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É preciso mais? – Škoda Kamiq 1.0 TSI DSG Style

É preciso mais? – Škoda Kamiq 1.0 TSI DSG Style
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“Estar na moda”

 

Contar com um modelo no segmento B-SUV é essencial, todos sabemos isso, e a Škoda também. Dessa forma, o Kamiq é a proposta da marca para concorrer face aos seus muitos rivais. Em teste na sua versão Style, com o motor 1.0 TSI de 110cv e transmissão DSG de sete velocidades.

O Kamiq vem de um “berço de ouro”, já que conta com um vasto lote de peças partilhadas do grupo Volkswagen, bem como uma plataforma que também dá origem a outros dois sucessos de venda no segmento – Arona e T-Cross – o que ajuda muito a que este Kamiq comece com o “pé direito”.

A sua estética é tipicamente Škoda, com um bom balanço entre a sobriedade e elegância pretendida, mas também um maior modernismo inaugurado pela mais recente geração Octavia, e igualmente pelo elétrico Enyaq iV. Assim, o Kamiq destaca-se pelos grupos óticos bipartidos, uma grelha de grandes dimensões e linhas bem definidas.

A lateral conta também com essa imagem familiar, numa proposta que não se esforça muito para parecer mais do que realmente é. É um crossover, sim, mas não quer parecer que vai subir uma montanha. Portanto, não existe uma demasia de plásticos negros de contraste ou outros elementos muito “radicais”, que na verdade teriam pouca função. Isso dá ao modelo uma imagem mais “limpa” e fácil de gostar. No entanto, para quem queira essa imagem, a versão Scoutline trata disso…

A secção traseira segue muito as regras de desenho do construtor checo, com linhas modernas, tipicamente Škoda. Não quer chamar a atenção demasiadamente, quer antes mostrar desde logo que quer ser uma proposta prática. E isso, vale de muito.



Já no seu interior encontramos uma atmosfera agradável, com um desenho interior bem conseguido e uma utilização prática, graças à colocação dos comandos e dos espaços de arrumação.

A posição de condução é correta, com os bancos desta unidade, fruto do Pack Dynamic, a contar com um desenho mais desportivo – como uma bacquet – que apresentam um elevado suporte. O painel de instrumentos 100% digital, e muito completo, é outro dos pontos de destaque no habitáculo deste Škoda.

No tablier, os materiais são de boa qualidade, com uma “mousse” a revestir a parte superior (assim como das portas) revelando-se um salto face ao Fabia. O sistema multimedia Amundsen, com 9,2’’ polegadas, é o mesmo que encontramos nas outras propostas da marca, ou seja, é completo e fácil de utilizar, com a possibilidade de personalização do ecrã central. A possibilidade de contar com Apple CarPlay e Android Auto sem fios é uma mais-valia, mais ainda quando contamos com carregamento por indução, como estava presente nesta unidade.

Esse local de carregamento está situado abaixo dos comandos da climatização, com a maioria das suas funções a estar disposta de forma física, só precisando de aceder ao ecrã multimedia para alguns ajustes, como a direção do ar ou a velocidade da ventilação.

Mas é o espaço a bordo o que mais destaca neste Kamiq, com um bom aproveitamento do espaço interior, fruto de uma distância entre eixos que é uma das maiores do seu segmento. Com 2,65m, é superior até às de algumas propostas do segmento acima. Essa sensação é ainda aumentada ainda pelo teto panorâmico em vidro.

Nos lugares traseiros há espaço para dois adultos sem constrangimentos – podem viajar três – com espaço para a cabeça, mesmo para alguém com mais de 1,80m.

Por ser um dos maiores B-SUV do mercado, também a bagageira sai beneficiada, com uma capacidade que pode chegar até aos 400L de capacidade, com a (grande) vantagem de encontrarmos uma roda suplente de emergência, ao invés de um kit de reparação de furos.

Tal como as restantes propostas da Škoda, este Kamiq também está repleto de soluções práticas Simply Clever, como é o caso do funil de enchimento no reservatório do líquido do limpa para-brisas, ou do guarda-chuva na porta do condutor. Para além disso, existem 26L de espaços de arrumação dentro do habitáculo deste crossover.



Em Portugal, o Škoda Kamiq tem disponível motores somente a gasolina, com potências que variam entre os 95 e os 150cv. Para este ensaio estivemos ao volante do Kamiq equipado com o motor 1.0 TSI de 110cv ligado à transmissão DSG de sete velocidades.

Este revela ser o melhor “par” já que oferece prestações mais que suficientes para este tipo de automóvel, e é cerca de 4200€ mais barato que o motor de 150cv também com transmissão DSG.

Tal como dito, a posição de condução é correta – e confortável – com uma posição mais elevada que confere uma maior visibilidade para o exterior. A transmissão DSG é uma ótima escolha já que melhora também esse conforto de condução e aproveita melhor este “mil” a gasolina, principalmente a baixos regimes. A juntar a tudo isto, esta transmissão conta ainda com patilhas montadas atrás do volante.

Existe a possibilidade de decidir qual o modo de condução a utilizar: Normal, Eco, Sport ou Individual, com o ECO a fazer com que o Kamiq “role” muitas vezes em modo “roda livre”.

Nunca se nota uma falta de potência com os 110cv, graças a um peso mais leve (1256kg) o que lhe confere também uma elevada dose de agilidade. Tal como o seu “irmão” Fabia, o Kamiq não se nega a tiradas em autoestrada, local onde este B-SUV também se sente bastante à vontade.

Em termos dinâmicos, o Kamiq não é um RS, mas está longe de desiludir, fruto de uma suspensão bem afinada que oferece conforto, sem nunca apresentar demasiado rolamento de carroçaria. A direção conta também com um peso bem ajustado, pensado para uma vida (de estrada) bastante polivalente.

No nível de equipamento Style, o Kamiq também já conta com um bom equipamento de série, com vários elementos de segurança ativa. Nesta unidade, apoio de braços (55€) é uma opção que se revela praticamente obrigatória, assim como o volante de três raios desportivo (220€) que fica em linha com os bancos mais desportivos. O tejadilho panorâmico em vidro era o opcional mais dispendioso, disponível por 930€.

Desta forma, esta unidade em ensaio passava a barreira dos 30 mil euros (31.703€), o que facilmente é minorado com um maior cuidado na altura da configuração.

O Škoda Kamiq é mais uma vez um “espelho” do que a marca checa quer parecer, uma escolha lógica, com vários elementos fortes como o de ser um dos mais espaçosos da sua classe, várias soluções curiosas que ajudam a vida do condutor e dos ocupantes, bem como um estilo que não é anónimo. A sua condução é confortável, o equipamento é generoso e a transmissão DSG vale a pena ser escolha para fazer par com o motor 1.0 TSI de 110cv.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!