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Ensaio ao Formentor, o primeiro dos Cupra

Ensaio ao Formentor, o primeiro dos Cupra
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“CUV: Crossover Ultra Veloz”

 

Este é o Formentor, o primeiro modelo 100% Cupra, marca independente e desportiva da SEAT, que ao contrário dos seus atuais membros de gama, não contará com modelo equivalente na marca espanhola, que até agora lhe tem dado as bases para os “projetos loucos” e destinados aos apaixonados pela condução.

A Cupra jogou forte no que toca ao desenho do Formentor, combinando no estilo desportivo das suas linhas, ares de coupé, que por si só transmitem dinamismo e o estilo da moda, o dos SUV. Mas temos de ser sinceros, este não é um SUV. E ao vivo nem o parece. É mais uma espécie de Hatchback de dimensões mais generosas, ou como a Cupra lhe apelida: “CUV – Crossover Utility Vehicle”.

Eu decidi chamar-lhe “Crossover Ultra-Veloz”

A sua estética causa impacto, ainda mais tingida neste Azul Petrol Mate, que evidencia ainda mais todas as suas linhas e vincos ao longo da carroçaria. Na dianteira, encontramos uma face que não esconde a influência desportiva com “nervuras” mais demarcadas no capot, assim como grupos óticos mais estilizados, bem como umas óticas redondas auxiliares que preenchem bem a dianteira. Para além disso, contamos com um “escurecimento” de tudo o que são cromados, e um símbolo Cupra bem presente na grelha dianteira de dimensões generosas, ideal para arrefecer a mecânica. E bem que ela precisa…

Na lateral deparamo-nos com o tal estilo coupé graças ao desenho dos vidros, bem como pela linha descendente do tejadilho. A influência crossover dá-lhe uma altura mais generosa e livre ao solo. As jantes de 19’’ polegadas com detalhes em cobre escondem o sistema de travagem Brembo, com 370mm que garante paragens mais imediatas e à prova de fadiga.

Esses detalhes em cobre percorrem todo este Formentor, até mesmo na sua traseira, no logo da marca, com a inscrição Cupra a negro logo abaixo para que não surjam dúvidas. A luz que percorre a porta da bagageira de ponta a ponta recebe-nos com um efeito de luz interessante, e ainda garante uma assinatura luminosa bem reconhecível durante a noite. As quatro saídas de escape garantem que estamos perante uma versão mais especial de um modelo que é, já por si, peculiar. Mas quanto a isso, já lá vamos…



Primeiro, há que falar do interior.

Aqui, como no exterior, pode parecer um SEAT Leon à primeira vista, mas um olhar mais atento é a prova, uma vez mais, de que o Formentor dá aquele “passo extra” que lhe confere mais qualidade, graças a revestimentos específicos, com esta unidade a contar com bacquets revestidas a pele natural azul, que no meu gosto pessoal, são uma combinação perfeita. Para além desse tom azul, os pormenores acobreados, também aqui dentro, fazem a delícia de quem gosta de detalhes e evidenciam, uma vez mais, a exclusividade do Formentor.

De resto, o seu desenho é moderno, como no Leon, seja ele Cupra ou SEAT. A posição de condução é correta e perfeita para agarrar o volante específico deste Cupra, que conta aqui com o botão de “Start/Stop”, assim como um com o logo Cupra, que lhe muda (e muito) a atitude.

Atrás do volante, o painel de instrumentos é totalmente digital, personalizável e com elementos exclusivos, como indicação das forças G, cronómetro ou as temperaturas dos fluídos ou da transmissão. Ainda no campo da tecnologia, o sistema multimédia é composto por um ecrã de 12’’ polegadas, muito completo e com boa apresentação.

Atrás do “sortudo” que vai ao volante e do seu passageiro, quem vai atrás conta com um bom espaço, ideal para dois adultos, já que o túnel central é algo intrusivo, culpa da tração integral. Mas esses dois passageiros vão muito bem instalados, com bom espaço para pernas e cabeça, assim como uma climatizarão específica e um apoio de braços, que também pode ser transformado num porta-ski, algo que me deu muita vontade de experimentar fazer, e que servia como desculpa para uma longa tirada neste Formentor, por exemplo até aos picos da Europa. Não fosse o confinamento…

Se o objetivo não for apenas transportar pranchas, os 420L de bagageira nesta versão de tração integral, servem perfeitamente para uma família, graças também a um portão de abertura elétrica e bocal de amplo acesso.



