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Ford Ranger Raptor 2.0 TDCi

Ford Ranger Raptor 2.0 TDCi
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“Ser especial”

Começo este ensaio como uma questão curta, mas talvez de muito difícil resposta: “Quando é que verdadeiramente deixamos de ser crianças?”

Pois bem, eu aproveito e dou a minha resposta: “Nunca”.

Ou seja, acho que nunca deixamos verdadeiramente de nos divertirmos com coisas que, para algumas pessoas, não tem qualquer nexo de serem motivo disso.

Algumas dessas pessoas acham que os automóveis são apenas meios de transporte (ou de trabalho), mas este automóvel que aqui temos em ensaio prova o contrário, ao mesmo tempo que também mostra ser uma das Pick-Up mais desnecessárias que podemos comprar no mercado nacional, mas uma das indispensáveis que teria na minha garagem!

Porquê? (Já que somos adultos, mas adoramos continuar a fazer perguntas…) Porque esta é uma Ford Ranger Raptor, e o segredo está no último nome, Raptor, que para quem acompanha a marca americana no seu mercado doméstico, sabe que a par do Ford GT e Mustang, é dos nomes que mais desperta curiosidade e faz acelerar corações.

Do lado de lá do oceano que nos separa, esse nome é usado na best-seller F-150, modelo que cá só conseguimos ter importando (mas que não aconselho, já que basicamente seria andar de elefante no meio de uma loja de loiças). Agora temos esta versão europeia baseada na Pick-Up média da marca, a Ranger, ainda que com grandes alterações.

Para começar, no capítulo estético, é evidente uma dianteira bastante distinta e inspirada na Raptor “americana”, que para além de um alargamento generoso nas suas vias, conta ainda com uma altura ao solo bastante superior. Graças a isso, já conseguimos ver a sua “jóia da coroa”, as suspensões ativas da Fox Racing. Na lateral, as jantes exclusivas de 17’’ escondem os travões melhorados, com dois êmbolos na frente e arrefecidos, enquanto são envoltas nuns pneus BF Goodrich (que adoram andar fora de estrada).

O aparato de stickers é um dos poucos opcionais, e destaca ainda mais a personalidade desta Pick-Up, já que atravessa todo o portão traseiro.

Esta Ford foi desenvolvida pela Ford Performance. Sim, aqueles senhores que também criam os desportivos de estrada, mas que aqui meteram as mãos à obra (e os pés na areia) para criar um dos mais divertidos automóveis que podemos conduzir quando o alcatrão acaba, com mais 4 pessoas poderem fazer-nos companhia, e pelo caminho darem algumas cabeçadas.

Por isso, o interior é também ele muito especial. Os bancos, com grande apoio em pele e alcântara, são elétricos e contam com a assinatura Raptor. Depois, o volante em pele perfurada tem o ponto “0” no topo, a vermelho (o que vai dar jeito mais para a frente), e a grande alavanca da transmissão automática de 10 velocidades, que marca ali o seu território na consola central, bem como através das patilhas metálicas montadas atrás do volante. Ainda com espírito desportivo estão as soleiras que exibem orgulhosamente o nome do seu criador, assim como a pedaleira em alumínio.

Para além disso, os acabamentos e a qualidade geral também são superiores, como é o caso dos pespontos em azul que prendem a pele do topo do tablier, ou o forro do tejadilho em preto, bem como um equipamento generoso, onde não falta praticamente nada. É uma pick-up que demonstra que o seu propósito é trabalho lazer!

Pois bem, antes de continuar, vou deixar aqui o preço desta unidade: 63.936€.

É muito?

Então se acham isso, continuem a ler.

No início disse que, na verdade, todos continuamos a ser crianças durante a vida. A diferença é que quando somos (verdadeiramente) crianças, as diversões são mais baratas, e achamos piada a coisas mais irrelevantes. Na verdade, isso pode acontecer nestas idades onde já temos a carta de condução na carteira, mas o gosto apura, e para ficarmos a rir enquanto estamos ao volante, não pode ser em qualquer “meio de transporte” …

Vamos por partes. A Ford optou por dotar esta Ranger Raptor com um diesel. Podem dizer que para um “brinquedo” ficaria aqui bem era um bruto motor a gasolina como os amigos da terra do “Uncle Sam”. Pois, eu também disse isso, mas a verdade é que este 2.0 TDCi de 213cv faz bem o serviço, é só imaginarem o ronronar de um V6 ou V8 e isso passa.

