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DS 7 Crossback 2.0 BlueHDi 180

DS 7 Crossback 2.0 BlueHDi 180
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“Agora, é a valer!”

Estávamos em 2015, quando o grupo PSA decidiu ‘separar’ os automóveis DS da Citröen, criando por isso uma marca própria, a primeira marca de luxo francesa, que aponta como alvos, a médio-longo prazo, propostas como a Jaguar, Volvo ou mesmo a tríplice alemã: Audi, BMW e Mercedes. A tarefa é árdua, mas a história provou-nos que é possível. Mesmo? Sim. Através de uma marca vinda da terra do sol nascente, a Lexus, que para os mais incautos, ainda nem comemorou o seu 30º aniversário.

Projeto ambicioso? Sem dúvida…

Mas voltemos ainda a 2015, espaço para dar a minha ideia pessoal. Achei por bem a DS separar-se da Citroën, contudo, o momento não pareceu o melhor. A gama, composta por três automóveis, toda ela tinha ainda o ‘Double Chevron’, que foi perdido com o tempo, mas essa imagem “gasta” parecia querer colocar logo de joelhos as ideias românticas do recém-nascido construtor francês. Agora, a história prepara-se para mudar, porque chegou o primeiro produto 100% da marca, desenvolvido a pensar no mercado premium. O seu nome? DS 7 Crossback.

A quem se destina?

Destina-se a dois grandes núcleos de clientes, de um lado a “aposta ganha” de ser um SUV, que é largamente o segmento em maior crescimento no mundo, a juntar a praticabilidade de uma carrinha, com a capacidade e polivalência de um automóvel sobre-elevado, com a vantagem estética face aos monovolumes. Um crescimento que não parece querer abrandar. Depois, do outro lado, surge um cliente que procura a diferença, e que não quer continuar no caminho do ‘cinzentismo’ oferecido por marcas (que todos nós sabemos quais), e que se pretende destacar dos demais.

É a este cliente que o DS 7 Crossback se destina, oferecendo detalhes acima da média, assim como uma grande ênfase no conforto e na tecnologia, aliada à segurança.

O seu aspeto é claramente ‘fora da caixa’, aliando o futurismo das linhas que a marca quer adotar nos seus modelos, com a classe, seja ela dada por diversos elementos cromados ou pelos grupos óticos, que são, eles próprios, autênticas “obras de arte”. Para se ter uma noção, ao destrancar o DS7, os DS Active LED contêm uns ‘diamantes’ que rodam sobre si, criando um efeito deslumbrante para quem os vê pela primeira vez. Por sua vez, os farolins traseiros, rasgados e que dão muita da personalidade à traseira, usam o losango como padrão, forma geométrica que encontramos em muitos dos detalhes deste automóvel.

As generosas dimensões do modelo, que têm como base a plataforma modular CMP2, a mesma usada pelos seus “primos” Peugeot 3008 e Citröen C5 Aircross, fazem adivinhar um interior repleto de espaço a bordo.

Mas não é só isso…

O interior do DS7 Crossback, parece, em certos aspetos um concept car, tal foi a liberdade dada aos designers durante o desenvolvimento do novo produto, sem nunca esquecer a qualidade e cuidado com os materiais empregues.

O primeiro ponto de destaque surge no centro do tablier, onde se esconde o relógio da casa francesa BRM, e que se mostra depois de um toque no botão start, que está logo abaixo dele. Este movimento suave, que destaca um elemento analógico, acaba por ser antagónico com outros elementos, tais como as duas enormes telas, seja a do painel de instrumentos, que pode ser personalizada pelo condutor, ou pelo ecrã central, de alta resolução, que ‘guarda’ todos os elementos necessários para um maior conforto a bordo, seja a climatização, áudio, telefone ou navegação.

Ambos esses ecrãs contam com o tal padrão losango que falámos acima, passando também ele para os botões dos vidros, que se encontram ao centro, e não nas portas. Talvez uma herança vinda do DS5…

Quanto ao espaço, esse existe em grande quantidade, seja nos condutores da frente, que conta com umas confortáveis poltronas multi-contorno de ajuste elétrico, climatizadas com massagem, seja para os passageiros traseiros, que não foram deixados ao acaso.

Com um piso plano, climatização própria (quadri-zona) e encostos reguláveis eletricamente, o DS 7 Crossback, assegura que todos os passageiros viajam com uma elevada dose de conforto. A bagageira apresenta 555l de capacidade, e dessa forma, revela ser uma das mais volumosas face à sua concorrência.

Se o DS 7 Crossback pode conquistar parado, é a rolar que mais impressiona. O motor presente nesta unidade é o diesel mais potente, o 2.0 BlueHDi de 180cv (existe ainda o 1.5 BlueHDi de 130cv), aliado a uma caixa automática da Aisin, com oito relações.

Este conjunto revela-se ‘bem-nascido’, com o motor a oferecer uma resposta pronta e linear, em conjunto com uma transmissão que funciona de forma rápida e sem hesitações. Para além disso, o DS 7 Crossback estreia uma suspensão adaptativa e que pode ser regulada em vários modos. De forma a garantir sempre um bom conforto, o sistema DS Active Scan analisa a superfície da estrada à nossa frente, de forma a antecipar-se e regular a dureza do amortecimento.

Na prática, este sistema funciona quase na perfeição, com o DS 7 a oferecer o que promete, contudo, não é uma proposta dinâmica, ainda que no modo Sport consiga dar algum ar de sua graça. É uma proposta feita para rolar, e cruzar centenas de quilómetros. Quanto a isso, o motor apresenta um consumo dentro do tolerável, variando entre os 6 e os 7 litros aos cem.

Para além do que falámos acima, o equipamento não apresenta falhas nesta versão Grand Chic, que inclui vários elementos de segurança ativa, integrados no pack Advanced Safety Pack (cruise-control adaptativo, assistente de aviso ao ângulo morto, leitura de sinais, assistente de máximos, lane keep assist), vidros traseiros escurecidos, recarga sem fios para smartphones, câmaras de ajuda ao estacionamento e sistema de navegação.

Para além de tudo isso, esta unidade contava com mais de 10.000€ em opcionais, sendo a inspiração Opera do interior uma das principais responsáveis. Para além disso, destacamos o inovador sistema Night Vision, que permite ver objetos e pessoas na maior das escuridões.

No final, a fatura aproxima-se dos 65.000€. Vale a pena?

Se voltarmos acima no ensaio, haviam dois pontos. Se o cliente só fizer parte do primeiro, é possível que com um Peugeot 3008 GT, com o mesmo motor e transmissão, fique mais do que satisfeito, já que o valor final fica bem mais baixo. Mas se o segundo ponto é importante, e aquele detalhe extra, ou uma superior sensação premium valem sempre a pena, então sem dúvida que o DS7 Crossback é a escolha certa a tomar. Neste primeiro contacto com o novo DS, a opinião foi positiva, deixando aqui uma forte promessa para o que virá de futuro, numa marca que pretende um modelo novo a cada ano.


DS 7 Crossback 2.0 BlueHDi 180 EAT8 Grand Chic

Especificações:
Potência– 180cv às 3750rpm
Binário combinado – 400Nm às 2000rpm
Aceleração do  0-100 (oficial): 9,4s
Velocidade Máxima (oficial): 218km/h
Consumo Combinado Anunciado – 4,9L/100km
Consumo Combinado Medido – 6,5L/100km

Preços:
Gama DS7 Crossback desde: 41.608€
Versão ensaiada: 57.258€
Preço da viatura ensaiada: 63.908€


Carrega nas fotos e vê este DS 7 Crossback em detalhe:

 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!