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“225cv chegam?” – Teste ao DS7 Crossback E-Tense 225

“225cv chegam?” – Teste ao DS7 Crossback E-Tense 225
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“Menos 75”

 

Como é bem sabido, o DS 7 Crossback foi o primeiro modelo feito de raíz para a marca premium do grupo Stellantis, tendo chegado ao mercado em 2017. Após a sua chegada, a variante híbrida Plug-In despertou curiosidade num mercado com cada vez mais interesse neste tipo de soluções. Mas este DS 7 Crossback aqui em ensaio é o E-Tense, e não o E-Tense 4×4, ou seja, conta com 225cv de potência combinada e apenas tração dianteira.

Vale a pena optar por esta versão “mais comedida” e poupar quase cinco mil euros, ou devemos ir direitos à versão com 300cv?

Nesta versão eletrificada deste SUV premium francês, não existem praticamente diferenças, com essas a ser encontradas apenas por um logo específico – E-Tense – na dianteira, assim como no portão da bagageira, bem como o local de carregamento do lado esquerdo.

De resto, continuamos a encontrar uma das propostas mais elegantes (e ao mesmo tempo disruptivas) do seu segmento, com um estilo muito próprio e repleto de detalhes, em muito para as secções luminosas, tanto na frente, com os vários elementos a receberem-nos com uma “dança”, como pelos posteriores, com um interessante efeito 3D. Nesta unidade, equipada com a linha DS Performance Line, todos os cromados adotam o preto mate, assim como as jantes, específicas desta versão, que ajudam a tornar este DS mais “stealth”. São gostos…

Passando para o interior, também se faz sentir muito o espírito DS Performance Line, com uma vasta adoção de alcântara para revestir grande parte das superfícies, sejam os bancos com bom apoio e muito confortáveis, seja o tablier e consola central. Mesmo que lhe queira dar um aspecto mais desportivo ao interior, a sofisticação continua sempre presente, assim como a tecnologia, com o painel de instrumentos 100% digital, e o sistema multimédia, ambos de 12’’ polegadas, a fazerem muito por isso. Ao contrário de outros DS 7 que estiveram em ensaio, esta unidade não contava com o relógio analógico BRM (opcional de 200€), que quando escolhido se coloca logo acima do botão “Start/Stop”, no centro do tablier.

O espaço interior revelou-se amplo, com os lugares dianteiros a serem confortáveis e com o mesmo a passar-se para quem viaja atrás, podendo levar até três adultos, ainda que, como já é habitual, o ideal sejam dois. Atrás, há ainda cuidado com o conforto, com um apoio de braço central, assim como saída de ventilação específica. Atrás dessa segunda fila, espaço para a bagageira de 555L de capacidade, que não perde nada face à versão térmica, o que a coloca bem situada em relação aos seus rivais de segmento com tecnologia Plug-In, não havendo também qualquer impedimento se for necessário rebater os bancos.

Passando para a condução, este DS 7 Crossback E-Tense conta com a união do motor 1.6 PureTech com 180cv e um motor elétrico, que garantem 225cv de potência combinada. Tudo é orquestrado por uma transmissão automática de oito relações, com funcionamento suave, e que faz bem as transições entre o modo elétrico e de combustão.

Mas é também aqui, nos números, que se notam fortes diferenças face à variante de 300cv. Por exemplo, os 0-100km/h, aqui, demoram 8,9s, bem mais do que os 5,9s que o E-Tense 4×4 demora a chegar a esse valor. A potência é sempre complicada de superar, ainda para mais porque esses 75cv extra apenas têm de puxar (e empurrar) 65kg extra face a este E-Tense.

Em condução, o DS 7 Crossback caracteriza-se pelo conforto e pelo bom pisar que apresenta. Nesta versão híbrida alia a isso uma capacidade aumentada de “sossego” graças à ausência de ruído, com o qual, sempre que possível, inicia a sua marcha.

Existem quatro modos de condução: Elétrico, Hybrid, Conforto e Desporto, com este ensaio a ter sido muito usado o modo Hybrid, deixando para o DS 7 Crossback E-Tense a capacidade de fazer as suas escolhas, não forçando assim o sistema elétrico de forma a conseguir os melhores consumos. O uso do modo B da transmissão torna-se um hábito e ajuda na regeneração, para que se atinjam os 54km que este DS 7 Crossback promete fazer. No ensaio, chegámos aos 47km.

Esse conforto é também conseguido graças à sua suspensão mais branda, que absorve muito bem as irregularidades do piso, sem que torne este DS numa proposta “aborrecida”, com uma condução que, embora não seja tão dinâmica (ou divertida) como o E-Tense 4X4, está longe de desiludir, com esta versão de tração dianteira a fazer sentir mais o aumento de peso nas transições de curva, face a uma versão térmica (o PureTech de 180cv pesa menos 332kg).

No que a consumos diz respeito, os primeiros 100km são possíveis de serem feitos, em circuito misto, com um consumo de menos de 4L, com os restantes quilómetros (sem cargas) a fazerem esse valor subir, ainda que seja possível manter abaixo dos 7,0L/100km, graças ao sistema híbrido. No final deste ensaio de mais de 600km, com carregamentos feitos durante a noite, o consumo ficou em 5,3L/100km.

Agora a resposta à pergunta feita inicialmente: vale a pena poupar quase cinco mil euros? Seria injusto dizer que este DS 7 Crossback E-Tense não cumpre com o que lhe é pedido, porque o faz muito bem, mas se puder gastar um pouco mais, os 300cv e a tração integral dão outra “alma” a este DS.

Esta unidade aproveitou menos de cinco mil euros, dotada com o Pack Performance Line que lhe dá o DS Connected Pilot, Advanced Safety Pack e DS Active LED Vision, assim como barras de tejadilho em preto, câmara de visão traseira, assim como ajuda ao estacionamento dianteiro e traseiro (2250€) e o acesso e arranque mãos livres (350€), totalizando o seu preço em 56.799€.

De qualquer das formas, o DS 7 Crossback E-Tense é uma proposta com o estilo que todas procuram, mas com um “estilo” muito próprio que a marca francesa consegue oferecer. O conforto é uma das suas imagens de marca, assim como um interior confortável, sem esquecer bons valores de eficiência.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!