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Teste ao Ford Focus mais potente que podes comprar

Teste ao Ford Focus mais potente que podes comprar
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Sport Turismo”

 

A maioria de nós, apaixonados por automóveis, não consegue ignorar os desportivos. Porém, nem todos temos “vida” para ter um desportivo hardcore em todos os dias das nossas vidas. Para isso, as marcas criaram os “hot-hatches”, que no segmento C estão em franca expansão. O Focus ST é um modelo que está entre nós desde 2001, e que chega agora à sua quarta geração.

 

O modelo da marca oval é, desde as suas origens, um dos mais dinâmicos e que mais prazer dão a quem vai ao volante, e como se sabe, isso é meio caminho andado para criar um bom desportivo. Mas será que temos aqui o mesmo caso?

Pois bem, esteticamente, o Focus ST é discreto. Para alguns poderá ser até demasiado discreto, já que facilmente se confunde com um ST Line equipado com um “pequenito” motor gasolina com “mil” de cilindrada. Mas um olhar mais atento repara no para-choques com uma grelha dianteira de diferente padrão e com o logo ST, umas jantes exclusivas de 19’’ que escondem as pinças pintadas de vermelho, bem como na traseira um spoiler de maiores dimensões, ao mesmo tempo que as ponteiras de escape (uma em cada ponta) afirmam que estamos perante um Ford Focus “especial”.

Tal como o exterior, também o interior é característico, mas não chega a ser demasiadamente desportivo. Sim, o Focus ST deve ser mais pensado como um GTi do que como um RS… Se gostavam dele, não leiam este artigo.



Ou seja, o primeiro olhar vai diretamente para os bancos Recaro, muito bem acabados e confortáveis, e que para serem perfeitos apenas deveriam contar com uma melhor regulação para a zona das pernas. O volante também é mais espesso e conta com o logo da versão, e a soleira da porta com o “carimbo” Ford Performance.

De resto? Quase não se encontram diferenças, o habitáculo continua a ser sóbrio e com uma boa montagem.

E isso até é bom, já que em termos de espaço as penalizações não são muitas, ainda que o túnel de transmissão seja algo volumoso, pelo que aconselhamos o uso deste Focus ST por apenas quatro passageiros. Uma das mais valias deste desportivo é que tem a hipótese de contar com uma opção SW, caso os 375L de bagageira não sejam suficientes.

Como é também frequente, estas versões desportivas, por estarem no topo da gama, são bem equipadas, portanto não falta nada a quem não quer andar sempre rápido ao volante. De série está disponível o Ar Condicionado Automático Bi-Zona, faróis Full LED, sensores e câmara de visão traseira que é transmitida para o sistema SYNC3, que embora não seja o mais completo, conta com uma boa definição de ecrã e com os sistemas Apple CarPlay e Android Auto.

Como opcionais de maior, aconselhamos o Sistema de Som B&O (305€), Sistema de Chave Inteligente (356€) e o “obrigatório” Pack Performance (1220€) que inclui os modos de condução que falaremos mais à frente, indicador de mudança de caixa, Launch Control, Rev-Matching e Luz ambiente multicolor.



Importante também falar do capítulo da segurança, que através do Pack Drive Plus (407€) oferece Sistema de Reconhecimento de Sinais de Trânsito, Faróis máximos automáticos, sistema de deteção de obstáculos e controlo automático de velocidade (com transmissão automática inclui o sistema Stop&Go e o sistema de aviso de saída de estrada com manutenção na faixa). O preço desta unidade? 49.966€, com quase todas as “caixinhas” de opcionais selecionadas.

Agora que já sabem o preço, sem mais demoras, vamos passar para a condução que é o que realmente mais importa aqui no Ford Focus ST.

E para começar a falar sobre isso, é obvio que temos de começar pela mecânica, e aqui o Focus ST é distinto dos seus concorrentes.

Isto porque há blocos 1.6L, 1.8L ou até 2.0L, mas o Focus aumenta essa cilindrada para os 2.3L, o mesmo bloco que podemos encontrar no Mustang.

Este 2.3 EcoBoost de quatro cilindros é, também, o mesmo bloco que o anterior Focus RS empregava, mas contando aqui com uma potência mais “comedida”. São 280cv e 420Nm de binário, números de respeito que mostram um crescendo face à anterior geração, que contava com menos 30cv e 70Nm.

Em Portugal, está apenas disponível com transmissão manual de seis velocidades, não havendo a hipótese de colocar a automática de oito relações. Nada contra, grave seria se fosse ao contrário…

Essa potência é então entregue às rodas dianteiras, que contam também com a ajuda de um diferencial autoblocante eletrónico.

