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Teste ao Born, o primeiro 100% elétrico da Cupra

Teste ao Born, o primeiro 100% elétrico da Cupra
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“EE: Elétrico Emocional”

 

Vamos ser sinceros: quem gosta de automóveis, daqueles amantes mais puristas, ainda não teve nenhuma situação em que se “apaixonou” por uma proposta elétrica. O Cupra Born quer alterar isso, ou pelo menos começar a mudar essa relação com os mais “petrolheads”.

Ou seja, este Cupra Born quer fazer o que os GTi fizeram por muitos jovens há algumas décadas, procurar adrenalina e emoção em propostas que estão, agora, mais preocupadas com o ambiente.

Como é que o Cupra Born faz isso?
Não apenas com performances puras, mas sim com detalhes…

Primeiro ponto importante é que ao olhar para o Born identificamos um Cupra, seja por uma ou outra linha típica, ou graças aos apontamentos acobreados que percorrem alguns frisos, jantes ou mesmo o logo da marca com “salero” espanhol. Para além disso, funde-se a uma imagem desportiva uma outra mais futurista, seja pela própria silhueta, seja por elementos como o pilar C texturado que confere personalidade extra ao modelo. Não, não vale dizer que os automóveis elétricos são uma torradeira, neste caso está longe de ser isso.

O aspeto conceptual não se fica só pelo exterior, com elementos como o spoiler traseiro de grandes dimensões ou as jantes de 20’’ polegadas trabalhadas aerodinamicamente, mas passa também para o seu interior, onde encontramos novos materiais e texturas interessantes.

O ambiente é simples, como tem sido normal em propostas deste tipo. Posição de condução mais elevada (mas baixa para um elétrico) graças às baterias no solo, o volante é o que encontramos em outras propostas da marca, mas que aqui surge com comandos capacitativos. São melhores? São diferentes, acabam por se utilizar sem problemas. Atrás do volante encontramos o pequeno painel de instrumentos, onde encontramos o essencial: velocidade, carga e autonomia, horas e temperatura. No vidro, um gigante head-up display com realidade virtual, que nos projeta mesmo a navegação e alertas de trânsito.

Ao centro, espaço para o sistema multimédia e comandos da climatização, tudo dentro de um ecrã de 12’’ polegadas, igual ao que encontramos, por exemplo, no Formentor. Abaixo não temos o comando de seleção de marcha, já que esse está colocado juntamente com o painel de instrumentos, de forma ergonómica, deixando um generoso espaço de arrumação na consola central.

No interior o que mais agrada é a escolha de materiais, com um revestimento das bacquets que mistura a “pele de pêssego” – se não sabem perguntem às vossas namoradas – e um tecido que parece repelente à água, evitando então assim a pele ou napa. Revestimentos tradicionais que não queremos por aqui. As luzes ambiente escondem-se e iluminam o habitáculo durante a condução noturna, enquanto o teto panorâmico (fixo) ilumina o habitáculo de luz. Os mesmos elementos que decoram o pilar C, lá fora, encontram lugar em frente do passageiro, num friso decorativo.

Os materiais são, de resto, bons no habitáculo e consola central, com as portas a contarem, na parte superior, com plástico mais rijo, muito provavelmente devido a uma superior capacidade de reciclagem, mas que não impacta em muito a pontuação elevada conseguida em muitos outros detalhes.

Mas é também no interior que encontramos, talvez, uma reinvenção de algo que não necessitava, de todo, de ser reinventado. Falo do comando dos vidros. Como se pode ver, o Cupra Born tem quatro vidros, portanto na porta do condutor deveríamos ter quatro botões em separado, certo? Pois bem, não é bem o caso. Tal como no Volkswagen I.D. 3 e I.D. 4, o Cupra Born também conta com o botão “Rear”, ou seja, se quiser abrir as janelas de trás têm de tocar nesse “botão” para depois as controlar com os dois botões (esquerda ou direita) e carregar de novo lá para operar os vidros dianteiros. Não havia necessidade…

Agora, isso “mancha” todo um interior? Obviamente que não, mas é algo que poderia ser revisto e dado o “passo atrás” quando chegar a altura de renovar este modelo. Quanto aos bancos traseiros, espaço para três adultos graças a ausência de túnel central. Já a bagageira conta com 385L e um fundo falso que ajuda nas arrumações.

Se o estilo entusiasma, será que atrás do volante a situação é igual?

O Cupra Born está disponível em duas versões: Born com 204cv e Born eBoost com 231cv. Esta era a mais comedida em termos de potência, com uma bateria de 58kWh. Ainda assim, as performances estão de certa forma garantidas, com uma aceleração dos 0 aos 100km/h em 7,3s (o eBoost reduz para os 6,6s). A autonomia é também um fator muito importante, anunciando 418km com uma carga completa.

Mas, como já vimos por diversas vezes, um automóvel elétrico não é feito “apenas” da sua potência e a Cupra entendeu isso. Assim, o Cupra Born acaba por ter aqueles “toques” que o fazem mais desportivo comparativamente a outras soluções, sem ter um aumento de potência face ao seu “primo” de Wolfsburgo.

Para começar, a direção é mais rápida, com um bom peso e mais comunicativa (dentro do possível), o que ajuda a uma maior conexão com este modelo. Depois, a suspensão ajuda a “disfarçar” os 1736kg de peso, conseguindo ainda boas reações quando se imprime um andamento mais vivo.

A tração traseira ajuda a uma agilidade extra, com uma sensação de “empurrar” à saída das curvas. Para quem procura o “drift elétrico” pode esquecer, já que o Cupra Born não permite um desligar total do controlo de estabilidade, mas sim (apenas) um modo “ESP Sport”, mais permissivo.

Em condução normal, o Cupra Born mostra-se um bom companheiro para as famílias, ainda que em piso mais degradado sejamos lembrados que montamos umas jantes de 20’’ polegadas, principalmente através do eixo traseiro. De qualquer maneira, na maior parte da situação continua a ser um bom familiar médio.

Voltando ao que foi dito ao início, o Cupra Born é um dos elétricos para (quase) todos que começa a colocar em cima da mesa a desportividade e a capacidade de ter orgulho numa escolha, que até há pouco tempo, era vista apenas como uma maneira de ser diferente, com as suas limitações. Agora, com a eletrificação a ser cada vez mais uma realidade, propostas como este Born mostram que é possível ter emoção e personalidade.

Isso foi o que achei no final de 700km ao volante desta nova proposta que pede em troca 40.988€ (49.647€ pela unidade ensaiada), onde o consumo final ficou nos 16,4kW/100km, o que oferece uma autonomia real superior a 350km. É um passo na direção certa, com algumas arestas a limar, mas que graças à sua exclusividade pode marcar o seu lugar na história da mobilidade elétrica.

Por enquanto, o Cupra Born é uma espécie de “GTi”, o que quer dizer que “GTi elétrico” é sinónimo de Cupra. Só por isso, já é vitória.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!