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Teste ao mais potente e poupado Citroën C5 Aircross

Teste ao mais potente e poupado Citroën C5 Aircross
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“Confortável silêncio”

 

O Citroën C5 Aircross é o atual topo de gama da marca e é também, em conjunto com o C4 Spacetourer, uma das propostas familiares que a marca tem para oferecer. Agora, recebeu uma muito desejada versão híbrida Plug-In, que conseguirá atingir um diferente tipo de cliente, aproveitando o “coração” dos seus colegas de grupo.

Não é um automóvel de muitas surpresas, mas também não precisa disso. 

Esteticamente, o C5 Aircross é igual a qualquer outro com o mesmo nome, apenas os logos “ë” em azul se destacam neste modelo com consciência ecológica. De resto, temos uma imagem com aparência forte, ao estilo que a marca nos tem habituado, com robustez extra graças às suas linhas que são também ajudadas pelos Airbumps, elementos que surgiram inicialmente no revolucionário Cactus, lançado em 2014. O teto em preto é opcional, assim como as jantes de 19’’ na mesma cor. Já o Pack de cor coloca alguns elementos em azul, que dão contraste e um toque de cor a este SUV familiar.

Passando para o seu interior, a primeira sensação é de espaço. O Citroën C5 Aircross é, comparativamente ao Peugeot 3008 e Opel GrandLand X (que partilham a plataforma e muitos elementos), o mais espaçoso e preocupado com a família e com o conforto dos ocupantes. Na dianteira, a posição de condução é elevada, como é normal num SUV, com uma grande dose de conforto devido aos bancos Advanced Confort, com enchimento específico. 



O tablier está organizado de forma lógica, com o cluster digital de 12,3’’ a informar-nos de tudo o que se passa com este Citroën, oferendo também uma leitura simples e eficaz. Ao centro, o sistema multimedia é completo e semelhante ao usado pelas outras propostas do grupo PSA, aqui com uma “roupagem” mais Citroën. Quanto à montagem, está num bom nível, mesmo que os plásticos não sejam os mais nobres. 

Ponto de destaque neste C5 Aircross são os seus lugares traseiros independentes, com ajustes próprios, que são também uma grande vantagem para quem tenha filhos mais pequenos, podendo utilizar até três cadeiras de criança em simultâneo, sem problema. Se isso não acontecer, é garantido um bom espaço a bordo, não importando qual o assento escolhido para a viagem.

Quanto à bagageira, essa varia entre os 460L (com os bancos na posição mais recuada) e os 600L (caso as pernas dos passageiros sejam curtas).

Voltando ao volante, este Citroën liga-se silenciosamente, e apenas o sinal “Ready” nos avisa que podemos seguir caminho. Debaixo do capot estão dois motores: o 1.6 Puretech de 180cv fazendo parelha com um outro, elétrico. Em conjunto, oferecem 225cv de potência combinada, neste que é o C5 Aircross mais rápido que se pode comprar. 

Aqui é o conforto que pauta o ritmo, tudo acontece sem sobressalto, com a suspensão de batentes progressivos a “amparar” todos os golpes vindos do mau piso, com o efeito “tapete voador” a ser efetivamente conseguido. Ponto positivo também para a insonorização, porque mesmo quando o motor a gasolina “acorda”, é muito silencioso não se fazendo ouvir muito no habitáculo. Este Citroën não se nega a andamentos mais rápidos, mas essa não é a sua praia. Em vez de querer mostrar sempre os 225cv e a aceleração que demora 8,9s ou fazer trocas de mudança rápida graças às patilhas montadas atrás do volante, prefere antes apresentar consumos baixos. 



Sendo assim, isso foi provado, já que os primeiros cem quilómetros em percurso misto, com a bateria carregada a 100% na altura do arranque, ficaram em 3,6L/100km. Essa autonomia é de 55km (foram conseguidos 45km durante o ensaio), o que chega a ser mais do que muitos condutores fazem por dia. E nem em autoestrada há desculpa para o motor a combustão se ligar, já que o C5 Aircross consegue ir até aos 135km/h sem se ouvir, ou gastar uma gota de sem chumbo 95. 

Se por acaso o caminho for mais longo, os quilómetros seguintes sem carregamentos e usando o modo híbrido, o consumo fica-se pelos 6,8L/100km. O que nem é um valor exagerado para um SUV de dimensões generosas e 225cv de potência. 

Esta versão em ensaio era a Shine, a mais equipada, e já contava de série com elementos como acesso e arranque mãos livres, Pack Drive Assist que engloba o Active City Brake, alerta de atenção, Lane Keeping Assist, leitura de sinais de trânsito, monitorização de ângulo morto, Cruise Control ativo e máximos automáticos, tudo elementos que lhe conferem um Nível 2 no que toca à condução autónoma. 

O preço para esta versão inicia-se nos 43.247€, já esta unidade com opcionais ficava em 47.461€. No entanto, o C5 Aircross Hybrid, com os mesmos 225cv, está disponível desde 39.117€. 

Este é um SUV para quem se preocupa com o conforto dos ocupantes, assim como uma elevada dose de conforto de rolamento. Ainda assim os 225cv não têm vergonha de aparecer, nem de fazer consumos baixos para viagens tranquilas. Portanto, se estiver a ver a “trilogia” dos SUV (Citroën, Peugeot e Opel), este é aquele que prefere umas férias no campo, em vez de praias apinhadas de gente ou noites frenéticas na cidade.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!