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Toyota GT-86 (MY17)

Toyota GT-86 (MY17)
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“O Purista”

Sem filtros ou puro, estes podiam ser dois adjectivos usados para classificar o que é, na realidade, o Toyota GT-86, um automóvel criado por amantes de automóveis para amantes de automóveis, um verdadeiro hino aos sentidos que nos faz recordar os tempos mais mecânicos deste ‘mundo’ que tanto amamos.

Este automóvel usa uma receita simples e adorada: tracção traseira, uma caixa manual de seis relações, um equilibrio perfeito e um motor boxer fabricado por quem entende deles melhor, a Subaru. Este 2.0 aspirado debita 200cv, e gosta de ser puxado para se fazer sentir!

Mas antes, vamos ver o que mudou no Toyota GT-86 que sofreu o seu restyling de meia idade.

Visualmente, é quase um ‘descubra as diferenças’. A grelha dianteira é mais larga, que está incorporada no novo para-choques dianteiro, que conta também com os novos grupos ópticos para as luzes de nevoeiro, enquanto que os piscas passam para os faróis principais. Na lateral, desaparece o símbolo do modelo, mas ganham-se umas jantes de 17” com um novo desenho. Na traseira, o destaque vai para os novos farolins em LED, dando um ar mais tecnológico a este modelo tão analógico.

Lá dentro, as coisas passam a ficar um pouco mais luxuosas, com a Toyota a acrescentar um pouco mais de pele e alcantara às portas e ao tablier, os bancos ganham um novo padrão, mantendo-se igualmente irrepreensíveis no que toca ao apoio nas curvas, o volante ganha um novo desenho e comandos, continuando com uma pega e dimensão exemplares, o que se conjuga muito bem com a posição de condução, tipicamente desportiva, com o volante bem na horizontal e onde conduzimos de pernas esticadas.

Os instrumentos, recebem mais um incremento tecnológico, com um ecrã a cores de 4,2” que oferece multiplas informações, como a tempratura do óleo, água e do motor, um medidor de forças G, o gráfico de potência e binário, bem como um cronómetro e marcador de voltas…

Agora se estão a salivar a pensar: “Não mudou por fora, mas ganhou cavalos extra…” Receio que vos desaponte, mas não, tem os mesmo 200cv do que quando foi lançado em 2013.

Este motor, sendo tipicamente um atmosférico, é como vos disse logo ao início, pede para que lhe subam as rotações (mais de 7000rpm) para mostrar toda a sua vivacidade. Ao subirem, com um tom de escape entusiasmante, típico de boxer, faz-nos parecer que vamos muito mais depressa do que circulamos na realidade, e nisto vêm duas ideias à nossa cabeça:

Por um lado, é de pensar que Hot-Hatches simples o possam bater em acelerações e principalmente em recuperações, num automóvel que teria a ‘obrigação’ de os destronar devido à sua faixa de preço. Contudo, por outro lado, temos aquela sensação analogical que nenhum outro automóvel, pelo menos de capota rígida, nos oferece e que passado uns quilómetros entendemos que o GT-86 foi criado para um propósito muito importante: diversão!

Para isso, os engenheiros japoneses fizeram algumas alterações na direcção que está mais directa e com um maior e melhor feedback, que ao mesmo tempo melhora a agilidade, se bem que tudo estivesse a roçar o óptimo no pré-restyling. O chassis é agora mais rigído e continua bom como antes, informando bem o condutor ao mesmo tempo que não chega a ser desconfortável.

O seu temperamento vem muito da cultura drift, ou seja, basta um pouco mais de acelerador a meio de uma curva e… lá vai a traseira! A Toyota fez com que este automóvel fosse incrivelmente fácil de ‘pilotar’, para isso conta com os controlos de estabilidade e tracção que podem ser desligados independentemente, deixando alguma margem, mas quando entram, metem logo o Toyota nos eixos.

Aqui surge uma novidade, o Track Mode, que desliga parcialmente todos esses sistemas, deixando o ESP num modo mais permissivo, que nos dá a hipótese de colocar os nosso dotes à prova, de uma forma mais segura, principalmente a baixa velocidade, e é precisamente aí que o Toyota tanto nos diverte graças à sua direcção com um bom peso, deixando-nos imensamente satisfeitos.

Quanto ao equipamento, o Toyota GT-86 conta com tudo o que necessita para ter uma vida descontraída e confortável ao volante, ou seja, conta de série com sistema de navegação, bancos aquecidos e cruise-control com limitador de velocidade. O resto? Têm de descobrir boas estradas e vão ver que não necessitam de mais, e se até lá foi com calma e usar só a primeira sigla “Grande Turismo” consegue ter consumos abaixo dos 7 litros a cada cem quilómetros!

Portanto, o Toyota GT-86 é um daqueles exemplos de que o que é bom, por vezes, é melhor! Não é o automóvel mais rápido, mas consegue oferecer uma grande dose de divertimento ao volante. Não é também um automóvel para quem quer interiores lindos ou um automóvel para “mostrar aos amigos”. É sim um automóvel para apreciadores e para quem gosta da tarefa de conduzir, e são só esses que irão pagar uma factura de mais de 40 mil euros!

Toyota GT86 2.0 200 Sport T/M 

Especificações:
Potência – 200cv às 7000rpm
Binário – 205Nm às 64oo rpm
Consumo Combinado Anunciado – 7,8L/100km
Consumo Combinado Medido – 8,0L/100km

Aceleração 0-100km/h (oficial): 7,6
Velocidade máxima (oficial): 226km/h

Preços:
Preço Base Toyota GT86: 44.220€
Preço da Versão ensaiada: 44.220€

Agradecimento: Rodrigo Inocêncio (Fotos)

Toyota GT86
16.2 Pontos
O que gostámos mais:
- Direcção e caixa de velocidades; - Posição de condução; - Dinâmica de condução;
O que gostámos menos:
- Pneus de origem; - Preço;
Resumindo e concluíndo:
O Toyota GT86 é um caso analógico, um caso de que o simples vence. Puro, com emoção e uma condução viciante. Não é o mais rápido, mas a diversão não se mede pelo cronómetro.
Motorização17.5
Perfomances16.5
Comportamento19
Consumos16.5
Interior16
Habitabilidade15
Materiais/Qualidade de construção15
Equipamento de Série14
Value for Money16
Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!

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