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Toyota Camry 2.5 Dynamic Force Luxury

Toyota Camry 2.5 Dynamic Force Luxury
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“Esperar para ver”

Toyota Camry, um nome que já conhecemos em Portugal, mas que durante mais de uma década esteve desaparecido. Esse facto era compreendido, primeiro porque a gama contava com um automóvel de segmento D competitivo (o Avensis), mas também porque a gama de motores não estava muito em sintonia com o que o mercado procurava.

Agora, em 2019, as coisas mudaram um pouco. A Toyota deixou de produzir o Avensis e, para além disso, os motores diesel (sem ser no Land Cruiser e Hilux) já não fazem parte da gama. Portanto, como é que a marca resolveu estas duas extinções?

A segunda, com tecnologia híbrida que tem sido um sucesso e está espalhada por toda a gama de veículos, a primeira com a introdução do novo Camry, modelo que vai tomar o lugar deixado vago pelo Avensis sedan (com a carrinha a ser de certa forma completada pela Corolla Touring Sports e pelo RAV-4).

A primeira vez que vi o Camry no salão de Paris achei até que poderia “canibalizar” um pouco as vendas da Lexus, nomeadamente o ES, que também era lançado por lá. Pois bem, não estava totalmente errado, mas também não estava totalmente certo.

Primeiro porque desde o início (até à 5ª geração) o Lexus ES sempre tomou por base o Toyota Camry, e depois porque as suas dimensões até são idênticas (usam a mesma plataforma e grupo propulsor), embora o ES seja agora mais próximo do Toyota Avalon, modelo que não temos disponível na Europa.

Comecemos pela estética.

Não se pode achar que este Camry nos vai vencer pela desportividade de linhas, não é essa a sua vontade, mas sim a de oferecer um automóvel sóbrio e de desenho estatutário, uma berlina “à moda antiga”, mas que não deixa de ter a sua própria personalidade. A dianteira baixa e longa destaca-se pelos grupos óticos longos, enquanto a lateral apresenta uma linha de cintura baixa, privilegiando a visibilidade. A traseira é talvez a zona mais “coupé”, descaindo de forma pouco abrupta, dando uma maior elegância ao conjunto. No final, é difícil esconder os seus 4,88m de comprimento, generosos e bem acima dos 4,75m que o último Toyota Avensis tinha.

Passando para o interior, entendemos o rumo que as coisas vão tomar. Não é um Lexus em termos de materiais (ao toque principalmente), mas o Camry “pisca o olho” a quem procura um automóvel premium. O habitáculo tem um desenho que se nota ser pensado de forma global, com o centro a ter uma disposição fora do normal, que é fácil de habituar. Também ao centro encontramos o sistema Toyota Touch com 8’’, com mais ecrãs a estarem dispostos no completo painel de instrumentos.

A montagem está em bom nível, não se notando quaisquer falhas nem ruídos a percorrer estradas mais degradadas. Ainda na frente, podemos encontrar os bancos em pele elétricos, com aquecimento, para além de carregador de indução para o smartphone, bem como um ar condicionado Triple-Zone.

Triple-Zone?

Sim, esta versão Limousine (a mais equipada), transforma esta berlina quase num automóvel desse tipo, já que nos lugares traseiros encontramos outros dois bons lugares para se viajar (podem ir três ocupantes). Isto porque o apoio de braço, ao “descer”, deixa a descoberto uma central de controlo para regular o encosto destes confortáveis bancos, operar a cortina do óculo traseiro, regular a temperatura (a tal triple-zone), bem como tomar a liberdade de mudar os postos de rádio. Para além disto, esta versão oferece também o muito capaz sistema áudio JBL com 9 colunas.

Mas e ao volante, como é?

Vou ser sincero. Não estava com esperanças muito elevadas.

Estava errado. Porque ao olhar para o Toyota Camry esperava um automóvel muito “pesadão” e não tão agradável de conduzir. De qualquer maneira não é um automóvel que pede para que ataquemos uma estrada de montanha, mas que nos oferece um bom pisar de estrada, conforto e até andamentos um pouco mais rápidos nos tapetes de alcatrão, sempre oferecendo uma boa aderência, conseguindo até ser ágil (tendo em conta as dimensões) e oferecer uma direção com peso correto.

Como propulsor, está apenas disponível o grupo híbrido, o 2.5 Dynamic Force (o mesmo usado no Rav-4), que debita 218cv. A transmissão CVT está cada vez mais “camuflada” e conta mesmo com um modo sequencial, que simula, através desse modo sequencial, uma transmissão automática de seis velocidades.

Mas o que mais impressiona (e de todos os Toyota, este venceu) são os seus consumos, que num uso perfeitamente normal (ainda que com predominância para o modo ECO) conseguiu no final uma média de 5,4l/100km.

Sim, é um 2.5 litros gasolina, com 1800kg, que fez 5,4l/100km, sem cuidados de maior. Sim, o mesmo que um pequeno familiar ou utilitário. Isto volta a provar que os híbridos estão cada vez mais afinados e são cada vez mais uma alternativa ao diesel, já que em cidade poupam, e muito!

No final de tudo isto, olhei para o Camry e pensei: “Tens muitos pontos fortes. O teu preço é de menos de 50 mil euros com isto tudo, não fazes nada mal para quem quer uma berlina espaçosa. Mas talvez não vás ter a sorte merecida num mercado que gosta tanto de ter mais do mesmo…”

Espero que esteja errado, e que ainda veja alguns Camry na rua, é esperar para ver.


Toyota Camry 2.5 Hybrid Dynamic Force Luxury 

Especificações:
Potência combinada– 218cv
Aceleração do  0-100 (oficial): 8,3s
Velocidade Máxima (oficial): 180km/h
Consumo anunciado (WLTP) – 5,3l/100km
Consumo medido – 5,6l/100km

Preços:
Gama Camry desde: 43.990€
Versão ensaiada: 46.990€


Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!