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Teste ao Renegade 4xe: A imagem do futuro da Jeep

Teste ao Renegade 4xe: A imagem do futuro da Jeep
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“Adaptar aos tempos modernos”

 

O objetivo ao qual a Jeep se propôs é simples, mas ambicioso: eletrificar a sua gama a 100%. O Renegade foi o primeiro modelo a fazê-lo, em conjunto com o Compass, agora também produzido em Itália, na planta de Melfi.

O Jeep Renegade é algo quase impossível de imaginar há 20 anos, quanto mais imaginar um Jeep “eletrificado”, isto porque a marca era, na altura, mais conhecida pelos seus dois mais emblemáticos modelos, o “puro e duro” Wrangler e o mais “burguês” Grand Cherokee.

Mas a realidade muda e para se ter uma ideia, em 2019, o Renegade foi o “best-seller” do construtor americano, com 81.500 unidades vendidas durante esse ano. Mas num mercado que tanto evolui, como se adapta este Jeep Renegade 4Xe a uma nova realidade, e aos tempos modernos?

Tal como é normal na marca, até aqui nos “plug-in”, a Jeep quer deixar a sua marca e não apenas criar mais uma proposta para encher o mercado, tendo somente o aspeto icónico da marca.

Esteticamente, é preciso atenção para diferenciar este Renegade de um outro com o qual nos cruzamos na estrada. As diferenças estão nos rebordos do logo da marca em azul, assim como o pequeno logo 4Xe na traseira, e obviamente as duas portas que permitem abastecer este Jeep seja de gasolina… ou de kilowatts.



O interior conta com mais diferenças, e a maior está obviamente presente no painel de instrumentos, aqui desenhado especificamente para a versão híbrida do modelo, com o lado direito a estar dedicado ao potenciómetro, que nos indica a quantidade de energia que estamos a usar ou a regenerar. Ao centro, o computador de bordo permite uma elevada dose de personalização, assim como ser um verdadeiro centro de informação. Dos mais completos do mercado.

Mas as alterações não se ficam por aí, com o ecrã central de 8,4’’ a contar com um menu dedicado ao sistema híbrido, informando da potência consumida, históricos de condução, programação dos carregamentos e velocidades, assim como gerir o modo eSave.

E sobre o eSave, é abaixo que está a última diferença no tablier, com a seleção de modos de condução – Normal, Sport, Sand e Rock – assim como o comando para o sistema 4X4 (perdão, 4Xe), que permite escolher entre Hybrid 4X4, 4X4 Lock e mesmo 4WD Low. Ao lado, espaço para os três botões que permitem mudar a gestão da entrega da energia: Hybrid, Electric ou eSave (o tal que podemos gerir no ecrã central, onde podemos escolher se queremos guardar a energia para mais tarde ou gerá-la com recurso ao motor a gasolina).

Antes de passar para a condução, o interior do Jeep Renegade continua espaçoso, tanto em sensação como de forma efetiva. A bagageira é que perdeu capacidade, apresentando agora 330L, apenas menos 20L que as versões somente a combustão.



Passando à técnica, o Jeep Renegade 4xe conta com o motor 1.3L de quatro cilindros, com dois níveis de potência, 130 ou 180cv, com esta versão Limited, a contar com a menos potente, ainda que com a ajuda do motor elétrico de 60cv. Assim mete ao dispor do condutor 190cv de potência combinada, algo que está longe de ser negativo, não é verdade? Para além disso, este 4xe conta com tração integral, o que mais do que ser um convite à aventura, é também um elemento de segurança mesmo quando o clima está mais rigoroso.

A energia é guardada numa bateria de iões de lítio com 11,4kWh, o que segundo a marca é capaz de fazer 50km em modo totalmente elétrico. Em teste, o Renegade 4xe chegou lá perto, ao fazer 45,8km sem emitir uma grama de emissões poluentes (é possível ir até aos 130km/h assim). Se a energia é guardada numa bateria, a gasolina continua a ter o seu lugar no depósito, que diminuiu de capacidade dos 45 para os 36L, o que contribui para compensar o aumento de peso que até não foi demasiado: 200kg a mais, para um total de 1770kg.

Dinamicamente, o Jeep Renegade continua a não ser a aposta mais desportiva do mercado, está até bem longe disso, mas também se lhe pudéssemos perguntar, acho que também não o queria ser. É antes um SUV com uma toada de “Jeep”, ou seja, confortável e com um pisar decidido. Na condução, ponto positivo para o tato do pedal do travão, que está normalizado face a outras propostas PHEV. Como contra? Talvez a transmissão automática de seis velocidades, que por vezes fica um pouco confusa, mesmo que esteja mais bem programada nesta versão mais “ecológica”.

Quanto a consumos, nos primeiros 100km, o Jeep Renegade conseguiu ficar abaixo dos 4L/100km, com a carga a 100% a ajudar muito a isso. Quando fica apenas “térmico”, devemos contar com valores entre os 6,5L, com muita cidade onde o sistema elétrico ainda dá uma ajuda, e os 8,0L/100km, quando andamos maioritariamente em autoestrada a velocidade estabilizada nos 120km/h.

Toda esta tecnologia tem um preço, e o Jeep Renegade 4xe começa nos 40.050 euros, com esta unidade e os seus opcionais a pedirem 43.193 euros. Na gama ainda existe o Trailhawk, que é das poucas maneiras de fazer offroad de forma silenciosa, com o teste a ficar prometido para breve.

Em resumo, a Jeep volta a dar um “boost” ao Renegade, um modelo com fama comprovada e que entra agora numa nova realidade. O motor elétrico ajuda a controlar o apetite, maioritariamente em cidade, deste seu motor a combustão. O seu estilo “Jeep”, que é único, faz por desculpar o preço, que está até abaixo de algumas propostas com potências inferiores.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!