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Toyota GR Supra Legacy 3.0

Toyota GR Supra Legacy 3.0
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“O incrível peso de um nome”

 

Não me consigo lembrar, em muitos anos, de um automóvel que suscitasse tanto interesse como este GR Supra, um caso global. Um caso em que cada pessoa tem a sua opinião a dar. Talvez seja um dos desportivos mais importantes da década que agora terminou.

 

Mas temos um “elefante na sala” e vamos já enfrentá-lo, porque gostaria de não falar mais sobre ele. Há algumas pessoas, que na maioria das vezes não seriam compradores de Supra (embora eu gostasse que todos pudessem ter um), que “crucificaram” este novo modelo da Toyota. Isto porque a marca japonesa fez uma Joint-Venture com a BMW. Sim, aquela marca alemã, conhecida por não fazer “carros maus”, e que por acaso também se preocupa muito com a dinâmica das coisas. Isto é quase o mesmo de eu na escola me juntar com aquele colega nerd para fazer um trabalho de grupo. Os meus pais não me iam criticar, com toda a certeza…

Pois bem, meus amigos. O GR Supra só existe porque a BMW também esteve presente. Até podia existir, mas é o caso de “uma mão lava a outra”. A marca alemã precisava de apoio para fazer um novo Z4, e a Toyota queria um automóvel que lhe desse a imagem desportiva de outrora. Ambas se encontraram e aqui está, não se fez o ‘chocapic’, mas sim um Supra, e dos bons!

Outra, só para terminarmos. Nenhuma das marcas faz coisas mal feitas, e lembrem-se que um dos melhores automóveis do mundo, o McLaren F1, contava com motor BMW.

Isso incomoda-vos? Pois, a mim também não.

Portanto, vamos lá a isto. Se continua a dizer que este GR Supra não merecia ser um Supra, tem duas hipóteses: ou lê isto daqui para a frente, e tenta compreender que está errado; ou pode ver só as fotos e seguir para a próxima rede social e continuar a reclamar sobre esta nova criação da Toyota.

Comecemos pela estética.

A parte exterior de um automóvel é sempre uma área que não pode agradar a gregos e troianos. Ou a japoneses e alemães, já que estamos nesta onda. Uma coisa é certa, o Toyota GR Supra é bem mais bonito ao vivo do que nas fotos.

Não é daqueles automóveis fotogénicos, isto porque as suas dimensões são mais comedidas do que se pode pensar. Um capot longo e mergulhante, numa frente tipicamente japonesa, enquanto a lateral demonstra alguma herança vinda do 2000GT, com o seu formato em cunha e o teto com a “dupla bolha”. As jantes de 19’’ com acabamentos cromados são generosas, e estão posicionadas bem aos cantos, num automóvel com flancos bem “inchados” e cheios de linhas que lhe dão uma agressividade extra. A traseira é a secção, para mim, português, que está mais bem conseguida. O seu spoiler está integrado e moldado na tampa da bagageira, enquanto os farolins estão ali também com muita função estética, enquanto o difusor quer fazer lembrar (ou não) os tempos que a marca passou na F1, com duas generosas saídas de escape.

E estão lá para fazer barulho…

Mas para o ligar, temos de entrar para o interior.

A sensação de qualidade é alta, com superfícies macias e bem montadas, num interior sóbrio no seu desenho, mas com elevado bom gosto. Aqui, é notório que a tal marca alemã forneceu “algumas” peças, e quem conhece ou lida com um no dia-a-dia, vai notar que são a maioria delas. Mais uma vez, não é uma coisa má, antes pelo contrário. Daqui do interior, a Toyota tratou do grafismo do painel de instrumentos, que está bem organizado e é de fácil leitura.

Já o sistema de infotenimento é o iDrive, um dos mais avançados da indústria, o que eleva bastante a parte tecnológica deste Toyota Supra. Quanto à posição de condução, pode ser descrita numa palavra: excelente.

As bacquets misturam o seu estilo com a de um normal banco, o que aumenta o conforto em longas viagens, mas que garante um apoio maior em caso de condução mais aguerrida. Os ajustes elétricos garantem essa boa posição, que graças a variados ajustes lombares (e até das bolsas laterais) nos garantem um ajuste “como uma luva”. Quanto à parte prática, o Toyota Supra acaba por ser mais prático do que poderíamos esperar, isto porque a sua bagageira, ainda que “só” acuse 290L de capacidade, acaba por ser mais generosa do que isso. Tem a particularidade de ser “ligada” ao habitáculo, o que permite o transporte de objetos de maiores dimensões. No entanto só pode ser aberta ou pelo o habitáculo, ou pela chave.