Este motor, para além dessa potência que até já é generosa (ainda que longe dos 400cv da F-150 Raptor, que também é um “bocadinho” maior e mais pesada), conta também com um binário de 500Nm, que são distribuídos às quatro rodas graças a uma transmissão automática de 10 relações, que tenta sempre assegurar que estamos de forma permanente no regime ideal. Sim, não me enganei, são mesmo dez relações…

Vamos lá começar a circular.

Em estrada, a Ford Ranger Raptor surpreende pelo seu conforto. Não tem aquele saltitar típico de pick-up, e muito menos se ouve um rolamento exagerado dos pneus que são algo “anti alcatrão”. A direção nota-se que tem de fazer virar muita borracha, mas até é comunicativa, enquanto o motor desenvolve de forma expedita, e a transmissão faz o seu trabalho, mudando rapidamente (e suavemente) de velocidade. Ou seja, em estrada é uma espécie de “Maxi-SUV”, ou então um jipe, como antigamente tínhamos.

Mas são sempre 5,37m de comprimento, e uma largura que ascende aos 2,02m, portanto, andarem a passear por centros históricos não é bem a tarefa mais recompensadora, e aí voltamos ao caso da Raptor americana, mas aqui em vez de um elefante, seria talvez… um cavalo? Sempre é mais ágil, e leve.

Animais à parte, é altura de levar esta Ranger Raptor para onde ela merece.

Chegando fora de estrada, “soltamos um monstro”, que praticamente não encontra nada à sua altura. Aqui, convém falar nos seis modos de condução: Normal e Desportivo (que são para o alcatrão) e depois o Neve, Relva/Cascalho/Neve, Lama/Areia e Baja.

Qual é o escolhido? Baja!

É uma verdadeira diversão andar com este modo em areia solta, a suspensão FOX Pro Racing vale o investimento, já que absorve as irregularidades de tal forma que, se fosse a esta velocidade numa pick-up convencional, neste momento estaria a apanhar pedaços da minha coluna. A capacidade de aderência é incrível graças aos pneus, mas ainda assim, para contrariar isso, o bloqueio de diferencial traseiro pede para ser ativado, e graças a isso conseguir “powerslides” magistrais. E os pneus que outrora tanto agarravam, começam a fazer já os trilhos para a próxima lavoura. É só escolher o que plantar!

Se as coisas estiverem para ser mais “sérias”, um outro modo de condução permite-nos ultrapassar barreiras com facilidade, também graças à tração integral (4H) ou às redutoras (4L), assim como o Hill-Descent Assist, que permite fazer descidas de forma mais segura e controlada.

Contras?

Mesmo que muito bem equipada, apenas achei que a Raptor poderia contar com uma câmara de visão 360º, algo que já começa a ser usual neste tipo de veículos e que ajuda nas manobras mais apertadas, ou então para conseguir ver a descida antes de a fazer, já que a dianteira desta Ranger Raptor é muito elevada.

De resto?

Nada a apontar. Se gasta muito? O que esperam? Pesa 2500kg, tem mais de 200cv e uns pneus que criar atrito é a sua “missão principal”. Ainda assim, em estrada, é possível fazer abaixo de 9 litros a cada cem quilómetros. Se ligarem o modo Baja, o da carrinha e o vosso, esqueçam essas contas. Para vosso bem.

O que posso dizer?

Basicamente, se gostam de se divertir fora de estrada, não há melhor que isto. Não é ideal para andarem a transportar muita carga, mas leva bem mais lenha que um SUV. A suspensão FOX faz os buracos “desaparecerem”, o motor tem “pulmão”, enquanto o interior tenta rivalizar com um automóvel “normal”, mas com toques de desportividade Ford Performance. Para terminar, a sua imagem é verdadeiramente impactante.

Essencialmente é um “GTI (ou RS) para o mato”!


Ford Ranger Raptor 2.0 TDCi 4×4

Especificações:
Potência – 213cv às 3750rpm
Binário – 500Nm às 1500~2500rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 10,5s
Velocidade Máxima (oficial): 170km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) –8,9l/100 (10,3l/100km)

Preços:
Unidade ensaiada: 63.936€



 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!