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Renault Mégane RS – Game Changer

Renault Mégane RS – Game Changer
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Habitualmente, quando há notícias acerca do lançamento de um novo modelo, surge a curiosidade de conhecer os desenvolvimentos e alterações realizados. Acompanhadas sempre de novidades a nível de tecnologia, versatilidade, eficiência e performance, as novas gerações dão quase sempre um salto considerável em relação à iteração anterior, tornando-a por vezes obsoleta.

No entanto, há automóveis que mesmo sendo esta a norma do mercado, continuam a ser referências por muitos e longos anos, destacando-se não só na altura do lançamento,  mas também à medida que vão sofrendo melhoramentos ao longo do seu ciclo de vida.

Claro exemplo disso, é o automóvel que motiva este artigo, o Renault Mégane RS 275 Trophy.

Para compreendermos melhor a origem de todos os pontos fortes deste automóvel, temos que fazer uma breve análise à história do departamento Renault Sport, responsável pelo desenvolvimento do Mégane RS.

Sendo o resultado da união do preparador de chassis Alpine e da Gordini, que desenvolvia motorizações, a Renault Sport surgiu no final do ano de 1976. A união destas importantes unidades permitiu um desenvolvimento mais coordenado entre as duas partes, resultando em melhores produtos. A primeira viatura de produção a ser lançada com nomenclatura Renault Sport foi o mítico Renault Spider, um descapotável de 2 lugares que montava o motor do Clio Williams num leve chassis de alumínio, onde até um para-brisas era um mero opcional.

Ao longo dos anos o departamento desportivo da marca gaulesa foi apimentando outros automóveis da gama Renault, adotando por vezes uma abordagem radical, sendo um bom exemplo o Clio V6, que montava um potente motor em cima do eixo traseiro, num pequeno utilitário, à semelhança dos Renault 5 Turbo dos anos 80.

No entanto, toda esta saga dos Méganes rápidos foi iniciada na geração anterior. Através de inúmeras versões, este foi sendo melhorando substancialmente, tendo culminado na edição R26.R, que despendia de 123kg em relação à variante em que era baseado. Os factos são dignos de um modelo especial de homologação, ora não fosse a ausência de bancos traseiros, airbags de cortina e do passageiro, rádio, limpa para-brisas e desembaciador traseiros e uma boa parte do isolamento acústico. Os vidros traseiros também foram substituídos por policarbonato transparente, para ajudar ainda mais a reduzir a tara do conjunto. Com este R26.R, a Renault iniciava também os time-attacks em Nürburgring, onde o resultado foram uns interessantes 8 minutos 16 segundos e 90 centésimos.

Em 2010 surgiu uma nova geração do Mégane RS, geração esta que veio a virar o mundo dos “hot hatch” de pernas para o ar. E o tributo que aqui lhe prestamos serve precisamente para assinalar este facto. Esta segunda iteração do Megane RS foi um “game changer”. Entrou no mercado na forma do Mégane RS 250, cujo número representa a potência em cv. Sucederam-se várias evoluções e a potência aumentou eventualmente para 265cv e posteriormente 275cv.

Apesar dos números de potência serem bastante generosos, à imagem do R26.R, quando o RS vem às bocas do mundo, é sempre o exímio comportamento dinâmico que assume o protagonismo de entre todos os aspetos do Mégane. Fruto de inúmeras sessões de testes em Nürburgring, e até mesmo em Suzuka (provavelmente para provocar um pouco a Honda), os tempos foram assim baixando, com o RS Trophy de 265cv a bater o especial de corrida da geração anterior por 9 segundos, um recorde que à altura parecia difícil de bater entre a armada dos desportivos de tração dianteira. Como resposta, uma certa marca espanhola foi à luta com o seu Leon Cupra, e após 3 anos, foi finalmente quebrado o recorde do Mégane RS. 7:58:40 era o novo tempo a bater. Durou apenas algumas semanas, graças a uma nova resposta da divisão francesa de Les Ulis. A resposta chegou na forma do Mégane RS 275 Trophy-R, outro carro digno de ser nomeado especial de homologação, com inúmeras medidas que reduziram a tara em cerca de 100kg. Deste modo o novo recorde foi estabelecido em 7:54:36, 4 segundos menos que o Leon Cupra.

Embora esta troca de números seja relativa, a melhoria considerável de tempos do Mégane não deixa de ser uma representação do quanto o carro foi aprimorado em termos de eficácia dinâmica e de prazer de condução, duas variáveis que nem sempre estão presentes no mesmo conjunto.

E são exatamente estes últimos dois pontos que recordaremos quando falarmos desta geração Mégane RS, que está prestes a terminar.

Foi logo notório aquando do lançamento do RS 250, que esta geração Mégane iria deixar um marco na história, mas nunca se julgou que o marco fosse tão pesado. Talvez graças a este carro e à Renault Sport, o segmento dos hot hatchbacks renasceu com um vigor incrível nos últimos anos. Graças ao Mégane RS, calados ficaram os puristas que enunciavam que a era dos compactos rápidos tinha sido a dos anos 80, visto que a panóplia de ofertas disponíveis nos últimos tempos cresceu exponencialmente e proporcionou uma opção para cada tipo de cliente. Não pretendo aqui enumerar os vários exemplos, mas gostando de automóveis, não é muito difícil irmos ao mapa mundo das marcas automóveis e seleccionarmos um hatchback à nossa maneira.

E este Mégane RS 275 Trophy foi muito à minha maneira.

 

Sérgio Gonçalves Gosta de automóveis desde que se lembra de gostar de alguma coisa. Cresceu sonhando com motores e veículos. O seu primeiro carro era oriundo de Colónia e muitos capítulos da história do mesmo perturbaram donos de terrenos agrícolas ( e cárteres ). Para evitar mais maçadas do género, atualmente a sua ligação com o mundo do motor prende-se apenas com a condução responsável e registo fotográfico dos mesmos.