Quanto ao equipamento, não há falhas, contando com bancos em pele aquecidos e elétricos, head-up display, sistema de som JBL, cruise-control adaptativo e sistemas de apoio à condução, como a assistência ativa de via, e travagem automática. Os faróis LED com máximos adaptativos também são de serie, nesta única versão Legacy, que não conta com opcionais.

Altura de carregar no Start…

Um som grave, com uma subida e descida de rotação repentina, é assim que o Supra “acorda”. Um som que mostra que este Toyota não é só um “statement”, mas o “the real deal”. O motor 3.0L, com seis cilindros em linha, conta com 340cv, mas como sabemos, não são 340cv, são sempre mais. É como se houvesse uma avó na fábrica da Magna Steyr, na Áustria, a servir a potência. É encher o prato até cima!

Mas antes de notar isso, há que andar normalmente. E para isso, o Toyota GR Supra revela a sua faceta GT, um automóvel de dois lugares que não pede apenas para ser “maltratado” em pista. Para isso conta com uma transmissão de oito velocidades, automática, que funciona de forma perfeita com este propulsor. Conta ainda com modo Sport ou as patilhas atrás do volante, que permite trocas “à vontade do freguês”. O que desculpa, até certo ponto, a falta de uma caixa manual.

Depois, a agilidade é o ponto que mais se destaca no Supra, o seu “golden ratio”, que tem uma proporção ideal entre a distância entre eixos e a sua largura. Algo difícil de conseguir, e que o torna (matematicamente) numa das propostas mais bem balanceadas do mercado.

Passando novamente para o motor, e tratando-o da maneira que ele (também) gosta, o que ainda é mais notório que a potência, é o seu binário. São 500Nm disponíveis logo desde as 1600rpm, e que se mantêm nesse regime máximo até às 4500rpm, o que permite uma disponibilidade bem superior à do seu antecessor. Normal, já que passaram mais de 20 anos.

“O som invade o habitáculo, e as relações sobem, assim como as pulsações”. Bem deixemo-nos de filmes, o GR Supra é rápido. Verdadeiramente rápido. Uma aceleração dos 0-100km/h demora 4,1s, e a velocidade máxima é de 250km/h, limitada eletronicamente. Um poço de força, uma “powerhouse” que cai que nem uma luva num automóvel que ainda pesa uns “pesadotes” 1570kg. Que na verdade não são assim tão notórios em curva.

A direção é bem direta e rápida, podia ser mais informativa, mas nada que seja muito diferente do resto das propostas do mercado, já a suspensão faz o seu trabalho de forma exemplar, garantindo uma estabilidade direcional de elevado nível, e a fazer também com que este GR Supra fique o mais plano possível durante esses (curtos) momentos.

A sensação poderia melhorar ainda mais caso os excelentes pneus Michelin Super Sport fossem “normais” e não os Runflat, já que aumentaria mais a confiança em curva, ainda que este GR Supra seja fácil de prever, mas que não se importa de “morder ao dono” quando selecionamos o modo de condução mais desportivo, e lhe retiramos todas as ajudas. Aí tem de ser foco máximo.

Para garantir travagens bem fortes, o GR Supra conta com discos de 348mm na frente, e 345mm na traseira, com mordida decidida e bom tato no pedal, sendo fáceis de dosear, e aptos a uma condução também com o pé esquerdo.

Resta uma conclusão para o Toyota GR Supra.

Este automóvel foi mais do que estaria à espera inicialmente. Mostrou-se mais GT do que esperaria, mas também tão desportivo como poderia esperar. Se por um lado consegui fazer uma viagem de 600km num dia, com uma média que não chegou aos 8L/100km, também consegui subir a pulsação em estradas mais sinuosas. Um automóvel que pode ter nascido num berço europeu, mas que, dito pela Toyota, foi afinado por eles próprios. E isso é mau? Não, não é. Os 81.000 euros pedidos por uma unidade igual a esta, são justos, tendo em conta o equipamento, assim como pelas suas prestações.

E outra coisa é certa: já tem nome de “mito”, mas a sua exclusividade parece ser garantida.


Toyota GR Supra Legacy 3.0 

Especificações:
Potência – 340cv às 5000-6500rpm
Binário – 500Nm às 1600 – 4500rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 4,3s
Velocidade Máxima (oficial): 250km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 8,2l/100km (8,9l/100km)

Preço:
Unidade ensaiada: 82.000€

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!