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Teste ao Renault Mégane R.S. Line E-Tech Hybrid

Teste ao Renault Mégane R.S. Line E-Tech Hybrid
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“Menino prodígio”

 

A Renault começou a dar os seus primeiros passos nos híbridos nos últimos anos, passando a ser uma verdadeira opção para quem quer começar a “eletrificar-se”, sem optar por uma transição demasiado brusca, ou não adaptada às suas realidades.

Depois de testar os Clio, Captur, Arkana e mesmo a variante mais familiar do Mégane, sejam eles em versões Plug-In (caso do Captur e Mégane) ou híbridos convencionais (Clio e Arkana), chegou a vez de regressar ao modelo de segmento C da marca francesa, num nível R.S. Line, que “engana” quem por ele passa, “mascarando-se” de desportivo, mas que “por dentro” é bem mais “verde” do que a sua pintura azul o faz parecer.

A Renault já tem provas dadas nos elétricos, basta contar os Zoe que vemos a circular pelas nossas estradas, mas a tecnologia E-Tech vai para além disso, e no caso deste Mégane assume um conceito interessante.

Como disse acima, por fora é estar atento para ver as diferenças deste Mégane E-Tech face a um equipado, por exemplo, com um bloco BluedCi. Ou seja, apenas temos o logo da versão mais ecológica no pilar B e uma entrada extra para o carregarmos de kilowatts, situada no lado oposto do que iremos colocar gasolina. Pouca, esperemos nós.



De resto, continua a ser um modelo atraente, mesmo que já conte com cinco anos de mercado, com esta versão R.S. Line a fazer muito por isso, graças aos para-choques específicos e às jantes de 18’’ polegadas Magny-Cours, encontradas pela primeira vez no GT, modelo que estava disponível entre o “normal” Mégane e o desportivo R.S, sobre o qual podem ler o ensaio aqui.

Passando para o seu interior, recentemente renovado, encontramos um novo sistema multimédia, mais rápido e com melhor qualidade de imagem do que anteriormente, algo que era um dos pontos que necessitava de melhoria. Para além disso, encontramos um novo painel de instrumentos 100% digital, que aqui no E-Tech tem informações específicas acerca do funcionamento do sistema híbrido deste modelo.

De resto temos um habitáculo acolhedor, com as bacquets desta versão R.S. Line a poderem não ser do agrado de todos, já que a tarefa de entrar e sair não sai tão facilitada, ainda que, quando sentados, nos garantam um apoio mais do que necessário para uma proposta com estas performances. Atrás, o Mégane não é a proposta mais desafogada do seu segmento, ainda que consiga transportar dois adultos sem queixas. Ainda “dentro de portas”, importa referir que a bagageira não decresceu face à versão térmica convencional, ao contrário da ST que já testámos anteriormente, mantendo-se nos 384L de capacidade.

De volta ao lugar do condutor, o arranque é silencioso, graças ao sistema elétrico que tem sempre a primazia no arranque, a menos que não seja possível. Este sistema é composto por um motor 1.6L aspirado com 91cv e dois motores elétricos, um com 67cv que tem a tarefa de fazer este Mégane “rodar as rodas” e outro de 34cv, que tem como missão gerar eletricidade para a bateria de 9,8kWh. Graças a todo este trabalho, a Renault anuncia 51km puramente elétrico, em ciclo WLTP. Para a carregar, mesmo numa ficha doméstica, bastam 4h.

A gerir isto está uma transmissão automática, à qual a Renault chamou de Multimodo, uma solução inteligente que não conta com embraiagem ou sincronizadores, capaz de apresentar até quinze “velocidades” diferentes. Esta solução foi escolhida em detrimento da CVT, já que segundo os técnicos da Renault, esta Multimodo é mais eficiente…



Na prática, a transmissão gere bem todo o “processo” em condução tranquila, fazendo bem as transições entre elétrico e combustão, mas quando o ritmo aumenta, encontramos alguns momentos de confusão, ainda que não estraguem a experiência de condução.

Para garantir consumos mais baixos (conseguindo uma maior regeneração da bateria para gastar mais tarde), o modo B ajuda a conseguir gerar quilómetros extra, com um “travão-motor” que não é possível escolher a sua intensidade.

Os consumos, nos primeiros 100km, ficaram-se no limiar dos 3L/100km, idêntico ao que fizemos com a Mégane Sports Tourer E-Tech, mas desta vez optei por “usar mal” este híbrido Plug-In, simulando uma viagem em que não o ia carregar fora de casa. Assim, em mais de 500km, o consumo final ficou-se pelos 5,4L/100km. Uma alternativa face ao diesel, mas que gosta ainda mais de cidade.

A parte boa é que voltando de viagem, usando bem o sistema, poderá ter semanas sem ir visitar a sua bomba de combustível de eleição, já que para muitos, 50km chega para as voltas diárias.

Antes de terminar, resta só falar que embora seja um híbrido, com 250kg a mais na balança, o chassis do Mégane continua a ser “impecável” nas suas reações, e que mesmo que o objetivo seja ser limpinho, verdinho e poupadinho, é possível andar mais rápido sem riscos. É um bom balanço entre o “anjo” e o “diabo”.

Bem, quanto a preços, esta versão R.S Line já bem equipada com este sistema E-Tech pede ao cliente particular algo como 38.600€, o que continua a ser mais 6.700€ face ao TCe 160 EDC que também já testámos por aqui. Aqui, a suavidade e os baixos consumos são vantajosos, num passo em direção ao futuro, sem ter de contar com jantes aerodinâmicas de 15’’ polegadas, grelhas fechadas ou desenhos diferentes. Uma maneira de ser “limpo” sem parecer. Se estes 38.600€ forem demasiado, a gama E-Tech do Mégane começa nos 35.750€, um valor mais simpático.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!