Início Ensaios Um teste “longe das condições ideais” ao Abarth 695 essesse

Um teste “longe das condições ideais” ao Abarth 695 essesse

Um teste “longe das condições ideais” ao Abarth 695 essesse
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“Não foi bem como tinha idealizado”

 

Os ensaios que aqui vos apresento são agendados com alguma antecedência, portanto, quando me apercebi que no mesmo dia em que tinha de fazer um tratamento médico algo intrusivo e o automóvel que tinha em ensaio nessa altura era o Abarth 695 essesse, fiquei um pouco triste…

Mas, como diz uma certa banda britânica: “The Show Must Go On”, mesmo que o meu pé direito não estivesse nas melhores condições para isso. Bem, na verdade, conduzi este Abarth ainda “sem mazelas” durante uns quarenta quilómetros, em autoestrada, com muita chuva.

Ou seja, longe das condições ideais.

Assim, seguimos na senda dos ensaios a pequenos desportivos, longe do que estão à espera. Se não entenderam, leiam este ensaio. Vamos então ver, principalmente de forma estática, este Abarth 695 essesse.

Esta é uma edição especial (mais uma) do pequeno desportivo italiano, uma comemoração do original modelo com o mesmo nome, lançado em 1964, na altura limitado a 1000 unidades, com esta edição de 2022 a ter algumas unidades extra, 1390.

Esteticamente, este Abarth 695 essesse conta com diversos pontos exclusivos que o tornam ainda mais especial. Para começar, na dianteira contamos com um novo capot em alumínio, com uma dupla curvatura, que os mais atentos podem relembrar do “mítico” 695 Biposto, este é 25% mais leve que o capot convencional. Depois, encontramos as jantes em branco, que mesmo não sendo exclusivas, merecem destaque neste Abarth que só pode ser escolhido em duas cores: Preto Scorpione ou este Cinzento Campovolo (que, digo-vos, lhe fica muito bem), ambos com elementos em branco, como as capas de espelho ou os stickers laterais.



Voltando para elementos exclusivos, passamos para a secção traseira, onde encontramos o sistema de escape Akrapovic, bem como o principal motivo de destaque neste exterior, o generoso spoiler “ad Assetto Variabile”, que pode ser ajustado para mais ou menos resistência aerodinâmica, dos 60º aos 0º graus, podendo, na posição mais elevada, garantir um aumento de 42kg de carga aerodinâmica quando circulamos a 200km/h.

Abrindo a porta, encontramos, no pequeno habitáculo, umas bacquets Sabelt Racing, semelhante a outras que já temos visto, mas que nesta edição contam com a estrutura em branco, o que faz contraste com os pespontos e cinto de segurança em vermelho, contando ainda com a inscrição “One of 695”, ou seja, perfaz as 1390 unidades, metade brancas, metade pretas.

Mas as novidades no interior não ficam por aqui. Contamos ainda com o punho e pedais em fibra de carbono, para além do tablier revestido a Alcantara, com o logo “695 essesse” impresso, assim como uma chapa comemorativa na consola central, para que nunca nos esqueçamos que estamos num Abarth (ainda) mais especial. Nem mesmo a chapeleira passou incólume nesta edição, com a inscrição essesse a estar presente.

Bem, rodando a chave na ignição – sim, aqui não há botão Start – ouvimos o som do 1.4 T-jet, que fica (bem) mais audível quando usamos o modo Sport, que também altera o grafismo do painel de instrumentos, assim como “enrijece” a direção.

Aqui, o motor está também presente na sua intensidade mais picante (se esquecermos o Biposto), com 180cv e 250Nm de binário. A transmissão continua a ser a mesma, de cinco velocidades, que mesmo que saibamos que não é a mais precisa para um desportivo, faz parte do pacote divertido que é este Abarth. Na ficha técnica, contamos com um tempo de aceleração dos 0 aos 100km/h de 7 segundos e uma velocidade máxima de 225km/h.

Dessa forma, passamos à condução… com algumas limitações.

O pé direito teimou, nos primeiros dois dias, em uma imobilização completa, mas deixou-me provar este italiano uma vez mais, mais por teimosia da minha parte, e que, mesmo condicionado, não deixa de ser uma proposta emocionante.

 – “Faz-me falta o cruise-control, e é muito rijo!”

Coisas que dizemos quando estamos neste estado, mas que quando estamos num estado “normal”, nem nos importamos num automóvel como este. Mas a verdade é que o cruise-control me fez falta nos quilómetros em que tinha de manter o pé imobilizado muito tempo, assim como a suspensão (fantástica) Koni FSD, mas que fazia estremecer demais em mau piso.



No último dia – é sempre assim – finalmente as melhoras começaram a surgir e consegui testar este Abarth de uma maneira mais “digna”. Assim, o cruise-control inexistente já não fazia saudades e a suspensão que me “chocalhava” é essencial para manter o melhor contacto com o asfalto.

Fator ainda mais importante no local onde este 695 essesse mais faz diferença, nas curvas, principalmente por contar com um diferencial autoblocante mecânico, opcional que vale cada cêntimo dos seus 2.050€. Faz ter um “grip” extra, permitindo sair mais rápido das curvas, preferencialmente entre as 3000 e as 4000rpm, altura em que este Abarth melhor “respira” e está mais “cheio”. É uma repetição que podíamos fazer vezes e vezes sem conta, a não ser que as dores voltem.

Dessa forma, este “coxo” segue viagem para entregar o Abarth de volta à sua “casa” e agradece o facto de contar com alguns elementos de conforto, como é o caso do ar condicionado automático e um sistema multimédia que conta com sistemas de integração do smartphone (Apple CarPlay) que permite ouvir as músicas e podcasts preferidos.

No final deste ensaio podia ter sentido melhor a “picada do escorpião”, mas a “picada de uma agulha” não me deixou sentir bem a primeira. Este Abarth 695 essesse, mesmo não tendo sido experimentado na sua plenitude, entra nos meus preferidos de sempre, só suplantado pelo Biposto que falei acima, ficando em igualdade com o Rivale. O preço de 43.152€ demonstra bem a exclusividade deste essesse para colecionador.

Agora, vamos ter de esperar para ver se ainda volto a provar esta deliciosa receita italiana, de forma a despedir-me de uma melhor maneira deste desportivo, antes da chegada da sua versão 100% elétrica.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!