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Teste Completo: Novo Renault Captur Exclusive TCe 130 EDC

Teste Completo: Novo Renault Captur Exclusive TCe 130 EDC
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“Maturidade alcançada” 

 

Em 2013, inicia-se a carreira do Renault Captur, e longe estaríamos de saber que aquele modelo “cheio de cor” seria dono de um sucesso tão grande quanto foi.  Na verdade, nem a própria Renault previa isso, ainda mais olhando para o que este crossover urbano conseguiu atingir. Na sua primeira geração foram vendidas mais de 1,5 milhões de unidades, o que o tornou no best-seller do seu segmento.

Em 2019, foi altura de apresentar o Captur II, e de começar tudo de uma forma inteiramente nova. Iniciando desde logo pela base, ou seja, pela plataforma CMF-B, a mesma utilizada pelo Clio (cujo ensaio pode ser lido aqui) e que lhe garante, para além de maior espaço e rigidez, a capacidade de contar com mais assistências à condução, assim como as já confirmadas variantes electrificadas.

Exterior

No capítulo estético as alterações do Renault Captur são mais notórias do que no seu irmão Clio, mesmo que continue num estilo mais evolutivo do que revolucionário, o que é, mais uma vez, compreensível, já que mexer numa equipa que vence, não é de todo inteligente. Mas é fácil diferenciar este novo Renault Captur.

Maior no seu comprimento em 11cm, o Renault Captur parece agora mais robusto no geral, parece “inchado”, numa espécie de versão SUV do Clio, mas que também parece mais integrada na gama. Na dianteira, as linhas estão mais angulosas, vindas do capot que dão origem a uma grelha de maiores dimensões, onde os faróis com assinatura em “C”, já típicos da marca, se destacam para além da sua forma, por oferecerem a tecnologia Full LED em toda a gama. O para-choques também recebe novas tomadas de ar, que lhe dá uma aparência mais atlética.

Mas a sua aparência de SUV é garantida muito nesse local, nos para-choques, tanto no dianteiro como traseiro, por plásticos decorativos em cinzento que lhe garantem uma falsa capacidade de evasão. A lateral “não engana”, mesmo que lá passássemos um algodão, já que o suave vinco ascendente nas portas nos diz: “sim, sou mesmo um Captur”.

As jantes de 18’’ preenchem muito bem as cavas das rodas, mesmo sendo opcionais por 500€ nesta versão Exclusive. O teto branco, em contraste com a pintura azul, prova que o Captur não perdeu a sua “veia artística” permitindo ao cliente personalizar este pequeno crossover a seu gosto, que entre cores exteriores, packs estéticos e jantes, totalizam quase uma centena de combinações possíveis.

A traseira foi a secção que mais se transformou face ao modelo original, com uma superfície vidrada mais estreita, que em conjunto com os farolins LED, também em C, conseguem criar uma maior sensação de largura, mais do que as próprias medições exteriores apresentam, de 19mm.



Interior

“Que diferença, meus senhores!”

Tal como no exterior, aconteceu o mesmo que no Clio, o Captur conta com um “extreme makeover” no seu interior. Na geração passada, o interior era o ponto que mais críticas recebia, devido a uma escolha de materiais algo pobre e uma qualidade de montagem que estava longe de ser ideal. Agora, tudo mudou.

A Renault fez o “trabalho de casa” e criou um habitáculo bem mais cuidado, quer à vista com um melhor arranjo dos instrumentos, quer ao toque, com uma qualidade de materiais bem mais agradável. Essas superfícies suaves são encontradas na parte superior do habitáculo, assim como nas portas dianteiras. Houve um maior cuidado na harmonia dos materiais e isso foi conseguido com bom gosto. Para além disso, essa maior qualidade também é conseguida com um design mais moderno e tecnologia à altura, como é o caso do novo painel de instrumentos que é parcialmente digital e configurável, assim como pelo sistema multimédia totalmente revisto (igual ao do Clio), que pode assumir as 9,2’’, como tínhamos nesta unidade.

Felizmente, a marca optou por acessos independentes à climatização, e ainda que tenham sido vistos pela primeira vez no Dacia Duster, cumprem a sua função de forma exemplar. Contudo, voltaram a não colocar um controlo físico para o volume. Destaque para os revistos bancos dianteiros, que asseguram um bom conforto e apoio ao condutor e passageiro. Nota positiva nesse campo.

