Início Ensaios KIA e-Niro 64kWh

KIA e-Niro 64kWh

KIA e-Niro 64kWh
0
0

“Assim está melhor”

 

A ansiedade de autonomia ainda afeta muitos quando falamos de automóveis 100% elétricos, é algo que está em muitos de nós. Agora, as distâncias que podemos percorrer já aumentaram significativamente, e este KIA E-Niro é um desses exemplos, tudo sem nos esvaziar a carteira com um preço astronómico.

 

Pois é, a KIA lançou no mercado, no final do ano passado, a sua segunda proposta 100% elétrica, depois do Soul. Tomando por base o seu SUV “ecológico”, o Niro já por aqui passou nas suas variantes Hybrid, sem tomadas e cabos, e Plug-In, capaz de fazer 60km elétricos, para além de contar com um motor a gasolina 1.6 GDi de 136cv que nos tira a “pressão”.

Na verdade, o KIA E-Niro já estava em alguns mercados europeus desde o final de 2018, mas uma gestão de “recursos” fez com que o nosso país tivesse de esperar mais um pouco, dando prioridade a países com mais “apetite” por este tipo de automóveis sem emissões. Ainda assim, vem bem a tempo, juntando ao SUV de segmento C uma bateria de 64kWh que lhe garante uma autonomia superior a 450km.

Esteticamente, este Kia E-Niro destaca-se dos demais por na sua dianteira contar com a grelha fechada da mesma cor da carroçaria, o que se torna ainda mais evidente nesta pintura branca. Para além disso, os elementos em azul de contraste (tal como no Plug-In), confirmam que estamos perante uma versão ainda mais ecológica do modelo, assim como pelas jantes de 17 polegadas específicas.



O Kia E-Niro até pode ser chamado de “relativamente normal”, tendo em conta outras propostas do mercado.

Em Portugal, o modelo está disponível apenas numa única versão, e com o grupo propulsor mais potente e de maior autonomia (455km), com 204cv e 64kWh, já que existe também um outro com 136cv e 39,2kWh, apenas oferecendo 289km.

Logo depois da autonomia, a questão que se impõe é “quanto tempo demora a carregar”, e o KIA E-Niro está preparado para quando os postos forem uma (verdadeira) realidade. Usando um carregador “de rua” (ou Wallbox), com ficha Mennekes de 7,2Kw, é possível recuperar 80% de carga em 5h50. O que é um bom valor se for feita uma quantidade tão elevada de quilómetros por dia; já um cliente normal de elétrico, poderá estar quase uma semana sem carregar este KIA.

Portanto, com 455km a serem marcados no painel de instrumentos, é altura de arrancar e isso é sempre feito com muita suavidade, como seria de esperar. O KIA e-Niro conta com 4 modos de condução: Sport, onde a preocupação está apenas com as performances, e onde os 7s dos 0 aos 100km/h são possíveis de cumprir; o Normal, que é o melhor balanço entre performances e consumo; e o ECO, aquele que mais usámos, e que tem mais lógica num modelo como este. O quarto modo é o ECO+, que nos limita a velocidade aos 90km/h, assim como nos “afina” a climatização para níveis mínimos de forma a não impactar a autonomia.

Os primeiros quilómetros em cidade são de redescoberta, já que embora os automóveis elétricos sejam muito fáceis de conduzir, têm alguns truques que lhes fazem “crescer a autonomia”, e o e-Niro também tem. As patilhas de seleção têm a função de regenerar: um toque na da esquerda, os níveis aumentam e, sem acelerador, o e-Niro abranda cada vez mais; pressionando de forma prolongada, o KIA chega mesmo a parar. Um toque na da direita, conseguimos ir até ao nível 0, ou então ativar o modo Auto, e dessa forma o elétrico da marca coreana, mesmo sem o cruise control ativo, está “atento” ao trânsito e regula essa regeneração face ao carro que vai à sua frente.

A suavidade é sentida em todos os outros momentos, mas também a performance que estes modelos nos conseguem oferecer, sobretudo na entrada das vias rápidas e autoestradas, onde a recuperação 80-100 (ou 80-120km/h) é feita de forma “eletrizante”. Ao nível de desportivos.



Depois dessa primeira habituação, os consumos em cidade ficaram pouco acima dos 12,3kWh, graças à regeneração. Em terreno misto, o mais real de esperar será de 15,1kWh, o que conseguimos ao longo destes dias, em que foram percorridos mais de 600km com este “zero emissões”.

Dinamicamente falando, o KIA e-Niro não desilude, mas também não é o mais “certinho” da sua gama, já que o seu peso aumenta em cerca de 150 a 200kg face à versão “convencional”, portanto, não se pode esperar um comportamento desportivo que acompanhe as acelerações. Ainda assim, a suspensão foi trabalhada para não existir um rolamento excessivo, o que também é ajudado pelas baterias colocadas numa posição mais “rente ao chão”.

Quanto ao espaço e equipamento, o KIA e-Niro estranhamente é o que oferece mais bagageira das três facetas do Niro, com 451L (+50L que o Hybrid e +127L que o Plug-in), enquanto que o espaço a bordo permanece igual, conseguindo acomodar sem problema cinco passageiros. Quanto ao lote de equipamento, nada falta a bordo deste KIA e-Niro, com navegação integrada e sistema Apple Car Play e Android Auto, cruise-control adaptativo, sistema de manutenção ativo de via, alerta de veículos em ângulo morto, sensores e câmara de estacionamento, assim como ar condicionado bi-zona. Apenas faltaria o aquecimento para os bancos, mas isso só iria reduzir a autonomia, e não queremos.

O KIA e-Niro está disponível com todo este equipamento por 45.500€ (com campanha), um valor sensato tendo em conta as suas eficientes prestações, que o tornam numa escolha mais lógica para quem tenha onde o carregar. Já a nós, deixa-nos com esperança que os próximos 17 modelos electrificados que a marca prometeu lançar até 2025 serão ainda melhores.


KIA e-Niro 64kWh

Especificações:
Potência – 204cv (150kW)
Binário – 395Nm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 7,8s
Velocidade Máxima (oficial): 167km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 15,9kWh/100km (15,3 kWh/100km)

Preços:
KIA e-Niro desde: 45.500€ (c/campanha)

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!