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Toyota Land Cruiser 2.8 D-4D 5P

Toyota Land Cruiser 2.8 D-4D 5P
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“Lendário”

Há automóveis que têm o seu peso medido não só em vendas, mas sim em feitos, uma espécie de aura que os protege e em que perdoamos certos detalhes. O Toyota Land Cruiser era um automóvel desejado por mim, ou seja, era um automóvel que há muito queria conduzir e que tinha a expectativa alta, um automóvel que desperta em mim o sonho de pegar em malas, encher com o mais básico e viajar sem destino ou direção.

E isso, só por si, é uma contradição, já que sou claramente um condutor que prefere bem mais a leveza e agilidade a um “jipe” puro e duro, ‘pesadão’ como este.

E isso só é percebido devido a essa tal aura que falei ali em cima.
Então, que tal a minha experiência?

Já conduzi vários SUV de tamanhos avantajados, aliás, tinha acabado de sair de um, do mais avançado que a indústria consegue produzir, e ao passar para este Toyota Land Cruiser, o primeiro sentimento que tive foi de alívio. Um sentimento de saber que tudo é feito para durar, após vislumbrar uma enorme quantidade de botões, uma construção isenta de erros e feita de forma robusta.

Sejamos sinceros, o Land Cruiser não prima pela estética, se fosse um indivíduo nunca ganharia um prémio de beleza, mas certamente iria ser aquela pessoa que conquistaria o cume de uma montanha. Tem uma beleza rude, com superfícies angulosas e onde tudo foi pensado para os piores cenários possíveis, onde uma ou outra cicatriz de guerra é facilmente perdoada. Não é para ficar em exposição, nem muito bonito em frente a um casino, é sim para ir para o meio da selva ou para um deserto, com toda a classe…

E é isso que sentimos no seu interior. Vamos elevados e muito bem sentados em bancos elétricos, arrefecidos e aquecidos, com o volante também de regulação elétrica, dando-nos uma confortável posição de condução. O vasto túnel central alberga muitos botões que nos permitem alterar os modos de abordagem à superfície que percorremos, e o tablier de linhas simples é eficaz. Como disse um colega meu: “Tudo está feito para usar de luvas…”

Isto sobre uma praticamente ausência de ecrãs tácteis, e na verdade com toda a razão, já que este Land Cruiser tanto pode “conquistar” as grandes superfícies africanas, como vastas áreas geladas deste mundo.

O habitáculo apresenta sete lugares, a fila traseira conta com uma grande qualidade de vida a bordo, com climatização própria, sendo os bancos também aquecidos. Os da 3ª fila são acionados de forma elétrica e levam mais facilmente crianças do que adultos, e quando não estão a ser usados ficam “escondidos” debaixo do piso, e criam uma superfície de 553L de capacidade.

“Um regresso ao passado…”

Os anos de história são sinónimo de Land Cruiser, e somos lembrados disso assim que ligamos o motor. Um som até algo “agricultural”, áspero, que nos mostra que o 2.8L de 4 cilindros, é na verdade um “downsizing” que não está para brincadeiras. A sua potência não é impressionante, são 177cv, mas esses pouco importam, já que a força surge quando os 420Nm entram em ação, logo a muito baixa rotação (1400rpm). A orquestrar tudo isto, está a caixa automática de seis velocidades que, perdoem-me, é o elo mais fraco.

Usando uma outra frase, de alguém como uma boa opinião sobre estes automóveis: “Um verdadeiro Land Cruiser, tem de ser manual”.

Não refuto esta afirmação, eu até sou apoiante de caixas automáticas neste tipo de automóveis, mas esta que equipa o Toyota Land Cruiser é tão ‘lentinha’, que houve até momentos em que pensei que era CVT. Com o tempo habituamo-nos, mas dei por mim, por vezes, a pedir por uma alternativa manual que, por sorte, existe na gama.

Na estrada, o Land Cruiser não esconde as suas dimensões, é pesado, e agilidade não é um dos pontos fortes. Mas, tal como acontece com a caixa, começamos a pensar que não é um defeito, mas sim um feitio. Obviamente, começamos a pensar isso depois de ter andado fora do asfalto, onde o Toyota Land Cruiser se revela da melhor maneira, já que é lá que surge a sua melhor face.

É um verdadeiro todo-o-terreno, com uma imensa capacidade de superar desafios, e a sensação de conforto, mesmo nesses locais mais acidentados, é sempre garantida seja pela força que consegue imprimir, seja pela facilidade com que consegue “trepar” mesmo os piores caminhos. Neste “restyling”, o Land Cruiser melhorou a sua rigidez torsional, e para além disso, conta com o sistema Multi-Terrain Select, que permite escolher a melhor “afinação” para o terreno que vamos querer transpor: Rock e Mud/Sand.

Nestes botões, ao centro do tablier, podemos também encontrar o Crawl Control, ou seja, um Cruise-Control para subidas em fora-de-estrada, onde temos de nos preocupar apenas com a direção. Para ajudar a saber onde colocar as rodas, contamos com várias câmaras, neste modo offroad. A suspensão a ar permite regular a altura ao solo até aos 215mm, de forma a conseguir bons ângulos de ataque (31º), ventral (22º) e de saída (25º).

Nestes últimos parágrafos entendeu-se bem a filosofia do Toyota Land Cruiser, um automóvel que depende do contexto, ou seja: para quem procura um SUV para cruzar autoestradas e ir levar os filhos à escola, basicamente uma vida normal, este não é uma boa escolha. Agora, se quiser fazer tudo isso, e explorar terrenos praticamente impossíveis, pode ter a certeza que este Land Cruiser não o vai deixar ficar mal!


Toyota Land Cruiser LC150 5 Portas 2.8 D-4D 177 Auto

Especificações:
Potência– 177cv/3400rpm
Binário combinado – 420Nm às  1400 ~ 2600rpm
Aceleração do  0-100 (oficial): 12,7s
Velocidade Máxima (oficial): 175km/h
Consumo Combinado Anunciado – 7,4L/100km
Consumo Combinado Medido – 9,2L/100km

Preços:
Gama Toyota Land Cruiser desde: 90.360€
Versão ensaiada: 111.500€


Carrega nas fotos e vê este Toyota Land Cruiser em detalhe:

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!