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Teste Completo: Peugeot 208 GT Line PureTech 130 EAT8

Teste Completo: Peugeot 208 GT Line PureTech 130 EAT8
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“De dentes e garras afiadas!”

É inegável que a Peugeot está a passar por uma boa fase. Depois de alguns anos em que esteve “perdida”, a marca está agora com uma gama bastante completa e revigorada (que promete não ficar por aqui), onde conseguiu “encontrar” a sua fórmula de sucesso.

Esse sucesso pode ser devido a duas fases, uma com o lançamento do 3008 II, onde a filosofia de design exterior conseguiu atingir diretamente a emoção dos clientes; e uma outra fase, que começou uns anos antes, e que revolucionou completamente o interior dos modelos da marca desde então. Falo do i-Cockpit, que foi inaugurado precisamente pelo 208, modelo que conta agora com uma totalmente nova geração, e que quer, novamente, “partir a loiça toda”!

 

Exterior

A Peugeot tem a clara noção de que este segmento é essencial, representando uma enorme fatia das vendas globais. Por isso, não quis facilitar naquela que é a primeira sensação que um (potencial) cliente pode ter, a estética exterior.

Sendo assim, usou todos os truques que tinha na manga e criou um novo automóvel que usa uma mescla de detalhes e “expressões” usadas nos últimos modelos lançados pela marca do leão, e que querem tornar este Peugeot 208 no mais revolucionário do seu segmento.

É um claro corte face ao “redondinho” Peugeot 208 que agora se despede. Todo o conjunto tem uma imagem mais robusta, fator evidenciado pelo capot que está mais longo e definido no conjunto. A dianteira conta com uma grelha dianteira de maiores dimensões, e expressa-se com os grupos óticos que usam tanto as “garras” como os “dentes” de leão para se mostrar na estrada, criando uma imagem semelhante à do Peugeot 508.

A lateral conta com uma linha de cintura também muito bem definida, num automóvel que só estará disponível na variante de cinco portas. Nesta versão, os destaques passam pelos “alargadores” em preto, que podem não agradar a todos, mas que nos possibilitam ter as elegantes jantes de 17’’, que só estão disponíveis neste nível de equipamento, e que ajudam a dar a este modelo uma imagem mais upmarket.

Como nas outras áreas, também a traseira contou com um estilo completamente novo, mas fortemente inspirado nos “colegas de turma”, como é o caso da faixa escura que inclui os grupos óticos LED. A novidade passa também pela chapa de matrícula, que encontra agora o seu lugar no para-choques, o que lhe dá uma superfície mais clean, e até conceptual, quando visto deste ângulo.

Mas não é só à vista, já que o “totalmente novo” também se refere ao chassis, que usa a nova plataforma CMP que está preparada para variantes tanto a combustão como eletrificadas, com que este Peugeot 208 conta, chamado de “e-208” e que contamos trazer em breve.

 

Interior

“É aqui que a magia acontece”. É o que o novo Peugeot 208 podia dizer (se falasse) quando abrimos as suas portas e acedemos ao seu interior futurista. Isto porque a marca optou por evoluir ainda mais o seu (muito amado) i-Cockpit, e conferir agora um painel de instrumentos que mais parece ter saído de um filme de ficção, por contar com um efeito “flutuante” em 3D. Muito completo e que merece destaque neste interior.

Mas não só.

Nesta versão GT Line também contamos com uns bancos que dão uma boa dose de apoios e amplas regulações (as mesmas para condutor e passageiro), assim como elementos de maior detalhe, como a iluminação ambiente que pode ser personalizada a gosto, os pespontos em contraste, ou o forro do tejadilho em preto.

Para além disso, e em qualquer versão, o Peugeot 208 conta com comandos de atalho estilo “teclas de piano”, que ajudam muito a navegar pelo sistema multimédia que é verdadeiramente o centro de controlo de tudo neste interior. Abaixo, uma novidade, um pequeno espaço de arrumação (que pode contar com carregamento de smartphone por indução), que quando aberto, serve como suporte ao nosso telefone (ver foto na galeria). Apenas dispensávamos tanto acabamento em preto piano, que vai acabar por ficar “preto escovado” ao longo dos anos de utilização…

De opcionais, contávamos com o ecrã de 10,25’’ que acrescenta pontos em termos estéticos e tecnológicos para além do teto panorâmico que também pede um “certo” na caixinha dos opcionais, e que por 1000€ aumenta a luminosidade a bordo.

