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Teste ao exclusivamente híbrido Honda HR-V Hybrid

Teste ao exclusivamente híbrido Honda HR-V Hybrid
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“Revolucionar, de novo”

 

Já por aqui falámos da eletrificação que a Honda está a integrar na sua gama de modelos, que já é uma realidade, com todos os seus modelos atuais a serem apenas híbridos ou elétricos, isto se não contarmos com um “resto de coleção” de alguns Civic de 10ª geração. A próxima geração será somente híbrida, tal como este novo HR-V.

Apenas o Type-R será a única “ovelha negra”, mas muito importante como herança desportiva da marca.

Mas até lá chegar, o mais recente modelo da sua gama é o HR-V, modelo lançado originalmente em 1998, cujo nome significava “High Revolucionary Vehicle”. A Honda quer que esta terceira geração do modelo seja também suficientemente revolucionária e que a ajude a garantir mais vendas na Europa.

Esteticamente o Honda HR-V está mais apelativo, contando agora com uma imagem mais dinâmica, inspirado nos coupé, e com uma altura do tejadilho reduzida em 20mm face ao modelo anterior. Mesmo com um aspeto mais premium, o modelo recebe alguns atributos extra no que toca à capacidade de sair do asfalto, contando agora com uma superior distância ao solo. Ainda assim, é bom ter em mente que este HR-V não dá para grandes aventuras.

A dianteira conta com uma grelha bem integrada e uma imagem bem diferente daquela que a Honda tem oferecido em propostas anteriores, contando com um estilo mais sóbrio em vez de ser demasiado oriental. A lateral conta com linhas também elas mais elegantes, onde o ponto de destaque vai para o puxador traseiro dissimulado e as jantes de 18’’ polegadas. A traseira conta com um desenho “menos SUV” ou seja, menos acentuado. É também lá que encontramos o farolim que se une e que vai ao encontro das atuais tendências de design.



Se a altura diminuiu, o comprimento e a largura aumentaram, assim como a distância entre eixos (53mm), o que mais importa no que toca ao espaço a bordo.

Assim, num interior sóbrio, mas bem desenhado, um pouco ao estilo do exterior, encontramos um local onde é agradável estar. No lugar do condutor, encontra-se uma posição de condução elevada, com boa visibilidade e confortável, graças aos seus bancos, mas também devido a uma boa ergonomia dos comandos, com destaque para os da climatização, assim como um sistema multimedia com teclas físicas. A qualidade também está num bom patamar, não tanto em termos dos materiais, que nas partes mais escondidas são rijos, mas sim na sua construção que pareceu bem conseguida, não exibindo ruídos parasitas.

Uma das grandes vantagens no novo HR-V é, tal como no seu antecessor, o espaço a bordo, onde podem viajar cinco passageiros, num automóvel que a Honda diz que está entre o segmento B e C, o que é possível de aceitar devido ao seu amplo e desafogado espaço a bordo. Não tão bom é o caso bagageira, que tal como no Jazz diminuiu muito de dimensão, para os 335 litros, menos 135l que na anterior geração. Para minorar essa situação, o modelo continua a contar com os “magic seats”, o que permite uma melhor gestão de espaço para quando é preciso transportar mais cargas.

Passando para a condução, contamos com um único conjunto propulsor disponível na gama, o sistema híbrido e:HEV, composto por dois motores elétricos que funcionam em conjunto com um motor a gasolina 1.5L i-VTEC, oferecendo em conjunto 131cv de potência. Para armazenar a energia conseguida, o Honda HR-V utiliza uma bateria de iões de lítio, enquanto a gerir a potência está uma transmissão de engrenagem fixa com controlo eletrónico.

O sistema da Honda tem vindo a ser melhorado, desde a sua introdução no CR-V em 2019, querendo fazer com que estes modelos circulem o mais possível em propulsão elétrica, existindo ainda um modo EV para circular em modo zero emissões. Mas o melhor é mesmo deixar o sistema decidir sozinho.

Se existir muita vontade de ter um papel no temperamento do motor, existem três modos de condução: Eco, Normal ou Sport.



Embora não seja o objetivo principal deste HR-V e:HEV, o modelo conta com um comportamento são, dando maior confiança ao condutor, graças também a um chassis que foi aperfeiçoado, seja na sua rigidez, seja através de uma suspensão que foi também melhorada, apresentando agora um melhor pisar, algo que é sentido por todos os passageiros. Mas é quem vai ao volante que nota também a evolução na direção, que conta com melhor “afinação” e que ajuda a que este HR-V seja mais estável em velocidades mais elevadas, dando mais confiança. No entanto, não é a proposta mais emocionante do segmento, mas como dito no início do parágrafo, não é o seu principal objetivo.

O objetivo é ser poupado, e nisso o novo Honda HR-V e:HEV consegue brilhar. Em cidade é fácil ver o computador de bordo apresentar números abaixo dos 4 litros aos cem, em ciclo misto o valor pouco ultrapassa os 5L/100km, graças a uma boa gestão do sistema híbrido que regenera muito bem, o que faz com que muitas vezes seja visível o símbolo EV no painel de instrumentos, mesmo quando circulámos em autoestrada. Para melhorar ainda mais os consumos, contamos com um modo B para maior regeneração ou então optamos por utilizar as patilhas que nos permitem também ajustar essa “força” da regeneração. A transmissão faz-se ouvir um pouco quando exigimos mais do pedal da direita, ainda que o sistema tente “imitar” uma transmissão convencional, com velocidades, o que consegue por diversas vezes.

Resta responder à questão: vale a pena ponderar um Honda HR-V?

A resposta é positiva, com o modelo a ter várias mais-valias como um baixo consumo e um amplo espaço interior (mesmo que a bagageira esteja mais pequena que anteriormente). O seu estilo está também mais agradável à vista e o equipamento é completo. Por outro lado, temos a questão do preço, talvez o “calcanhar de Aquiles” deste modelo, com um valor que o aproxima muito de outras propostas preferidas e para muitos mais cativantes. Esta unidade em teste – Elegance, a entrada de gama – pedia em troca 35.250€, o que, mesmo tendo em atenção que a Honda apresenta os preços com “tudo incluído”, é um valor que pode afastar alguns clientes. O HR-V também não é a proposta ideal para quem faça muita autoestrada, nesse caso talvez o melhor seja aguardar pelo novo Civic ou tentar dar o “salto” para o CR-V, caso queira continuar na nessa (H)onda!

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!