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KIA e-Soul em teste: Imagem distinta, economia de sempre

KIA e-Soul em teste: Imagem distinta, economia de sempre
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“Porquê fora da caixa?”

 

O KIA Soul é um modelo está presente na gama da marca coreana desde 2008, nunca tendo sido um grande sucesso de vendas devido ao seu estilo polarizador. Mas, na verdade, o Soul é mais do que apenas um modelo, já que em 2014, na sua segunda geração, foi o primeiro modelo a oferecer três diferentes motorizações: Gasolina, Diesel ou elétrico.

Agora, em 2022, o e-Soul é apenas elétrico e tem a tarefa difícil de se destacar numa gama que conta com um produto líder como o EV6, bem como outro grande sucesso e-Niro que foi agora 100% renovado. Mas o e-Soul tem trunfos na manga.

Dizer que o e-Soul não se destaca é claramente um impropério, porque algo que este KIA tem é originalidade e carácter, graças a um design boxy, diferente como a cultura “K-Pop”. A dianteira conta com os grupos óticos divididos, o superior mais estreito e abaixo o principal. A tomada de carregamento está colocada na sua dianteira, para mais fácil acesso. O pilar A é pouco inclinado, dando origem a um tejadilho plano em cor de contraste, face, neste caso, ao azul que reveste a maioria da carroçaria. A lateral conta com alguns “truques” de design para o tornar mais dinâmico, como é o caso das linhas das superfícies envidraçadas, assim como o plástico na parte inferior das portas. As jantes contam com uma preocupação aerodinâmica.

A traseira é talvez a secção onde o gosto poderá ser mais subjetivo, com os faróis verticais curvilíneos a estarem dispostos em redor do vidro traseiro. Ao centro do portão de bagageira, a cor do modelo volta a estar dividida por um elemento em preto, que quer fazer parecer que o vidro conta com maior dimensão do que realmente tem. Os plásticos negros também estão aqui presentes, lembrando que o espírito crossover é sempre importante estar presente. Na verdade, o e-Soul é visto como um.



O interior é mais convencional, e um bom exemplo de como um interior prático deve ser concebido. Os bancos contam com um bom conforto e apoio, sem exageros. A visibilidade para o exterior é boa graças a uma posição de condução elevada, e os instrumentos são também de fácil leitura, com informação completa.

O restante tablier está organizado de forma lógica, com comandos que estão “divididos” entre o sistema multimedia e a climatização. No que toca ao sistema multimedia de 10,3’’ polegadas, conta com boa dimensão, mas não é o mais recente da marca, ainda assim é de fácil utilização. Contudo, a ausência de navegação limita um pouco a pesquisa de postos de carregamento. Mas, para colmatar isso, o e-Soul conta com os sistemas de projeção de smartphone Apple CarPlay e Android Auto sem fios, onde é possível instalar algumas aplicações já compatíveis com estes sistemas operativos.

Existem ainda vários espaços de arrumação, com o destaque também a ir para a qualidade de construção geral, que não apresenta falhas nem ruídos parasitas, mostrando-se sólido. Aqui, no interior, apenas um pequeno reparo para o funcionamento do comando dos vidros elétricos, que só o do condutor tem função automática, e mesmo esse, apenas para abrir, não para fechar.

Atrás, o espaço é bastante positivo, com bom espaço para as pernas e principalmente em altura, com passageiros mais altos a poderem acomodar-se no assento traseiro sem ter de contar com ajustes de quem vai à frente. Aqui, podem também sentar-se três adultos, já que o túnel central é pequeno e não muito intrusivo.

Mas é na bagageira que descobrimos o ponto menos forte do KIA e-Soul. Com apenas 315L é mais pequena do que a oferecida pelo novo e-Niro, sendo mesmo mais pequena do que a do KIA Rio, que é um modelo de segmento B. Contudo, há sempre a hipótese de rebater os bancos na proporção 60:40.



Passando para a condução, o KIA e-Soul está disponível com apenas uma escolha de motor e bateria. Para o motor utiliza o mesmo encontrado no e-Niro, debitando 204cv de potência, entregues às rodas dianteiras. A bateria de 64kW promete uma autonomia superior a 450km.

E isso é possível de atingir, com o KIA e-Soul a revelar-se muito poupado no que a consumos diz respeito, sendo fácil manter os valores em torno dos 14kWh/100km, com os percursos citadinos a conseguirem valores ainda mais baixos. Isso é também ajudado graças às patilhas montadas atrás do volante, que permitem uma gestão melhor da regeneração. Para se ter uma noção, com os consumos conseguidos no ensaio, a autonomia seria de 457km, mais do que o anunciado em ciclo misto.

Em termos de performance, os seus 204cv estão muito bem ajustados face ao peso e dimensão deste modelo 100% elétrico, conseguindo apresentar boas prestações. No entanto a serenidade é o mais importante neste tipo de modelos, com o KIA e-Soul a revelar-se também tranquilo e com baixo ruído dentro do habitáculo, só se sentindo o som de rolamento a velocidades mais elevadas. Ponto positivo para o tato do travão, que não é muito diferente do encontrado num automóvel a combustão, não apresentando aqueles primeiros 10/20% “esponjosos” e que requerem sempre alguma habituação.

O comportamento dinâmico pode ser, para muitos, surpreendente, já que o KIA e-Soul não é um automóvel aborrecido de se conduzir. As baterias colocadas no piso ajudam a baixar o centro de gravidade, o que torna as suas reações positivas, assim como uma direção rápida que ajuda a aumentar essa sensação. No entanto, pode-se esperar algum adornar de carroçaria, de forma a que esta proposta continue a ser confortável.

Quanto a preços, o KIA e-Soul está disponível através de uma campanha promocional por 43.600€ (opcional de pintura metalizada), com uma garantia de fábrica que ainda continua a ser das mais abrangentes do mercado, de 7 anos ou 150.000km. No que toca a carregamentos, o e-Soul aceita até 100kW de carga rápida, o que permite carregar dos 0 aos 80% em 54 minutos.

O KIA e-Soul é, por tudo isto, um carro simples de usar e muito agradável. É como o próprio estilo de música, “cai bem” em qualquer ocasião. É um automóvel com um estilo diferente, mas com muito conteúdo, como um habitáculo confortável, uma condução que consegue também agradar e uma autonomia recordista. Para além disso temos um factor preço que até poderá fazer pensar se não é altura certa para mudar para um elétrico. O seu único contra é a bagageira… e o estilo, caso não goste.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!