Sendo um Renault Captur, é importante falar do que se passa “por detrás dos bancos dianteiros”. O espaço para as pernas cresceu muito ligeiramente, a diferença mais notória acontece no espaço para os ombros, onde agora se consegue viajar de forma mais confortável. Destaque ainda para as saídas de ventilação dedicadas e duas entradas USB, que permitem que os tablet e smartphones nunca fiquem sem “alimentação”. A bagageira continua a ser modulável, graças ao ajuste longitudinal do banco traseiro (até 16cm), podendo variar entre os 422 e os 536L de capacidade.

Quanto ao equipamento, é generoso, mas necessita de alguns opcionais para ficar ideal, como é o caso dos Renault Easy Link de 9,3’’ (600€), o Renault Multi-Sense (200€), e pormenores como o assistente de ângulo morto ou o espelho interior electrocromático. Mas existem muitos mais opcionais, incluindo até cruise-control adaptativo com correção ativa de via, como esta unidade contava.



Condução

Para este primeiro contacto com o pequeno SUV francês, contámos com o motor a gasolina intermédio, o 1.3 TCe de 130cv, que se destaca por ser quatro cilindros, ao contrário de muitos dos seus concorrentes, que optam por uma arquitetura tricilíndrica. Este motor chega perfeitamente para o que um cliente Captur necessitará, graças a uma boa disponibilidade a baixo regime, com os 270Nm de binário a estarem disponíveis logo às 1600rpm.

A gerir tudo isto estava a transmissão EDC de dupla embraiagem com 7 relações, que pareceu uma boa opção para uma utilização mais polivalente, sendo rápida nas suas passagens. É um incremento de 1500€ que pode fazer todo o sentido.

Na parte dinâmica, o Captur também evoluiu, estando agora mais confortável, menos “saltitão” no eixo traseiro e mais “crescido” quando circula em autoestrada, algo que também é notório graças ao bom trabalho feito na insonorização. A direção mostrou-se também totalmente revista, comparando com a geração passada, estando agora mais linear e suave, ainda que o feeling não seja o que foi procurado nesta solução, mas sim um maior conforto de utilização.

Mais uma vez, a Renault optou por colocar, tal como no Clio, tambores no eixo traseiro em vez de discos. Na prática não foram notadas diferenças, contudo, quem viu o novo Captur destacou sempre esse ponto.

Em termos de consumos, este TCe de 130cv juntamente com a transmissão EDC mostrou-se um conjunto poupado, tendo, em ciclo misto, conseguido uma média de 6,6L/100km, praticamente o mesmo conseguido pelo seu irmão Clio, equipado com este mesmo conjunto. Em termos de preço, esta unidade custava, repleta de opcionais, 29.748€. Se isso for demasiado, saiba que a gama começa nos 19.990€ se equipado com o motor TCe de 100cv (1.0 Turbo de 3 cilindros) na versão ZEN.



Conclusão

Esta é uma conclusão fácil. O Captur evoluiu por fora mais do que o seu irmão Clio, onde está mais robusto e dinâmico. O interior foi o ponto que mais necessitava de mudança, e a Renault fez por criar uma atmosfera agradável e de melhor qualidade, onde o amplo espaço interior continua presente, vindo da geração anterior. Bem mais tecnológico, conta com uma gama de motores que vai ao encontro dos seus principais rivais, num automóvel mais “crescido” e polivalente. O preço desta unidade é cerca de 3000€ mais elevado do que um Clio equivalente, o que para muitos poderá ser justificado pelo maior espaço, seja para as bagagens ou para passageiros.

Deverá manter-se no topo do seu segmento? Vamos esperar para ver, mas uma coisa é certa: o Captur está melhor do que nunca. Mas a sua concorrência também…

 


Renault Captur II Exclusive TCe 130 EDC

Especificações:
Potência – 130cv às 5000rpm
Binário – 240Nm às 1600rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 10,6s
Velocidade Máxima (oficial): 195km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 6,2l/100km (6,6l/100km)

Preços:
Novo Renault Captur desde: 19.990€


 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!