Pois bem, essa luminosidade até pode ser algo interessante. Isto porque o Peugeot 208, ainda que seja muito moderno e agradável de estar, não se pode dizer que seja a proposta mais espaçosa do seu segmento (mesmo que as dimensões externas tenham crescido ligeiramente). Ou seja, atrás cabem sem problemas dois passageiros, sendo que o menos prático é a entrada, algo estreita. Ainda assim, existem duas fichas USB para que ninguém deixe de ficar conectado ao mundo exterior.

Quanto à bagageira, também não é exemplo, mas cresceu face à anterior geração, contando agora com 311L de capacidade.

 

Condução

Bem sentados, isso é certo que estamos. O Peugeot 208 parece que nos permite sentar agora mais baixos, não tão “monovolume” como em outros tempos, e isso é ótimo. Na posição certa, partimos à aventura de descobrir como se porta o jovem leão que tem de defender a pesada herança da série “200”.

Para o descobrir, calhou-nos aquele que é o motor a combustão mais apetecível, o PureTech 130, um bloco tricilíndrico 1.2 com 130cv, e que é, por enquanto (nos motores a combustão), o Peugeot 208 mais potente que podemos comprar. Este motor só pode ser escolhido exclusivamente com a transmissão automática de 8 relações que já conhecemos de outras propostas da gama, e que é uma estreia no segmento B.

A primeira impressão que se tem, e que se prolonga durante todo o ensaio, é que o Peugeot 208 parece estar mais “crescido”, com um pisar decidido e composto, mais sério e de segmento superior. As suas reações são todas muito fáceis de prever, contando para isso com um acerto de suspensão correto, ainda que um pouco mais “seco” que na geração anterior. Contudo, nada de exagerado, continua a ser francês!

Mas o que mais impressiona é a aderência em curva, a capacidade de entrada sem se “queixar” de faltas de aderência, o que nos faz repensar bem nos limites deste novo Peugeot 208, tal é o seu equilíbrio.

O motor PureTech de 130cv consegue “disfarçar” muito bem a sua sonoridade, e conta com a preciosa ajuda da transmissão automática que é uma excelente aliada e que faz com que este 208 esteja sempre no seu regime ideal. Para além disso, conta com 3 modos de condução (Eco, Normal e Sport) e ainda com patilhas de seleção fixas na coluna de direção.

As prestações conseguem ser ligeiramente desportivas, ainda que não seja essa a sua meta. Digo isto porque os 100km/h chegam 8,7s depois do arranque, e a velocidade máxima ascende os 200km/h, conseguido devido ao baixo peso de apenas 1240kg. Esse baixo peso também é responsável por um consumo comedido, que num ciclo misto se ficou pelos 6,7L/100km, durante um tempo muito chuvoso, o que não ajuda, e uma quilometragem ainda baixa, que com o tempo irá melhorar esse valor.

 

Conclusão

O Peugeot 208 “II” é uma verdadeira jogada por parte da Peugeot, que optou por revolucionar em vez de evoluir. Isso poderá ser decisivo para a continuação do dérbi que dura há muitos anos, quase como um “Sporting-Benfica” ali da segunda circular.” A Peugeot optou por uma gama completa, onde oferece gasolina, diesel e elétrico, assim como uma vasta oferta de tecnologias de apoio ao condutor e um comportamento dinâmico mais neutro, mas muito mais eficaz que anteriormente. O espaço a bordo é talvez a sua maior lacuna, contudo, a Peugeot oferecerá o 2008 já em janeiro para quem procura mais espaço, mas não quer perder a componente high-tech.

O preço pedido de 26.549€ parece ser elevado, mas é necessário lembrar de todo o equipamento à disposição, assim como um “encarecimento” geral do mercado. De qualquer maneira, a gama começa nos 15.200€. O certo é que o Peugeot 208 conseguiu causar “ondas” com a sua chegada, e só por isso mostra que vai seguir as pisadas dos seus antecessores.


Peugeot 208 GT Line PureTech 130 EAT8

Especificações:
Potência – 130cv às 5500rpm
Binário – 230Nm às 1750rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 8,7s
Velocidade Máxima (oficial): 208km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 5,7l/100km (6,7l/100km)

Preços:
Novo Peugeot 208 desde: 15.200€
Preço da unidade ensaiada: 26.549€


Clique nas fotos, e veja em maior detalhe o novo utilitário da Peugeot: 


Conhece o “tal” rival aqui: 

Teste Completo: Novo Renault Clio R.S. Line TCe 130

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!