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DS 7 Crossback 1.6 PureTech 225

DS 7 Crossback 1.6 PureTech 225
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“Burguesia, aprendam Francês”

Já muito falámos aqui sobre a DS e de como, ao início, e falando de forma pessoal, foi um erro lançar uma marca com produtos “recauchutados” da Citroën. Atenção, não eram maus produtos, só que lançar uma nova marca premium, com modelos vindos de uma marca generalista não foi um bom começo.

Felizmente isso mudou, e a DS já conta com uma gama praticamente 100% própria, devidamente afastada da sua marca irmã, que tem conseguido, também ela, aumentar na qualidade e dirigindo-se a um cliente bem diferente. Desta vez, voltamos aos comandos do DS 7 Crossback, equipado com o motor gasolina de 225cv, e uma coisa posso desde já afirmar: vale a pena este, face ao diesel.

Este SUV, de dimensões generosas, opta por um design elegante e original, com uma imagem que a marca pretende implementar, mostrando que não quer seguir as convenções. A dianteira destaca-se pela enorme grelha ‘DS Wings’, que incorpora os grupos óticos em LED, enquanto a lateral conta com vincos que lhe conferem um interessante dinamismo, um recorte vincado da superfície vidrada, e nesta versão, como opcional, as jantes de 20’’ dão nota 20 no que toca ao estilo. A traseira é uma secção muito bem conseguida, com uma superfície bem organizada e “limpa”, onde evidentemente se destacam os estreitos farolins traseiros, também em LED, com um efeito que merece ser observado.

O interior é um “espelho” do exterior, com uma clara “carta branca” a ter sido passada aos designers, mostrando que quem procurar a DS, encontrará uma proposta bastante diferente do habitual neste segmento. O confortável habitáculo conta com detalhes interessantes, assim como uma junção de padrões e superfícies que lhe conferem um ar premium, até superior, ao que o preço final evidencia.

Nesta unidade, com o estilo Opera, o DS7 Crossback recebe uma grande parte do seu tablier e interior revestido a pele, neste caso o Castanho Alezan, que contrasta bem com o preto de outros elementos. A qualidade está em bom nível, e para encontrar plásticos menos bons é preciso chegar até onde os olhos normalmente não veem. Claro que este interior, por ser diferente, requer alguma habituação. O painel de instrumentos é totalmente digital, e é outro dos locais onde entendemos a fixação da marca pelos losangos. Ao centro, o botão de start “esconde” o relógio analógico B.R.M, que “gira” assim que o motor acorda. Um excelente toque. De resto, o ecrã de 12’’ é o guardião de praticamente todas as funções, sejam elas ligadas ao campo multimédia, climatização ou telefone.

O conforto é algo que a DS Automobiles quer levar muito a sério, e isso é constatado mesmo antes de arrancar. Os bancos contam com uma boa dose de apoio, podendo ser ajustados eletricamente, contando ainda com climatização e massagem. A posição de condução é digna de SUV, ou seja, mais elevada.

Os bancos traseiros, são ideais para dois passageiros, com uma generosa dose de espaço, podendo ser inclinados eletricamente. Ainda contam com saída de ventilação e controlo próprio da temperatura para a traseira, mostrando que não é só à frente que se viaja bem…

Para as bagagens, o DS7 apresenta 555L de capacidade, um valor que o situa no meio entre os seus “primos” Citroën C5 AirCross e Peugeot 3008.

Ligando o DS7 Crossback, ouvimos muito pouco do 1.6 PureTech de 225cv que “acorda” debaixo do alto capot deste SUV, que paga sempre Classe 1 nas portagens. O motor é a opção dada pela marca para quem prefere gasolina em vez de diesel. Comparando este motor com o diesel de 180cv, a diferença e de cerca de 12.000€ a menos, e se optar pela gasolina com a mesma potência do diesel, essa diferença ascende até quase 15.000€!

Portanto, vale a pena o gasolina. O que vai pagar na bomba até atingir a diferença é demasiado grande.

Para além da questão financeira, o 1.6 PureTech é bastante suave e agradável de usar, notando-se bem os seus 45cv a mais de potência, em todos os momentos. A transmissão de oito velocidades é decidida e suave, tendo mesmo a opção ‘coasting’ no modo de condução mais económico. Estes modos de condução, para além de reajustarem a resposta do motor e acelerador, assim como a transmissão, alteram também o comportamento da suspensão, já que o DS7 Crossback conta com o DS Active Scan, composto pela suspensão pilotada, que analisa constantemente a estrada e as suas condições através de uma câmara e sensores, tal como o nome indica.

Na prática, este DS “mexe-se” bem, com a transmissão a “orquestrar” tudo muito bem. O seu terreno favorito é a autoestrada, onde é fácil percorrer centenas de quilómetros com todo o conforto. Fora dela, e “atacando” umas curvas, as reações são as que podemos esperar num automóvel deste tipo, notando-se diferenças nos modos de condução. Nunca se mostrou com reações malignas, mesmo quando provocado, e a suspensão consegue fazer-nos esquecer que montamos jantes de 20 polegadas.

Quanto a consumos, é obvio que este gasolina de 225 não é tão “meiguinho” quanto o diesel de 180 (que podem ler aqui), pedindo sensivelmente mais 2L/100km, ficando com um média de 8,3l/100km no nosso ensaio, em que percorremos mais de 600km com este SUV, num percurso misto.

Portanto, e sem me alongar mais, não me lembro de nenhum outro automóvel com uma diferença tão grande entre o diesel e o gasolina. Neste DS7 Crossback, sem dúvida que vale a pena comprar este mais potente gasolina. O seu funcionamento é agradável e torna este SUV numa proposta que conjuga dinamismo e conforto. Uma proposta diferente, que foge do “cinzentismo”.


DS 7 Crossback 1.6 Puretech 225 EAT8 Grand Chic

Especificações:
Potência– 225cv às 5500rpm
Binário combinado – 300Nm às 1900rpm
Aceleração do  0-100 (oficial): 8,3s
Velocidade Máxima (oficial): 236km/h
Consumo Combinado Anunciado – 5,8L/100km
Consumo Combinado Medido – 8,3L/100km

Preços:
Gama DS7 Crossback desde: 43.017€
Versão ensaiada: 52.856€
Preço da viatura ensaiada: 50.579€


Carrega nas fotos e vê este DS 7 Crossback em detalhe:

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!