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Teste ao Volvo S60 Recharge com 390cv!

Teste ao Volvo S60 Recharge com 390cv!
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“Espião Sueco”

 

Geralmente quando pensamos numa berlina potente, imaginamos muito possivelmente algo alemão, com um ruído grave a sair dos seus quatro escapes, enquanto uma nuvem de fumo se ergue após cada curva ser abordada com um powerslide. Esses modelos têm, normalmente, estéticas que de sóbrias têm muito pouco, bem como um complexo em passar despercebidos.

Mas e se existisse uma berlina potente e consciente? Com isto quero dizer uma espécie de espião ao estilo James Bond, mas que nunca iria destruir propriedade alheia, deixando tudo arrumado, ao mesmo tempo que evitaria as balas e sairia sempre triunfante no final, com o seu smoking perfeitamente imaculado.

Acho que, no que toca a automóveis, este Volvo S60 T8 Recharge que aqui está presente, pode muito bem ser o “tal espião” que estou a falar, já que se trata de uma berlina com imagem desportiva q.b, mas que junta a isso uma elevada consciência ambiental, sem esquecer uma potência para dar e vender.

É verdade que o Volvo S60 não é tão visto nas nossas estradas quanto a sua “irmã” V60, e isso é compreensível devido a uma escolha mais limitada de motores, onde neste modelo quatro portas nunca se incluiu o diesel, assim como a preferência pelos portugueses pela variante mais familiar. Mas o S60 apresenta um estilo muito próprio que pode agradar e ajudar a destacar-se da multidão, sem ser demasiado óbvio. Como os outros que falei acima, estão a entender?



É verdade que o Azul Bursting ajuda a isso, tal como as jantes de 19’’ que calçam e preenchem bem as cavas deste familiar com 4,76m de comprimento. As suas linhas são tipicamente Volvo, robustas e com uma desportividade natural, sem excesso de elementos. A dianteira longa baixa vê, neste nível R-Design, todos os seus cromados desaparecem de forma a aumentar a imagem desportiva e o seu dinamismo. Porque até um “espião” tem direito a uma sexta casual…

No interior vamos bem sentados, numa posição baixa e com pernas bem esticadas, como deve ser. O habitáculo é constituído por materiais de boa qualidade e perfeitamente montados, com um estilo ao qual já estamos habituados. Linhas horizontais e tudo colocado de forma lógica, com um ecrã central que é o “centro de tudo”.

Requer algum hábito? Sim, mas passado pouco tempo já tudo se torna lógico. A vontade de fazer quilómetros entre “missões” é uma realidade, já que este continua a ser um Volvo, e com isto quero dizer que os seus bancos continuam a dar vontade de os levar para dentro de casa…

O seu interior é espaçoso, mas não referencial. Isto porque atrás temos um túnel central elevado nesta versão Recharge devido, também, à tração integral. Mas nos dois lugares que restam, o conforto é oferecido em dose elevada. A bagageira também conta com alguns constrangimentos, apresentando 396L, contra os 529L da V60 Recharge. Esta volumetria é também mais baixa, por exemplo, face ao Volvo S60 B5 (que não é um PHEV) e que conta com 442L de capacidade.

De forma a desculpar estes pontos, passemos para o seu propulsor que foi o que vos trouxe até aqui e que vos chamou à atenção. Não é verdade?

Lembram-se da V60 Polestar? Pronto, este S60 T8 Recharge é uma versão (ligeiramente) mais calma dessa versão mais extrema. Aqui contamos com 390cv e um binário máximo de 650Nm, graças a um bloco a gasolina com 2 litros de capacidade e um motor elétrico. Graças a esse mesmo motor e uma bateria de 11,6kWh, é possível fazer, segundo a marca, até 59km sem emissões (neste ensaio foram conseguidos 43km), ou então usar o modo Hybrid e poupar mesmo para lá dos primeiros 100km.

A orquestrar tudo isto, a Volvo optou por uma transmissão automática de oito relações, muito suave e sem hesitações, ótima para um conjunto que une bem a elevada potência com uma generosa dose de suavidade. Este é daqueles automóveis em que a velocidade se eleva, mas que tudo continua a parecer normal.



Comparativamente à versão Polestar, este não é um Volvo tão focado (mas também não é feito para o ser), ainda assim consegue imprimir andamentos vivos sem problema, apenas exigindo atenção à velocidade com que abordamos a curva, já que o ruído é tão baixo e a suavidade tão elevada, que a probabilidade de chegar rápido demais à próxima curva é uma realidade. Ainda assim, o sistema de tração integral toma conta do recado, notando-se ainda mais em piso molhado, aqui apenas nota para a inexistência de opção para as patilhas seletoras de velocidade. Os travões também apresentam uma boa nota, mesmo tendo de tolerar um peso elevado, mas que ainda assim se consegue catapultar numa aceleração que dos 0 aos 100km/h demora apenas 4,6 segundos!

A velocidade máxima? Está limitada aos 180km/h, algo que a Volvo implementou de forma a aumentar a segurança rodoviária.

No que toca a consumos, os primeiros 100km, com a bateria cheia, conseguem apresentar uma média abaixo de 4L/100km; após isso, os valores oscilam entre os 6,5 e os 8L, dependendo do andamento. A melhor opção é como disse acima, optar pelo modo Hybrid e assim “alongar” mais a vida da bateria que carregámos. A outra importante “regra” é que sempre que chegar a casa (ou ao trabalho), ligar este “espião sueco” à corrente, de forma a que um depósito dure largas centenas de quilómetros.

Quanto a equipamento, esta unidade contava com mais de 4.600€ entre packs e opcionais, ainda assim o seu preço não passou da barreira dos 70 mil euros, já que o S60 Recharge está disponível com estes belos 390cv por 62.726€.

No final, este Volvo mostra-nos o perfeito balanço entre uma estética elegante típica do S60, mas desportiva graças ao nível R-Design. Para além disso, apresenta um interior confortável digno da marca. O seu motor é um “poço de força”, com um apetite reduzido se for usado de forma correta, que mesmo com um peso elevado, não deixa de ser suficientemente ágil e agradável de se conduzir. Neste carro só há um problema, o de entrar numa autoestrada e só sair quando ela terminar…

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!