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Teste Completo: Novo Renault Clio R.S. Line TCe 130

Teste Completo: Novo Renault Clio R.S. Line TCe 130
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“Objetivo Vincado”

 

O Segmento B está a regressar aos seus tempos “áureos”, e sinal disso são os mais de 20% de quota do total do mercado de automóveis de passageiros vendidos na Europa, ou pelos seis modelos deste segmento (incluindo os crossovers) que estão presentes no Top-10 nacional.

Destacado no primeiro lugar deste top está o Clio IV, geração que o novo Clio V tem a exigente tarefa de substituir. Este modelo foi originalmente lançado em 1990 pela Renault, tendo sido por duas vezes automóvel europeu do ano (1991 e 2006) e dono de uma carreira comercial de sucesso, com mais de 15 milhões de unidades vendidas.

 

Exterior

Num primeiro olhar, esta geração parece ser “apenas” um restyling mais alargado, uma espécie de “Clio quatro e meio”. Mas não. Efetivamente o Renault Clio V é totalmente novo, com todos os painéis diferentes, assim como a nova plataforma onde assenta. Denominada de CMF-B, é 85% diferente da usada pelo Clio IV, substituindo de uma assentada 3 diferentes plataformas, sendo também muito modulável estando adaptada a automóveis elétricos e crossovers, como é o caso dos futuros ZOE e Captur, que também serão alicerçados nesta plataforma.

A Renault optou então por uma evolução em vez de revolução. O que é compreensível, seja devido ao sucesso de que o modelo tem sido alvo, seja pelas suas vendas não terem mostrado abrandamentos de maior. Aliás, 2018 foi o melhor ano do modelo no que toca a vendas. Há uma outra marca alemã que tem uma grande dificuldade em fazer isso, num determinado modelo, que começa em Go e acaba em lf…

Ainda assim, ao vivo e olhando com mais detalhe, é possível constatar que o modelo conta com linhas e superfícies mais vincadas e esculpidas, assim como novos grupos óticos. A dianteira está mais semelhante ao Megane graças à sua iluminação em C, completamente LED, e à grelha mais ampla e elevada. A lateral é talvez a zona mais difícil de distinguir as diferenças, mas onde também confirmamos que tudo mudou, e nem mesmo os puxadores ou os espelhos transitaram da geração que se prepara agora para substituir.

A dimensão pouco mudou em altura (-0,8cm) ou comprimento (-1,6cm), contudo, a largura foi incrementada em 6,7cm, e isso é mais visível na secção traseira, graças aos generosos “ombros” que apareceram na geração anterior. O desenho conta com um estilo mais moderno, sendo mais inclinado comparado com a anterior geração, numa secção que recebe novos farolins em LED com desenho também 100% novo.

A nossa unidade, por ser a R.S. Line (que passa a substituir a GT Line), conta com detalhes desportivos específicos, como é o caso das jantes de 17’’, e para-choques exclusivos. Já a cor Laranja Valencia é novidade, e está presente em todas as outras versões.

 

Interior

A revolução é aqui! O Renault Clio dá um “salto de gigante” face à geração precedente, com um desenho completamente novo, mas mais importante que isso, um maior cuidado na escolha dos materiais e na sua montagem. As superfícies do topo, e até do meio do tablier, contam com um tato mais macio, e isso também é palpável nas portas dianteiras. Os bancos também contam com novo desenho, são mais confortáveis e fazem proveito da maior largura do habitáculo para isso.

A posição de condução também foi melhorada, com o volante a não estar em posição tão inclinada como anteriormente, o que melhora a experiência de condução. O painel de instrumentos é digital e personalizável ao gosto do condutor (em 4 temas), mas a “joia da coroa” é mesmo o ecrã central de 9,3’’ em posição vertical (em opção por 500€, de série um de 7’’), que conta com um novo software, mais fácil de utilizar e facilmente personalizável. Nesse ecrã é possível ter acesso ao sistema multimédia, navegação ou definições do veículo, assim como os sistemas Apple CarPlay e Android Auto.

Só gostaria que tivesse um regulador de volume “físico”, em vez do tátil como a marca optou…

Os controlos da climatização não seguiram esse caminho, não estando aí presentes, mas sim em três comandos rotativos próprios logo acima da zona de arrumação em frente ao punho da transmissão, que também contava com sistema de carregamento de smartphones por indução (contando ainda com duas portas USB).

Os espaços de arrumação aumentaram nesta nova geração do Clio, com o porta-luvas a ser de maiores dimensões, assim como as bolsas das portas mais generosas. Contudo, de série, o travão de mão é tradicional, e só com o opcional Conforto Plus (600€) se consegue um apoio de braço com arrumação, com o “bónus” de passar a contar com o banco do passageiro regulável em altura e retrovisor interior electrocromático, assim como obviamente o travão de estacionamento assistido com auto-hold. Aconselhamos vivamente.

