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Teste ao Jeep Compass 1.3 Turbo de 150cv

Teste ao Jeep Compass 1.3 Turbo de 150cv
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“Western Spaghetti”

 

A gama Jeep divide-se em dois diferentes polos, um mais tradicional e emocional onde o Wrangler é protagonista, e outro lado mais racional e familiar, onde se colocam os best-sellers na europa, o pequeno Renegade e este Compass, um SUV de segmento C que regressa com novidades antes do seu restyling de “meia idade”.

A gama Compass integra agora um novo motor a gasolina que já conheci no Renegade. Trata-se do 1.3 FireFly que conta com dois níveis de potência, 130 ou 150cv, estando este mais potente em ensaio. Mas não, as novidades não se ficam por aí.

Isto porque este Jeep Compass tem ainda mais pronúncia italiana, sendo agora produzido em Melfi, fábrica que também já produz o Renegade desde 2014, e que foi alvo de um forte investimento por parte da FCA para a construção dos seus novos modelos plug-in Hybrid.

Mas podem estar descansados, continuam a ver bem. O Jeep Compass (ainda) não mudou esteticamente, estando apenas disponíveis novas cores, assim como novas jantes. No caso deste em ensaio, o Vermelho Colorado já existia, assim como estas jantes escurecidas de 19’’, de série nesta versão S. De qualquer maneira, o Compass continua a cativar quem aprecia SUV, graças a uma imagem robusta e fácil de gostar, onde não faltam claramente as sete barras dianteiras que representam todos os Jeep.



Passando para o seu interior, as diferenças também são impercetíveis, pelo menos no que toca à componente visual (pelo menos por enquanto). Já a montagem parece ter subido de qualidade, apresentando-se agora mais robusta, mesmo que os materiais não sejam líderes do segmento. Temos um painel de instrumentos que mescla o analógico com o digital, ainda que apresente muito conteúdo, bem como um ecrã central multimédia de 8,4’’, com os “obrigatórios” sistemas Apple CarPlay e Android Auto. Os comandos de climatização podem ser selecionados também através desse ecrã, ou dos botões dedicados logo abaixo.

O espaço a bordo é uma das vantagens deste Compass, com uma boa quota de habitabilidade do banco traseiro, que pode ser efetivamente utilizado por três passageiros, graças a uma boa largura, mas também altura. Cá atrás destaque ainda para a saída USB ou mesmo a ficha de 230v, para que ninguém fique sem os seus gadgets durante as viagens mais longas. Atrás desta segunda fila de assentos, possíveis de rebater em 40:20:40, encontramos uma bagageira de 438L, dentro da média face aos seus concorrentes diretos.



Voltando para a dianteira, é altura de me sentar em frente ao volante e descobrir como este novo motor a gasolina se comporta, agora no Compass.

Para começar, há que relembrar o peso. Aqui são mais 110kg para puxar face ao Renegade, mas que na prática não se notam, com um motor que volto a elogiar graças à sua disponibilidade. Face a alguns dos seus concorrentes, este 1.3L conta com uma arquitetura de quatro cilindros, o que o favorece também no campo da vibração e ruído. Já o binário máximo (270Nm) está disponível logo às 1560rpm, como queremos, tornando-se sempre mais disponível.

Bem sentados, conseguimos sentir que este é um Jeep feito mais para o alcatrão do que para os estradões de gravilha, tal como as borrachas e as jantes de 19 polegadas nos indicaram lá fora, o que colabora, e bem, com as novas afinações feitas pelos técnicos da marca às suspensões, que contam agora com amortecedores FSD (Frequency Selective Damping), assim como um novo ajuste à direção, que torna a experiência de condução mais dinâmica.

Mas nem tudo está bem neste Compass…

Isto porque, mais uma vez, a transmissão DCT volta a não ser a companheira ideal para este motor. Esta dupla-embraiagem mostra-se indecisa nas suas trocas, ainda que rápidas, mas nem sempre suaves. Teima muitas das vezes em manter uma relação abaixo do desejado, e isso, já se sabe, penaliza o consumo e coloca-o num nível de quase… desportivo.
Em cidade é complicado baixar dos 10,0L/100km, com uma média final que se ficou nos 7,8L/100km. Algo complicado de justificar para um automóvel com tração dianteira e 150cv.

Por outro lado, o problema pode ser resolvido facilmente. Se não precisar de transmissão automática, a Jeep oferece o 1.3 FireFly de 130cv, mas equipado com transmissão manual também de seis velocidades, que seria a escolha que faria, embora seja um apreciador de transmissões automáticas para um carro de dia-a-dia. A variante de 130cv é também a que “abre as portas” à gama Compass, desde 27.935€, na versão Sport.

Este Jeep que aqui temos em ensaio cumpre em (quase) tudo. Tem uma estética que agrada, um interior que convence e espaço suficiente para uma família. Uma condução que não desilude e um motor que é verdadeiramente capaz, só a transmissão DCT lhe “mancha a pintura”. Ainda assim, o seu preço é interessante, já que com 36.965€ conseguimos trazer para a porta de casa um SUV de 150cv, muito bem equipado, com alma americana e uma pronúncia italiana, tal como num verdadeiro Western Spaghetti.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!