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Teste ao Škoda Octavia RS, um desportivo que pede pouco em troca

Teste ao Škoda Octavia RS, um desportivo que pede pouco em troca
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“Sem Chumbo nem Kilowatts”

 

O título diz muito, já que este Škoda Octavia RS em ensaio começa a ser uma proposta rara no nosso mercado, mesmo que conte com variante iV (plug-in). Esta unidade, que passou uns dias connosco, conta “apenas” com um motor 2.0 TSI de 245cv, sem eletrificação. É apenas colocar gasolina e desfrutar. Um verdadeiro desportivo, que se não fosse a sua cor mais chamativa, passaria como um cordeiro.

É verdade, a gama Octavia é uma das mais vastas do nosso mercado, já que conta com dois estilos de carroçaria (Hatchback de três volumes e break), bem como motores a gasolina, híbridos plug-in ou diesel, algo que esta versão RS também conta. Para além disso, contamos ainda com a versão Scout (que já testámos), uma carrinha com tração integral que não se nega a ir por maus caminhos.

Portanto, desta vez, conhecemos o Octavia mais radical de todos, o RS com motor a gasolina, uma verdadeira gema num mercado cada vez mais limitado em termos de escolhas.

Esteticamente, as versões RS do Octavia são fáceis de reconhecer, ainda que não caiam no erro de serem demasiado extremistas, contando com uma sobriedade que também é transversal para esta versão mais emocional. Portanto, contamos com para-choques com outro desenho e entradas de maiores dimensões, jantes que podem ter 18’’ polegadas (ou 19’’ como estas opcionais), que escondem um sistema de travagem melhorado com as pinças pintadas a vermelho. Os frisos cromados também desaparecem, em troca de um “mais cool” preto brilhante, enquanto na traseira as ponteiras de escape quadrangulares (verdadeiras) destacam-se entre a tira refletora, imagem de marca desta versão desde a anterior geração.

A elegância continua patente nesta versão Hatchback de três volumes, podendo este Octavia RS ser escolhido também em formato break. A altura ao solo é reduzida em 15mm, face às outras versões mais convencionais do familiar da marca.



Se por fora sentimos a diferença do Octavia RS, o interior segue o mesmo caminho, com mais detalhes mais “desportivos”. Alcantara é a palavra de ordem, já que reveste grande parte do tablier, na zona destinada à faixa decorativa, com um acabamento inspirado na fibra de carbono a estar junto a este tecido, ajudando a criar uma atmosfera mais “racing”.

Essa sensação é vista (e sentida) graças às bacquets muito bem desenhadas, presentes neste RS. Com um bom apoio lateral, contam – por serem bacquets – com os encostos de cabeça fixos. Melhoram o ambiente interior, sem roubar espaço aos passageiros traseiros. O volante, com um revestimento em pele perfurada, conta com uma boa dimensão, com uma posição de condução correta, seja para viajar, ou conduzir de forma mais afincada.

Os pedais desportivos e os temas da instrumentação terminam o “ramalhete” RS no interior deste Škoda, que parece ganhar pontos positivos para quem procura desportividade, sem exageros.

Mas mesmo que conte com essa desportividade extra, este Škoda continua a ser um Octavia, ou seja, contamos com as comodidades típicas do modelo da marca, seja em ergonomia e facilidade de utilização, seja em espaço a bordo, ótimo para cinco passageiros, com uma bagageira maior do que alguns quartos para arrendar no centro de Lisboa, com 600L de capacidade, próximo do valor oferecido pela Break, com 640L.



Passando para a condução, é ligando o Škoda Octavia RS que vem a maior crítica a este modelo, o som sintetizado. Mas, seguido desta crítica, vem uma salva de palmas para os senhores e senhoras da Škoda que sabem que existem condutores como eu que não gostam destes sons. Então, colocando no modo Individual, podemos escolher vários pontos à nossa maneira, entre eles desligar esse som sintetizado e usufruir do som deste bloco E888 que, embora não seja muito audível, consegue ser mais natural.

Passando esse ponto, os primeiros quilómetros são feitos de forma mais calma, notando que este Octavia RS pode ser bem uma escolha para o dia-a-dia. Nota-se uma firmeza extra, uma direção um pouco mais pesada, mas isso são pontos fortes que nos darão confiança mais para a frente, nunca se pode dizer que seja desconfortável.

Duzentos e quarenta e cinco cavalos, esta é a potência que aqui temos. Com um peso de 1526kg, o Octavia RS consegue acelerar dos 0 aos 100km/h em 6,7s, um bom valor para um automóvel que quer oferecer emoções fortes sem termos constantemente de pagar demasiado por isso. O que quero dizer com isto?

Quero dizer que se forem a uma estrada de montanha, conseguem aproveitar este modelo que apresenta uma boa agilidade e capacidade de saída de curva, com um diferencial eletrónico que para um andamento “medio-alto” está bem à altura. A transmissão DSG em modo S (Sport) “estica” mais cada relação, com a possibilidade de utilizar as patilhas para uma experiência mais imersiva. No entanto, é melhor deixá-la fazer o seu trabalho, que faz muito bem.

Este modelo brinda-nos com um excelente amortecimento e reações incisivas, graças a uma direção direta. Mas, depois disso, não somos “castigados” por uma suspensão que quis bater recordes em Nürburgring, nem consumos proibitivos. Aliás, neste ensaio, “fora de brincadeiras”, o consumo passou muito ligeiramente dos 8 litros a cada cem quilómetros, para um automóvel com 245cv, sem ajudas eletrificadas. E isso torna o Octavia RS num “sleeper” e um perfeito “all-rounder”. Ou seja, é um desportivo que não dá nas vistas e um desportivo que não nos faz fazer escolher. Podemos ter o melhor de dois mundos, o do conforto de um familiar e o de um desportivo em que podemos levar companhia.

O preço perto dos 50 mil euros pode ser um entrave para alguns, mas a verdade é que este é um automóvel muito completo e que, se não tivermos complexos (errados) com o logo que está no capot, é um dos automóveis desportivos mais inteligentes que podemos comprar, isto se precisarem de espaço extra para tudo o resto que a vossa vida tem.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!