Passando para os lugares traseiros, não é notória muita evolução neste campo, onde para se ir mais confortável é ideal irem apenas dois passageiros. Em largura notam-se melhorias, as pernas recebem também ligeiramente mais espaço graças aos bancos dianteiros, mas em altura, pouca diferença. Basicamente, o mesmo que o anterior modelo. Não é uma referência, mas também não chega a poder ser apelidado de apertado.

Contudo, a bagageira foi a grande beneficiada, sendo agora a referência do segmento, apresentando 391L de capacidade (nos modelos a gasolina), ainda que o seu acesso seja algo elevado e o piso fundo. O rebatimento pode ser feito na proporção 60:40, e consegue albergar objetos com até 1,46m de comprimento.

Tal como no exterior, a linha R.S. Line também faz o seu apontamento no interior, com esta versão a contar com aplicações inspiradas na fibra de carbono, um volante mais espesso e em pele perfurada, assim como pespontos vermelhos e brancos, pedais em alumínio e bancos com superior apoio lateral.

 

Condução

Graças ao seu novo chassis, o Renault Clio oferece uma condução mais perto da que encontramos no Mégane, ou seja, mais plantado ao chão e com um pisar superior, absorvendo também melhor as irregularidades do piso, ainda que, com estas jantes de 17’’ opcionais, fique um pouco mais rijo. A direção está mais direta e fácil de entender o que se passa com as rodas dianteiras, apresentando uma boa entrada em curva, com a traseira a seguir bem o que mandamos, ainda que “solte” um pouco em andamentos mais “vivos”, algo que nunca chega a ser inseguro, mas que torna a experiência mais divertida.

O motor presente é o mais potente da gama (por enquanto), o TCe de 130cv, que tem por base um motor 1.333cc com arquitetura de 4 cilindros, ao contrário dos motores a gasolina de acesso, que contam com apenas 3. Este motor revelou-se bastante elástico, conseguindo até oferecer boas prestações graças ao peso baixo do conjunto (1158kg).

Este motor está disponível em exclusivo com a transmissão EDC de 7 relações, que conta com patilhas de seleção montadas atrás do volante. Mostrou-se competente e suave em andamentos normais; se o ritmo aumentar, acaba por “esticar” um pouco demais cada mudança, mas aí basta um toque na patilha e “vai tudo ao lugar”. Uma boa opção que melhora a vida em cidade, não tira emoção na condução, e não prejudica os consumos, já que este ensaio terminou com uma média de 6,3l/100km, numa condução absolutamente normal, sem cuidados de maior, e numa unidade ainda com poucos quilómetros.

Aqui, quisemos ainda testar uma outra coisa, a travagem. Isto porque a Renault optou por colocar tambores no eixo traseiro, em vez dos discos. Algo que já não é muito utilizado na indústria mas, ao ser usado, faria mais sentido em motorizações ou versões mais baixas, e não neste R.S. Line com 130cv, algo que transitou do anterior Clio GT, que na altura contava com menos 10cv que este.

Quando explorados não se mostraram incapazes de travar de forma segura o compacto francês, mais uma vez graças ao baixo peso. Contudo, esse elemento pode afastar alguns clientes… era evitável.

Ainda no campo da segurança, o Clio conta com elementos como alerta de ângulo morto, sistemas de máximos automáticos, manutenção ativa de via e de leitura de sinais de velocidade. Para além disso conta ainda com travagem automática de emergência, cruise-control adaptativo e ajudas ao estacionamento, graças aos sensores, câmara 360º ou mesmo estacionamento automático. Obviamente, alguns deles em pack ou opção. Para isso, nada melhor do que dar um salto até ao configurador.

 

Conclusão

O Renault Clio mostrou que a “tal evolução” fez sentido. No exterior, um olhar mais atento nota as diferenças, num modelo que está pronto para ter mais uns anos sem ficar envelhecido (algo que as vendas mostraram na anterior geração). Para isso, a marca despendeu todos os seus esforços a criar um melhor interior, algo que era o calcanhar de Aquiles da anterior geração. A gama de motores é completa, e este R.S. Line abre o apetite para o que aí virá, para além de uma versão mais “amiga do ambiente”, denominada E-Tech e que promete uma poupança de 40% em trajetos urbanos.

Os 26.850€ da unidade ensaiada podem parecer exagerados para um automóvel de segmento B, mas a proximidade ao Mégane, e a lista de equipamentos completa, podem justificar isso. De qualquer maneira, a gama começa abaixo dos 18 mil euros, já com 100cv…

O objetivo? Está bem vincado. “Continuar com a liderança”. Para isso, vamos ter de esperar para ver como o Clio se irá bater contra os seus novos rivais, que preparam a sua chegada.

 


Renault Clio V R.S. Line TCe 130 EDC

Especificações:
Potência – 130cv às 5000rpm
Binário – 240Nm às 1600rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 9,0s
Velocidade Máxima (oficial): 200km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 5,7l/100km (6,4l/100km)

Preços:
Novo Renault Clio V desde: 17.790€
Preço da unidade ensaiada: 26.850€


Clique nas fotos, e veja em maior detalhe o novo utilitário da Renault: 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!