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SEAT Ibiza XCellence 1.0 TGi

SEAT Ibiza XCellence 1.0 TGi
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“Tenho pouca rede…”

Todos nós sabemos, nesta vida cada vez mais agitada, o “pânico” que é estar limitado ou contar com pouca rede no nosso telemóvel. Estamos cada vez mais ligados e dependentes da tecnologia.

Mas também sabemos que estamos numa altura de mudanças, e o mesmo se passa na indústria automóvel. Mais do que uma suposição ou utopia, é uma realidade.

A ordem do dia vai para a eletrificação, e não de forma errada, contudo a SEAT já conta na sua gama com um leque de automóveis híbridos, mas que são uns híbridos diferentes. Os modelos com sigla TGi são automóveis movidos a GNC (Gás Natural), que permitem reduzir as emissões de Co2 em 25%, e mais importante que isso, não têm como base o petróleo, sendo na sua maioria “confecionados” de forma limpa.

Pois bem, o primeiro modelo que experimentámos com esta tecnologia é aquele que é dono da maior carreira da marca. O Ibiza é um modelo que surgiu em 1984 e que ao longo dos seus 35 anos de carreira, já soma cinco gerações, sendo esta, obviamente, aquela que é a mais moderna e tecnológica de todas, sem perder os seus pergaminhos. E sim, nesta versão isso não muda.

Sim, porque estes modelos são virtualmente iguais, esteticamente apenas é visível o logo na traseira, de resto, tudo igual. Portanto, temos um automóvel de segmento B com linhas dinâmicas e bastante latinas (cheias de vincos e reflexos) que o caracterizam. A dianteira adota a grelha típica da marca, e esta versão XCellence (os TGi têm a mesma orientação de modelos) opta por mais cromados, e sobriedade, ao contrário dos mais dinâmicos FR (que podes ler aqui).

No exterior destacam-se as jantes de 17’’ opcionais, que lhe preenchem melhor as cavas das rodas. Outro ponto vai para os grupos óticos, tanto dianteiros como traseiros, que contam com tecnologia LED, que para além de ajudar a ver, também ajuda a ser visto… com estilo!

Passando para o interior, podem adivinhar: também quase não há diferenças, e as que há são apenas no painel de instrumentos, que passa a contar com dois marcadores de combustível (dos respetivos combustíveis: gasolina e GNC), e o computador de bordo que passa a dar a média em Kg, já que o gás é medido dessa maneira.

De resto, nada de novo, o que é bom. O interior é bem construído e agradável, sendo um Segmento B que já quer “piscar o olho” ao segmento C. O equipamento completo é uma das suas vantagens, contando com elementos como bancos aquecidos (349€), cruise control adaptativo e sistema multimédia que conta com os sistemas Apple CarPlay ou Android Auto (150€).

Quanto à posição de condução é fácil de encontrar graças aos amplos ajustes, e é confortável, o passageiro da frente também encontra um bom espaço, com a vantagem de contar com regulação em altura. Atrás, o SEAT Ibiza é confortável, não faz milagres em termos de espaço, mas também não se pode considerar acanhado. Quanto à bagageira, aí o Ibiza TGi perde em relação com os seus irmãos que só andam a um combustível, contando com 262L de capacidade, em vez dos 355L.

Mas vamos passar para o motor. Este TGi tem por base o motor 1.0 TSi, mas que aqui conta com menos 5cv de potência e 160Nm de binário (-15Nm), disponíveis também em diferentes regimes. A transmissão também é diferente, aqui com o TGi a vencer, com uma caixa manual de seis relações, em vez de cinco, da “normal” gasolina.

Quanto a performances, é esperado que o TGi seja um pouco inferior, a demorar mais 1,2s dos 0-100km/h, e a atingir uma velocidade máxima de 180km/h, apenas 2km/h abaixo do 1.0 TSi de 95cv.

Mas quem escolhe um Ibiza TGi não está à procura de números de performance, mas sim números baixos no que toca às finanças, e aqui o TGi derrota o TSI, sem problemas.

Vamos a ver, o consumo médio deste TGi foi de 4,9kg/km (sim, quilogramas), isso equivale a cerca de 5,34€ a cada cem quilómetros. Um valor imbatível face à gasolina, e mesmo ao diesel. Apenas um elétrico bate este valor, mas em troca pede um valor de aquisição mais elevado, e um tempo de carregamento muito mais demorado.

Mas é precisamente no carregamento (abastecimento) que este Ibiza TGi é traído, porque por enquanto ainda há pouca rede de abastecimento, e isso torna a vida um pouco mais limitada, ainda que não haja lugar a ansiedade, já que este modelo continua a ter um pequeno reservatório de gasolina (9 litros) que usa quando o GNC acaba, ou a temperatura está abaixo de -10ºc, altura em que tem de ligar a gasolina, até o sistema estar na temperatura ideal. Fora isso, “sempre a gás!”. A autonomia total do sistema pode chegar acima de 500km, em condições ideais, mas o melhor será contar com uns 450.

Quanto à condução, também não há diferenças. O SEAT Ibiza continua a ser um automóvel divertido de conduzir, ágil e até “adulto”, já que apresenta um bom pisar em autoestrada, e pode sem problemas fazer uma vida “intercidades”, e não se confinar apenas a elas.

No final temos, antes de tudo, que dar o mérito à SEAT por apostar nesta tecnologia que pode fazer aqui uma espécie de ligação a novas tecnologias. O GNC é mais limpo e acaba por não ser uma mudança tão chocante face a quem se muda do “petróleo” para os “eletrões”. Contudo, cá ainda estamos (muito) limitados com a falta de postos de abastecimento, o que poderá mudar graças a um aumento de camiões a adotarem por este sistema, aos quais se poderão seguir os automóveis?

Já vimos isso acontecer, e chamava-se diesel… 


SEAT Ibiza 1.0 TGi 90 Xcellence

Especificações:
Potência– 90cv às 4500~5800rpm
Binário – 160Nm às 1900~3500rpm
Aceleração do  0-100 (oficial): 12,1s
Velocidade Máxima (oficial): 180km/h

Consumo medido (GNC) – 4,8kg/100km

Preços:
Gama SEAT Ibiza TGi desde: 17.275€
Versão ensaiada: 20.478€

 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!