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Long Drive: Citroën C4 até à Estrela

Long Drive: Citroën C4 até à Estrela
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Long Drive #1: Conforto é Estrela

 

Long Drive é um segmento de ensaios, num formato mais compacto, onde revisitamos um modelo por nós já conhecido. Para o redescobrir fazemo-nos à estrada, sempre por mais de 500km, para ver os seus pontos mais e menos positivos. Hoje, Citroën C4, na versão Shine Pack com o motor de 155cv.

 

Para este “Long Drive” com o Citroën C4, a proposta de segmento C da marca francesa, escolhemos ligar Lisboa à Serra da Estrela, passando Castelo Branco e terminando na Serra da Lousã, uma volta de cerca de 500km, onde quisemos experienciar o conforto da proposta da marca do Double Chevron.

Como companheiro de viagem, testámos o Citroën C4 no motor que faltava, o 1.2 PureTech de 155cv, o mais potente da gama, ideal para enfrentar tanto longas tiradas de autoestrada como percursos montanhosos, sempre com a mesma ideia: “Vale a pena gastar mais 2000 euros pelos 25cv extra face à versão de 130cv?”

A resposta, que pode ser demasiado rápida, é negativa. Parece-nos que esse dinheiro é melhor empregue em opcionais ou para reservar em gasolina, já que os 155cv não se mostram muito diferentes da versão de 130cv numa utilização normal, embora no cronómetro tire praticamente 1s dos 0 aos 100km/h, precisando de 8,5s para cumprir esse arranque.

Mais ainda porque o Citroën C4 é “all about” conforto e não tanto em dinamismo, portanto potência extra é quase sempre bem-vinda, mas neste caso não é assim tão necessário. Já a versão Shine Pack é uma boa escolha, que preenche todos os requisitos mesmo dos clientes mais exigentes, com equipamentos de série como sistema de som Hi-Fi, bancos em pele (com algumas regulações elétricas para o condutor, bem como aquecimento e massagem para quem vai à frente), Pack Drive Assist com Highway Driver Assist (que é basicamente o Cruise-Control Adaptativo com manutenção ativa de via), mas também um sistema multimédia completo com Apple CarPlay e Android Auto, ainda que com fios, o que poderia tornar ainda mais vantajoso o sistema de carregamento dos smartphone por indução.

 

Agora vamos aos Pontos Positivos:

Conforto

Obviamente o conforto é o ponto de destaque deste Citroën, e talvez seja por isso que venha a ser escolhido face a outras propostas do seu segmento. O Advanced Confort da marca junta aqui os seus bancos confortáveis a uma suspensão afinada para o conforto, ajuda dos amortecedores com batentes hidráulicos progressivos. Não é um tapete voador, mas é o mais próximo que conseguimos por um valor acessível.

Espaços de arrumação

O habitáculo do Citroën C4 está bem organizado, com comandos físicos que aplaudimos, sendo, por isso, fácil de conviver no dia a dia. Contudo, os seus espaços de arrumação, são, para mim, um outro ponto forte. Desde o porta-luvas duplo, aos espaços na consola central, sem esquecer o SmartPad Support, sistema que permite que o passageiro que vai sentado à frente consiga ir a assistir a filmes ou séries no seu tablet durante a viagem. Nada mau, quando temos um banco aquecido e com massagens… para quê ir a um cinema?

Preço

O C4 é uma proposta de segmento C, com uma dimensão e espaço interior que demonstram bem isso, assim como o seu equipamento. Mas o seu preço é praticamente de segmento inferior. Esta unidade, que não poderia estar mais equipada, com o motor mais potente, passava por pouco a barreira dos 32 mil euros. A gama começa nos 21.942 euros para a versão Feel de 100cv.

Mas como em tudo, também há Pontos Negativos. Vamos a eles:

Acabamento do revestimento do tejadilho

Pode parecer algo mesquinho, mas é complicado de esquecer depois de se reparar. Sabemos que os custos devem continuar baixos, mas o C4 conta com um revestimento que não parece ter a qualidade devida, exibindo alguns relevos e áreas mal coladas. Uma pena, num automóvel que faz “brilharetes” em outras áreas, falhar em algo assim tão simples. Deve ser resolvido assim que possível, Citroën.

Head-Up Display

Sim, o C4 pode contar com um sistema Head-up Display, mas a solução usada (projetar numa superfície acrílica própria em vez do próprio para-brisas) acaba por distrair um pouco o condutor, ainda que cumpra bem a sua função de informar de tudo o que se passa: velocidade, navegação e limites de velocidade. Durante a viagem optei por não usar o sistema, usando o simples painel de instrumentos situado alguns centímetros abaixo…

Insonorização

Aqui, o C4 sofre do seu próprio sucesso. Ou seja, o motor 1.2 PureTech não é demasiado ruidoso, o que acontece é que o C4, por ser tão “relaxante” e confortável, torna mais notória a sua presença com a passagem de algumas vibrações e som do motor quando circulamos em regimes mais elevados. Se quiserem retirar este problema da lista, existe a versão ë-C4, 100% elétrica do modelo, a qual também já foi testada no MotorO2.

Conclusão

No final, foi bom redescobrir o Citroën C4, que percorreu mais de 1000km ao longo de cinco dias, com uma média final de 6,6L/100km, muito aceitável para os seus 155cv. Quanto ao percurso dito acima, ficou em 7,0L/100km. É uma proposta puramente familiar, que poderá agradar às famílias, seja quem vai à frente ou nos lugares traseiros. É um Citroën dos tempos modernos, com alguma tradição do passado.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!