Início Ensaios “É desportivo mas não é um Type-R” – Honda Civic 1.5 VTEC Turbo

“É desportivo mas não é um Type-R” – Honda Civic 1.5 VTEC Turbo

“É desportivo mas não é um Type-R” – Honda Civic 1.5 VTEC Turbo
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“Meet me halfway”

 

Esta expressão não foi usada por acaso. Significa mais do que apenas nos encontrarmos a meio do caminho, significa fazer um compromisso com alguém, e este Honda Civic 1.5 VTEC Turbo é precisamente esse compromisso, com um conjunto de consumo e preço mais comedido, mas que se encontra a meio caminho entre um normal familiar e um desportivo “à séria”.

O Civic foi renovado, não revolucionado. O seu aspeto continua inconfundível; há quem adore, há quem odeie. Eu estou talvez também naquele meio, já me chocou mais, e a cada vez que ando com ele, entendo que o Civic é um carro ótimo para “entender” de dentro para fora.

As diferenças surgem nos detalhes. Os para-choques foram redesenhados, assim como as jantes, que contam também com um novo acabamento em preto. Nesta versão com um toque de wasabi, a Honda colocou as ponteiras de escape ao centro, no meio de um difusor de ar envergonhado, mas que confere a este Civic uma imagem mais dinâmica, neste design que não esconde a sua origem japonesa.

Passando para o interior, foram novamente os detalhes. A um primeiro olhar tudo igual, a um segundo olhar… tudo também igual. Confusos?



Basicamente a diferença cá dentro encontra-se no arranjo dos botões do sistema multimedia, que agora passaram a ser físicos, uma das críticas que fiz ao modelo desde que o conheci. De resto, temos uma boa posição de condução, num habitáculo que embora não tenha os melhores materiais, não mostra sinais de falhas no que toca a montagem.

Pontos positivos cá dentro? O espaço a bordo, ideal para cinco passageiros, o Civic é um dos mais espaçosos da sua classe, embora não pareça quando olhamos para ele. O conforto é outra das suas vantagens, que nesta versão conta com ajuste de amortecimento em dois modos, bastante notórios entre eles. Por último, a bagageira, com 478L é, a par com o espaço interior, uma das mais desafogadas face à concorrência.

Então e menos bom?

Temos o sistema multimedia. Felizmente, ao contrário do HR-V, este Civic já conta com o sistema Apple CarPlay e Android Auto, contudo, o seu funcionamento é complexo e exige (SEMPRE) que demos o OK, quando iniciamos a marcha.

Mas é depois de iniciar a marcha que eu conheço outro compromisso, o de desculpar este ponto, já que a sua condução é verdadeiramente boa.



O motor 1.5 VTEC Turbo de 182cv é um motor cheio de força, com uma boa disponibilidade desde os baixos regimes, auxiliado por uma transmissão manual com um bom escalonamento e agradável de usar, com seis velocidades. Este conjunto liga-se a um chassi muito competente, e sempre com fome de agarrar o máximo de asfalto possível, o que nos permite explorar bem as suas capacidades. E os pneus nem são os mais indicados para isso, mas nunca foi notória uma falha de motricidade neste Honda, meio desportivo, meio familiar.

Depois há ainda os consumos, onde lhe faço um verdadeiro “cumprimento de chapéu”, com estes 182cv a pedirem, sem cuidados, um consumo pouco acima dos 6 litros a cada cem quilómetros percorridos. A sério.

Portanto, se procuram um automóvel agradável de conduzir, com algum picante à mistura, bom espaço interior e boa bagageira, o Honda Civic 1.5 VTEC Turbo pode ser uma boa opção. Por outro lado, têm de desculpar o exterior, se não gostarem, assim como o sistema multimedia que, mesmo completo, às vezes é um pouco teimoso.


Honda Civic 1.5 VTEC Turbo Sport Plus

Especificações:
Potência – 182cv às 5500rpm
Binário – 240Nm às 1900 ~ 5000rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 8,3s
Velocidade Máxima (oficial): 220km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 6,1L/100km (5,7L/100km)

Preços:
Honda Civic desde: 25.365€
Unidade ensaiada (s/campanha): 35.590€

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!