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Festejar o Mazda MX-5, uma vez mais

Festejar o Mazda MX-5, uma vez mais
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“3 anos do meu. 30 anos do vosso. 100 anos de todos.”

 

Ora bem, aqui está um assunto que não me canso de vos falar: Mazda MX-5. E aproveito este momento para celebrar três efemérides ao mesmo tempo (mesmo que já não estejam bem certas).

Como bem sabem, faz agora três anos, comprei um Mazda MX-5 ND “novinho”, algo que nunca pensei fazer. Mas o que levou este rapaz que vos escreve, que testa tanto automóvel – e vê o quanto e quão rápido eles evoluem – a comprar um automóvel novo?

Meus amigos, há muitas razões, mas acho que a mais importante é a emoção.

É isso que a Mazda tem vindo a fazer ao longo de 100 anos, quando em 1920 se estreou como uma companhia de fabrico de cortiça, altura em que o nome Mazda ainda não era conhecido, com esse a aparecer pela primeira vez na frente de um veículo. Veículo porque se tratava de uma motocicleta com uma caixa aberta, um “autorriquexó”… Sim, foi um início humilde.

Pois bem, mas a história da Mazda conta com muita inovação e sobretudo superação, já que a sua cidade natal, Hiroxima, foi a protagonista de um ataque sem precedentes e que se conseguiu, tanto a cidade como a Mazda, reerguer desse acontecimento. Que há bem pouco tempo fez 75 anos.

Se querem saber mais sobre a história da marca, leiam o especial que fiz em 2020 sobre os “0 aos 100” da Mazda.



A razão foi a Emoção. Algo que todos nós procuramos, todos nós que somos amantes de carros. Na verdade, há mais propostas emocionantes que o Mazda MX-5, capazes de provocar níveis mais elevados de adrenalina. Mas o que o Mazda MX-5 faz, de uma forma quase imbatível, é juntar essa emoção a uma elevadíssima dose de razão. Sim, um carro de dois lugares com uma bagageira que dá para duas malas de viagem pode ter muita razão.

Assim, começo a falar-vos de como têm sido estes três anos de convivência com o pequeno roadster japonês.

Ano 1

Surpresa não houve, porque eu já conhecia bem a “peça”. A dificuldade foi entender que este era “o meu” carro e não “apenas” um carro que tenho à porta de casa cinco dias. Isto porque tive de entender que continuaria comigo por muito tempo, e não necessitava de estar a percorrer mais de 500km com ele durante os fins de semana, esquecendo as mais de uma centena de propostas que ensaio ao longo do ano.

Houve esse “boom” de quilómetros feitos – com a desculpa de que estava na rodagem – mas que com o passar do tempo começou apenas a ser escolhido para alturas mais especiais, onde cada quilómetro importa mais. Foi uma espécie de “mazdólicos anónimos”, já que estava a ficar viciado.

Foi ainda neste ano que comecei a ficar algo “maníaco” com o estado de conservação deste MX-5, algo que já vos conto.

Ano 2

No primeiro ano optei por dar ao meu Mazda uma proteção cerâmica, de forma a proteger da melhor maneira a pintura Machine Grey e evitar alguns danos nas lavagens, facilitando também as mesmas. Foi aí que entendi o pessoal que estaciona no fundo dos parques, encostados aos postes e de preferência no “santo Graal dos lugares”, que são os individuais.

Foi também por aqui que comecei a achar piada a lavagens de carro que demoram mais de uma hora, usando toda uma gama dos mais cuidados produtos, mais do que aqueles que uso em mim próprio. Foi também este o ano em que andou menos, graças a uma pandemia (não sei se já ouviram falar). Foi também em 2020 que recebeu a sua primeira modificação de “hardware”, com a troca das molas de série, por umas Eibach que melhoraram tanto a estética quanto a dinâmica. O melhor investimento que fiz nele. Bem, isso e a antena, já que optei por uma “Stubby”, que lhe tira aquela antena “gigante” e que torna a estética deste Mazda mais “clean”.


 


Aliando-se a isso, posso dizer agora no começo do terceiro ano, com pouco mais de 13.000km feitos (sim, eu sei, mas estou a poupá-lo), que o Mazda MX-5 tem sido mais do que eu esperava dele, com uns consumos dignos de um Mazda2, assim como custos de manutenção comedidos. Sim, tem os seus contras, mas também nunca esperei que o espaço interior fosse o melhor do mundo, os plásticos fossem “molinhos” ou que em autoestrada conseguisse ouvir o respirar do passageiro do lado.

São os 100 anos de todos os Mazda, os três anos do meu e os 30 dos que têm o prazer de conduzir modelos com um nome igual ao do meu, clientes que ao todo já somam mais de 1.150.000 de unidades, em quatro gerações, de um automóvel que é um verdadeiro espécime a guardar, caso tivesse de existir uma “Arca de Noé” para automóveis.

Pensei tudo isto a bordo do Mazda MX-5 ND “100th Anniversary” que é quase igual àquele que tenho em casa, tirando que o motor tem agora 1cv extra, assim como uns pequenos (grandes) pormenores. A capota como podem ver é bordeux, algo que gostaria de ter no meu; e o interior também é vermelho (algo que também não importava nada de ter) com pormenores específicos desta versão comemorativa. No exterior, até as jantes contam com a inscrição desta importante data 1920-2020, enquanto a pintura Branco Pérola serve de contraste a este Mazda que continua a atrair atenções.

Antes que digam: “Então se gostas desse, troca”…

… eu respondo-vos que não. A diferença de um automóvel como este, é que se cria uma importante ligação. Não é um automóvel normal – sim pode ser, tem quatro rodas e um volante – não é apenas só um meio de transporte, é algo que nos liga, algo que nos faz sentir especiais. É essa emoção, esse sentido de pertença que me faz, passados três anos, ainda não me ter arrependido de ter gastado tanto dinheiro em algo que não uso assim tanto.

Mas sabem, acho que daqui a uns anos é que lhe vou dar o devido valor, quando esta espécie estiver em vias de extinção (ou mesmo extinta). E aí, vou dar graças a tê-lo poupado, a ter lavado com cuidado e carinho e por ter feito revisões a tempo e horas, não lhe faltando nada.

Ah, quanto a preços, este Mazda MX-5 ND “100th Anniversary” pede-vos em troca 37,577€, tendo por base o nível de equipamento mais recheado, o Excellence. Se me perguntam se vale a pena é porque leram mal tudo o que escrevi acima…. Façam favor de ler de novo, ou então um destes seguintes ensaios:

“Já é trintão!” – Testámos o Mazda MX-5 “30th Anniversary”

“Um duelo de irmãos” – Mazda MX-5 NA vs Mazda MX-5 ND

 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!