Quanto às prestações, são também elas dignas de respeito, e que até se conseguem destacar neste segmento, o que é uma tarefa cada vez mais complicada. A aceleração dos 0 aos 100km/h demora apenas 5,7s, enquanto a velocidade máxima é de 250km/h. E ao contrário do que o seu peso de mais de 1500kg nos poderia fazer esperar, este Focus é ágil, bastante ágil…

Isto porque como falámos acima, o chassis do Focus é um dos mais competentes do seu segmento, o que em conjunto com uma suspensão 10mm mais perto do asfalto, barras estabilizadoras mais duras e eixos mais rígidos (20% na frente e 13% na traseira) levam-no a um nível acima. Para além disso, os Michelin Pilot Sport 4S mostram que estão prontos a “agarrar” o máximo de asfalto possível.

Mas o que mais impressiona no Focus ST é mesmo o motor, com este 2.3 EcoBoost a ser um exemplo no que toca a uma (quase) inexistência de lag de turbo, sendo sempre muito “cheio” desde baixas rotações, o que para além de ajudar quando queremos andar depressa, também nos alivia muito a vida no “dia-a-dia”, com uma resposta sempre pronta desde baixas rotações, evitando sempre o recurso à caixa.
Ultrapassar em 6ª a baixa velocidade? Sem problema.

Por falar na caixa de velocidades, esta tem um tato suave, é rápida e de curso curto. Para ficar perfeita apenas deveria estar colocada num plano ligeiramente mais alto, de forma a ficar no rácio perfeito para utilização mais rápida. Leia-se: mais perto do volante.



Voltando para as performances, este motor que têm “pulmão de maratonista” também tem o arranque de um “sprinter”, graças ao Launch-Control que permite arranques mais rápidos (sendo fácil arrancar rápido sem ele) e um sistema de ‘Flatshifting’ nos modos de condução mais hardcore (S e Track) que permitem ao condutor subir de relação sem tirar o pé do fundo do acelerador.

Funciona, mas é estranho e não tem assim ganhos de maior. Portanto, voltámos ao antigo método de tirar o pé do acelerador para acionar a embraiagem. Não fosse o próximo carro sofrer com este “hábito”.

Mas vamos passar para as curvas, e aqui o sentimento é agridoce.

Se o eixo dianteiro tem uma aderência que vai para lá do que esperamos, estando sempre a postos a ir mais rápido do que na passagem anterior, a “culpa” é do diferencial elétrico dianteiro eLSD, capaz de enviar toda a potência para uma roda enquanto a outra perde a tração.

Já a direção, embora rápida e direta, podia passar ao condutor um maior feeling do que se passa com as rodas dianteiras, e talvez essa seja a maior critica a este ST, embora seja algo que acontece em outras propostas concorrentes.

Mas ainda há uma outra crítica, que era perfeitamente evitável…

Este 2.3 Ecoboost soa bem, assim como o seu escape. Por isso, por que razão é que a Ford criou um sintetizador para nos enviar som para o habitáculo através das colunas? Sim, isto poderia aumentar a sensação de desportividade, mas apenas se torna irritante em longas tiradas de autoestrada, onde aumentar o volume da música não resolve (porque o som do “motor” vem do mesmo sítio). Acredito que a marca tenha feito um estudo sobre o assunto, mas devia dar a possibilidade ao condutor, tal como dá de desligar os controlos de estabilidade, de desligar este ruído, que por vezes é (bastante) incómodo.

Como diria Diácono Rémedios: “Não havia necessidade”

No final temos mais um hot-hatchback de segmento C, como gostamos e queremos. O seu estilo sóbrio com certeza que agradará a mais do que uma proposta mais radical. O interior bem organizado é “fácil de viver”, também uma vantagem para uma vida familiar. O seu motor e o “grip” (quase) ilimitado são as suas grandes vantagens. Contras? Talvez os consumos, que teimam em estar constantemente perto dos 10L/100km, mas também com a confiança que este Focus ST nos dá, é complicado mantermo-nos “na linha”.


Ford Focus ST 2.3 EcoBoost 280

Especificações:

Potência combinada– 280cv/5500rpm
Binário combinado – 420Nm às 3000 ~ 4000rpm
Aceleração do  0-100 (oficial): 5,7s
Velocidade Máxima (oficial): 250km/h
Consumo Combinado Anunciado – 7,9L/100km
Consumo Combinado Medido – 9,3L/100km

Preços:
Focus ST desde: 44.470€
Unidade ensaiada: 49.966€

Não inclui oferta a clientes no valor de 3.120 euros, ou campanha de apoio à retoma no valor de 1.000 euros.


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Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!