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DS 3 Crossback E-Tense

DS 3 Crossback E-Tense
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“A exclusividade paga-se”

 

O primeiro elétrico de uma marca, num segmento em crescimento. Será que o “selo” premium é suficiente para o DS 3 Crossback E-Tense deixar a sua marca no mercado?

 

Como é sabido, em 2014 a DS tornou-se numa marca própria, separando-se da Citroën, marca que a lançou anos antes. Em 2015, em Genebra, foram oficialmente apresentados os primeiros DS dessa nova era, mas só em 2018 é que a marca recebeu o seu primeiro modelo original, o DS 7. Um ano depois, em 2019, foi altura deste DS 3 Crossback chegar ao mercado.

Desde o início, foi sabido que o modelo contaria com uma variante 100% elétrica, fazendo parte da ofensiva que o Groupe PSA quer criar, e com isso reduzir as emissões de CO2 globais.

Sim, a DS é uma marca própria, mas obviamente aproveita muitas das “peças” com que o grupo conta. Portanto, a plataforma é a mesma usada pelo novo Peugeot 2008, assim como a que será usada pelo Opel Mokka, que sairá no final deste ano de 2020. Os grupos propulsores também são partilhados e, neste caso, a DS utilizou o motor elétrico de 100kW (o que equivale a 136cv) e uma bateria de 50kWh, o que, segundo a marca, é capaz de fazer este SUV de Segmento B conseguir uma autonomia superior a 300km.

Antes, convém falar sobre a sua estética. Quase conceptual, o DS 3 Crossback é um automóvel diferente, com um aspeto que pode não agradar a todos, mas que é inegável ser dono de uma dose elevada de originalidade. As suas proporções são bem conseguidas, sendo largo e baixo, com elementos estéticos que se destacam, principalmente no caso do pilar B, que é uma clara homenagem ao primeiro DS3.



Cá fora, as diferenças face a uma versão com motor a combustão não são muitas. Para além do cromado acetinado da grelha, apenas o logo específico na frente, com o “E” da versão E-Tense, e um badge específico do modelo, na porta da bagageira, o destacam. As jantes também são exclusivas desta versão.

Mas para além do desenho, é o seu nome que se trata de um detalhe interessante. Chamadas de Kyoto, estas jantes de 18’’ são um “easter egg” que nos liga ao “Tratado de Kyoto”, celebrado em 1997 na cidade japonesa, que assumiu o compromisso global de reduzir as emissões de gases que produzem efeito estufa, algo que este DS 3 Crossback E-Tense faz na perfeição.

O interior segue o mesmo “ar conceptual” do exterior, com um habitáculo confortável, mas que é tudo menos tradicional. As superfícies superiores são bem acabadas, nomeadamente nesta inspiração Opera, onde a pele é mais abundante, mas igualmente graças a um estilo onde o losango e o formato diamante ganham uma outra expressão.

Não é o tablier mais ergonómico, está até longe disso, mas é uma opção diferente para quem quer também um automóvel distinto. O seu ecrã de 12,3’’ conta com um novo menu específico para o E-Tense, que nos mostra gráficos de consumo, ou de gestão da bateria.

Quanto ao espaço interior, é confortável para quatro passageiros, mesmo que possa contar com um quinto. A capacidade da bagageira é exatamente a mesma do que a das versões a combustão, com 350L. Aqui, um reparo para falta de um local onde possamos guardar o cabo de recarregamento.



Passando para a condução, o motor elétrico mostra-se suficiente para os 1600kg que o DS 3 Crossback E-Tense pesa. Os Drive Mode ECO, Normal e Sport mudam totalmente a experiência de condução. O primeiro opta por gerir a energia da melhor maneira, para aumentar a autonomia, enquanto o último usa os 100kW na sua plenitude, para uma resposta mais rápida. Se acha que o DS 3 Crossback é lento, o valor dos 0 aos 50km/h demora apenas 3,3s. Um valor que se torna mais referencial para este tipo de automóvel, que deverá passar grande tempo da sua “vida” na cidade.

Quanto à condução, o DS 3 Crossback mostra-se ágil, com um acerto de suspensão que ainda que não prejudique o conforto, nota-se que é esforçado na parte da dinâmica, evitando um adornar excessivo de carroçaria, o que nesta versão é ajudado por um centro de gravidade mais baixo, devido às baterias montadas sob o piso.

Quanto à real autonomia deste DS 3 Crossback E-Tense, o que podemos dizer é: sim, é possível fazer os mais de 300km que a marca anuncia. Durante o nosso teste, foi usado a maioria do tempo o modo Normal, sem nunca desligar o Ar Condicionado. Os trajetos foram cerca de 70% citadinos, e assim foi alcançada uma média de 15,5kWh/100, o que dará uma autonomia ponderada de 322km. Claro que com mais autoestrada o valor de consumo aumenta, mas mesmo assim, o valor ficará por volta dos 280km.

No final, será que este DS 3 Crossback E-Tense conseguirá o seu lugar no mercado?

É complicado, mas não é impossível. Senão vejamos: dentro do Groupe PSA, há já duas propostas elétricas deste segmento B, ainda que, por enquanto, nenhuma delas sejam SUV. Isto porque 2020 nos trará o Peugeot e-2008 e o Opel E-Mokka.

A verdade é que, até agora, um SUV premium de segmento B 100% ainda não é uma realidade para nenhuma outra proposta senão esta. Por isso, se procura um SUV de pequenas dimensões, premium e o elétrico, esta é a escolha ideal para si. O DS 3 Crossback E-Tense está disponível desde os 41.900€. Valor elevado?

Um pouco, mas como se diz: “a exclusividade paga-se”.


DS 3 Crossback E-Tense

Especificações:
Potência – 136cv (100kW)
Binário – 260Nm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 8,7s
Velocidade Máxima (oficial): 150km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 15,6kWh/100km (16,3kWh/100km)

Preços:
DS3 Crossback E-Tense desde: 41.300€
Unidade ensaiada: 45.350€

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!