Tudo isso é importante, mas quando estamos perante o Cupra Formentor mais potente, estes aspetos passam para segundo plano. Senão, basta ver a sua ficha técnica: motor 2.0 TSi com 310cv e 400Nm binário, tração integral Haldex que garante a máxima aderência, e que consegue uma aceleração dos 0 aos 100km/h em menos de cinco segundos, graças às passagens rápidas da transmissão DSG de sete relações.

Este é o Formentor VZ, ou como deve ser lido: “Formentor Veloz”. Tão veloz que se esqueceram do resto das letras, e deixaram apenas a primeira e a última.

Como é conduzi-lo?

Este Cupra cumpre aquilo que um cliente de um automóvel deste tipo tanto quer: dois polos opostos. Na parte mais fria, um conforto e silêncio para as viagens de dia-a-dia; no outro, mais quente, um verdadeiro “animal” que nos pede para explorar todo o seu potencial, que aviso desde já, é muito.

Óbvio que se estão aqui, provavelmente querem é a parte mais “quente” do Formentor VZ.

Sem mais demoras, selecionando o modo Sport ou Cupra, e este motor, tal como senti no ensaio ao Cupra Ateca, é um verdadeiro “poço de força” com muitas ganas até ao limiar do seu redline, sempre muito cheio e com pujança, pronto para “puxar e empurrar” os mais de 1600kg que acusa na balança.



No entanto, não parecem. Nota-se que há um incremento de peso, é certo que não há milagres, mas é como conduzir um Leon Cupra um pouco mais elevado, sendo muito ágil tendo em conta as suas dimensões. A tração integral 4Drive faz de tudo para garantir uma elevada dose de aderência até um nível muito alto, e aí, só os Bridgestone Turanza que este Formentor “calça” parecem não ser o par ideal para tanta dose de potência. Uns pneus mais dedicados, e poderíamos mesmo “colar” um pulmão ao outro em curva, o que prova a elevada competência do conjunto.

A entrada em curva é decidida, com uma direção rápida e direta, que transmite mesmo uma boa informação ao longo da curva, muito graças também a uma suspensão adaptativa que segue bem o traçado do piso e que pode mesmo ser configurada no modo individual. Mas é em saída da curva que o Formentor mais impressiona. Com confiança, atira-nos “como uma bala” para a próxima sequência serpenteante de curvas, seja pela potência do TSi e dos seus 310cv, ou pela tração integral. Chegados lá, é altura de carregar no pedal da esquerda e ativar os massivos discos de travão Brembo, que não parecem cansar-se, sempre com uma mordida forte e bom tato. Graças a isso, são bons para usar no modo de “um pé em cada pedal”.

O som de escape no modo Sport (no Cupra tem ajuda de sintetizador) é presente, notando-se a um regime mais alto, com algumas detonações em subida de relação, ou as típicas “pipocas” nas reduções, que enriquecem ainda mais a experiência de quem vai ao volante.

Depois de provar que as prestações impressionam, selecionando o modo ‘Confort’, o Formentor é um excelente amigo de viagens em família, com conforto e em silêncio. É uma verdadeira diferença entre duas personalidades, ou, por outras palavras, é como se saíssemos diretamente de um concerto de Punk Rock para a mesa de um Brunch domingueiro…

No que toca a finanças, no final de mais de 400km, os consumos ficaram nos 9,8L/100km, sendo possível fazer menos com uma condução normal e sem nos deixarmos “cair em tentação”. Uma unidade igual a esta custa 55.937€, começando nos 49.387€ sem os opcionais presentes. Se a estética do Formentor agrada, está disponível desde os 33.526€ para a versão equipada com o motor 1.5 TSi de 150cv e transmissão manual.

Concluindo, o Formentor vai definitivamente aumentar as vendas da Cupra, graças a um estilo que fez virar cabeças, num automóvel verdadeiramente polivalente que agrada tanto a parte aspiracional, quanto a funcional. Agora, cá para nós, que tanto gostamos de desportivos: há uns Formentor a rodar em Nurburgring, com um som de cinco cilindros. Vocês querem ver que…

 

 

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!