Início Carburadores “Um desportivo que tinha (quase) tudo” – FIAT Uno Turbo i.e

“Um desportivo que tinha (quase) tudo” – FIAT Uno Turbo i.e

“Um desportivo que tinha (quase) tudo” –  FIAT Uno Turbo i.e
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“Juventude sobrealimentada”

 

Foi carro do ano em 1984, mas só no ano seguinte é que surgiu o automóvel de que hoje vamos falar: o Uno Turbo ie, que contava com um motor sofisticado para a época. Só que houve algo que não lhe permitiu ser tão especial como a marca esperaria.

 

O FIAT Uno foi apresentado em janeiro de 1983, num local bastante icónico: Cabo Canaveral, na Flórida, numa altura em que a corrida espacial estava no auge, ainda que este este FIAT não fosse um “foguetão” com os seus 70cv, ou alguma vez fosse vendido nos Estados Unidos da América. Ainda assim, tinha alguns atributos, como a sua aerodinâmica cuidada, com um Cx de apenas 0,34.

O desenho do Uno, contudo, não foi uma tarefa simples. Na Lancia, Giugiaro trabalhava num projeto chamado Megagamma, um Lancia com o tamanho dos sedans típicos da época, mas que queria aumentar o espaço a bordo ao máximo, antevendo o futuro dos pequenos monovolumes, graças a uma traseira mais reta, e uma dianteira com um capot muito menos comprido.



Na FIAT, o trabalho continuava de forma a substituir o 127, modelo que inventou o segmento B na Europa. Mas os desenhos não eram muito felizes, e nem Giugiaro conseguia fazer algo de belo, tanto que a marca transalpina fez um “frente a frente” entre o projeto da conhecida casa de estilo italiana, e o modelo desenhado em “casa”. Nenhum venceu. No final de contas, Vittorio Ghidella, diretor da FIAT, decidiu que ia aproveitar o plano do Megagamma da Lancia, e depois de algumas alterações, este tornou-se, finalmente, no FIAT Uno que todos conhecemos!

O seu sucesso mostrou-se praticamente imediato, ainda que o seu estilo e conforto não convencessem; já o espaço a bordo e o preço baixo conseguiram bater o Peugeot 205 e Volkswagen Golf na corrida para vencer o “Car of the Year 1984”, algo que o Fiat 127 conseguiu em 1972.

A versão de topo 70S, contava com um motor 1.3L, mas que não conseguia competir com os seus concorrentes diretos mais “dinâmicos”, como era o caso do Ford Fiesta XR2. Só em abril de 1985 é que a FIAT resolveu a situação com o Turbo i.e.



O seu exterior, exclusivamente na versão três portas, continuava a ser muito sóbrio, ainda que escondesse um motor “ultramoderno” para a época. O bloco 1.3L não era baseado no 1.3L do Uno 70S, mas sim do 1.5L do Ritmo 85S, recebendo um turbo refrigerado a água, radiador a óleo, assim como uma injeção eletrónica da Bosch, que contava mesmo com um ventilador para arrefecer os injetores.

Já a ignição, era controlada por um sistema Microplex da Magnetti-Marelli. Tudo isto permitia ao FIAT Uno i.e, uma potência de 105cv, assim como um binário máximo de 147Nm. A transmissão vinha diretamente do Ritmo 105TC, e graças às suas cinco velocidades conseguia atingir os 200km/h!

No entanto, todo o trabalho feito no motor não se refletiu no chassi deste Uno, isto porque face aos modelos “base”, o Turbo i.e apenas via ser acrescentada uma barra torção dianteira, amortecedores a gás e travões de disco traseiros, contando ainda com um rebaixamento de 10mm. As jantes de 13’’ pareciam pequenas, e eram mesmo, mas o problema não estava tanto aí, mas sim na sua largura de apenas 175mm.



De qualquer maneira, o Uno Turbo i.e começou por ser um sucesso de vendas, que tal como o Uno “convencional” contava com um preço convidativo. No entanto, a imprensa especializada achou que o modelo estava abaixo dos seus concorrentes diretos: Peugeot 205 GTi e o Renault 5 GT Turbo. E isso “tramou” um pouco a casa italiana, e nem mesmo truques comerciais com os pilotos da Ferrari na F1 a testarem o modelo o salvaram:

Até 1989, altura do restyling do Uno, a única novidade foi a opção do “Antiskid”, o nome dado pelo construtor ao sistema ABS. No restyling, o Uno ficou mais perto do Tipo, e o seu motor passou a ser o 1.4L agora com 118cv. Já o chassi, continuou na mesma, mostrando agora uma dificuldade em passar a potência para a estrada… Já a aerodinâmica saiu beneficiada, atingindo agora os 0,33Cx graças ao spoiler traseiro.

A sua carreira continuou até 1993, mas não sem antes receber um catalisador, que em 1992 lhe baixou a potência para os 115cv. O seu sucessor foi o Punto GT, que usava o mesmo bloco, com a potência incrementada até aos 136cv, já a ligação ao solo era bem mais competente.

O Uno contou com mais de 10 milhões de unidades vendidas, um verdadeiro sucesso, em pouco mais de dez anos de vida. Já o Turbo i.e, não foi assim tanto um sucesso…

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!