóvel que junta duas das mais importantes tendências do mercado: o SUV com a eletrificação. Este Renault Captur E-TECH pode ser uma verdadeira “jogada de mestre” por parte da marca Francesa.

O Renault Captur está agora na segunda geração, lançada há um ano, mas que desde 2013 foi responsável por mais de 1,6 milhões de unidades vendidas, um B-SUV que tem conquistado os seus clientes pelo espaço a bordo, pela ampla gama de motores e por uma elevada capacidade de personalização. Agora, a marca aproveita este modelo para o tornar também no primeiro B-SUV PHEV do mercado.

A Renault chama aos seus modelos eletrificados de E-TECH, tecnologia que já conta com mais de 150 patentes e que tem sido testada nos mais exigentes circuitos do mundo, na disciplina máxima do desporto motorizado, a Fórmula 1. Portanto, é de esperar que o resultado final seja bastante expressivo.

A Renault não quis tornar este Captur num “chamariz” de ecologistas, ou seja, não difere praticamente das versões convencionais a gasolina, gasóleo ou mesmo GPL. As diferenças são apenas visíveis na porta extra de combustível (ou neste caso, de eletricidade) no lado direito, assim como o logo E-TECH no pilar B e na tampa da bagageira. De resto, o modelo continua com as mesmas capacidades de personalização que o tem destacado ao longo dos anos, com dezenas de variações no que toca a cores.



Passando para o interior, local onde já teci algumas boas palavras sobre a sua franca evolução face à anterior geração, também aqui o Captur não difere muito das outras motorizações. Contudo, já existem mais diferenças.

No confortável e amplo interior, o seletor da transmissão conta com o nome E-TECH gravado, assim como um painel de instrumentos com grafismo próprio para apresentar as informações típicas deste tipo de motorizações. Tudo num ambiente 100% digital, no ecrã de 10,2’’ tipo “tablet”, onde são apresentados dados mais relevantes do funcionamento do sistema híbrido, como gráficos completos, detalhes de consumo ou fluxo de energia.

No resto do habitáculo encontramos o mesmo espaço a bordo, com lugares traseiros que permitem uma regulação para conseguir mais espaço para as pernas, ou então para a bagageira, que varia entre os 265L e os 379L de capacidade, uma grande perda de 157L face às versões “convencionais”. Mas importa ressalvar que, neste mesmo espaço de bagageira, a Renault foi ver uns episódios da “Marie Kondo” ao Netflix e fez uma verdadeira organização debaixo do piso para guardar os cabos, o colete de emergência e todas as coisas obrigatórias que temos debaixo do piso da mala.

Vamos passar à condução. Aqui podia explicar-vos tudo em detalhe sobre o sistema E-TECH (e que provavelmente vos faria dormir), ou explicar de forma mais simples como funciona na realidade. Seguimos pela segunda hipótese.

Ora bem, a Renault une um motor a gasolina 1.6l com arquitetura “tradicional” de quatro cilindros com dois motores elétricos, um para a capacidade motora e outro para regeneração e arranque do motor de combustão. Este conjunto consegue uma potência máxima de 160cv de potência. Sim, este é o Captur mais potente de todos!

Sendo híbrido e Plug-in, o Captur conta obviamente com uma bateria para guardar os kilowatts, para isso usa uma de 9,8kWh, localizada atrás. Graças a ela, é prometida uma autonomia 100% elétrica de 50km. O carregamento demora entre 3 e 4h, dependendo se é usada uma Wallbox ou ficha doméstica.

A orquestrar tudo isto, está o elemento mais inovador de todo o sistema, uma transmissão inteligente sem sincronizadores, que é capaz de apresentar quinze “velocidades”, cinco vindas para o motor de combustão e três das unidades elétricas, conseguindo combinações de ambas.

Segundo a marca, esta transmissão é muito mais eficiente que qualquer automática convencional, e mesmo que as muito conhecidas CVT usadas pelos híbridos das marcas japonesas, os pioneiros nestas andanças.



Arrancando com 100% de bateria da garagem da Renault, o caminho até casa não tinha muita cidade, ainda que a tenha feito um pouco. O Captur E-TECH gosta é de andar em elétrico, portanto deixando-o ir nesse registo foi capaz de fazer 45km em modo zero emissões, nos 65km que percorri naquela primeira noite. Para além de quase cumprir o que prometeu em termos de quilómetros, foi o consumo elétrico que mais impressionou: 13,6kWh/100km, com uma energia recuperada de 2,4kWh/100km. A média do consumo de gasolina apresentada no ecrã era de apenas 2,1l/100km. Até agora tudo bem.

Decidi não o carregar na primeira noite e ver quanto conseguia fazer de média no final de 100km, sem encontros com fichas elétricas, tendo ficado em 3,7l/100km e um consumo enérgico que desceu para os 11,1kWh/100km.

O Captur mostra-se confortável, bastante eficaz e eficiente, apresentando na mesma a sua típica condução fácil e descomprometida. No início do último dia, com a bateria elétrica com zero quilómetros de autonomia, foi altura de saber quanto fazia ele na realidade nos quilómetros seguintes. Porque todos sabemos o que os Plug-In fazem: “brilharetes nos primeiros cem quilómetros e depois… depois logo se vê”.

Ainda que o cliente deste tipo de automóvel tenha atenção a isso, fiz-me ao caminho e o consumo foi mais baixo que as minhas contas iniciais, subtraindo o que fiz em elétrico, com o Captur E-TECH a apresentar no computador de bordo uma média de 5,3l/100km, culpa também de um caminho que talvez me tenha ajudado a poupar um pouco mais. No final entendemos que o Renault Captur E-TECH também não vai exagerar na “bebida” quando a eletricidade acaba e o caminho tem de continuar.

Pontos menos positivos? Sim, para além da mala que diminuiu para albergar as baterias, possivelmente a transmissão, que numa busca constante do regime ideal, por vezes é demasiado brusca quando muda de modo, talvez culpa de não ser sincronizada. Nada de chocante, e que muitos irão preferir face ao “gritar” da CVT.

De qualquer maneira, o andamento é suficiente, mesmo que este E-TECH pese mais 130kg (total de 1639kg) face ao Captur de 155cv a gasolina, capaz de acelerar dos 0 aos 100km/h em menos 1,5s que este Plug-In e atingir uma velocidade máxima superior (173km/h do E-TECH face aos 202km/h do 1.3TCe de 155cv).

No final, noto que a Renault tem na sua família E-TECH um produto capaz e promissor, com a marca a saber isso e a prometer até 2022 o lançamento de mais de uma dezena de modelos eletrificados e 8 modelos totalmente elétricos. Quanto a este Captur E-TECH, o seu consumo é efetivamente mais reduzido que o TCe de 155cv e o funcionamento do sistema é (quase sempre) suave, ainda que a bagageira perca alguma da sua capacidade, e com isso um dos seus pontos fortes.

O preço de 33.590€ pode parecer elevado, mas está em linha com o que a marca oferece: um automóvel bem equipado, com um motor de 160cv e elevada tecnologia Plug-In, que ainda se paga. Mas se quiser um Captur com este nível de potência e preferir poupar na aquisição, o TCe EDC de 155cv custa menos 7.090€ em versões equivalentes, enquanto que o diesel de 115cv com a mesma transmissão custa também menos 4.440€.

 

Agora, se é empresário em nome individual, um E-TECH como este já poderá fazer todo o sentido…

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!