Início Ensaios Dacia Duster com o motor de entrada de 100cv. Vale a pena?

Dacia Duster com o motor de entrada de 100cv. Vale a pena?

Dacia Duster com o motor de entrada de 100cv. Vale a pena?
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“Descomprometido”

 

A criação mais popular da marca do Grupo Renault introduziu talvez a motorização mais importante desde o lançamento da segunda geração do modelo. O motor ‘mil’ TCe de 100cv está disponível em toda a gama, oferecendo assim uma nova porta de entrada para quem quer um Duster.

 

A Dacia revela-se cada vez mais um caso de sucesso, e nem é preciso muito tempo a circular nas nossas estradas para isso ser percebido. Contudo, sempre achei o Duster “maior” do que a própria Dacia, é um automóvel que não é apenas “Low-Cost”, mas um regresso a uma era mais simples e descomprometida do que era um “jipe”.

Se a primeira geração já divertia, mas era ainda algo – permitam-me a expressão – “tosca”, esta segunda limou esses detalhes e ainda sendo uma proposta com um preço verdadeiramente vencedor, consegue um ar mais cuidado, assim como um interior que deu um grande salto, seja em qualidade (maioritariamente aos olhos) e em construção, com acabamentos e espaços entre plásticos de menores dimensões.

No exterior, o modelo tem agora uma imagem mais moderna e dona até, imagine-se, de alguns detalhes. Deu-se a esse luxo!

A grelha está agora melhor incorporada numa frente de aspeto robusto, mas mais curvilínea que anteriormente, enquanto os vincos na carroçaria lhe dão uma imagem mais dinâmica e apelativa. Na traseira, o ponto de destaque vai obviamente para os farolins traseiros, que para além de bem conseguidos, algumas pessoas os confundem com os usados por um outro modelo de uma marca de automóveis, apenas dedicada a veículos “fora de estrada” …

Nesta versão Prestige, as jantes de 17’’ dão uma maior elegância ao exterior deste Romeno aventureiro.



Passando para o interior, podemos voltar a comprovar a evolução. Não, não comecem a apalpar os plásticos a ver se são moles. Eles não são. É de esperar que aqui os plásticos sejam rijos, mas a montagem não mostra falhas, não exibindo ruídos parasitas.

O desenho está bem mais moderno, com uns comandos de climatização que foram estreados aqui, e que tomaram lugar igualmente nos habitáculos do Renault Clio e Captur. O grafismo do painel de instrumentos é simples, mas eficaz, com o mesmo a passar-se com o sistema Media Nav 4.0, que embora pareça algo antiquado, funciona rapidamente, contando mesmo com Apple CarPlay, pena o ecrã exibir alguns reflexos em dias mais ensolarados.

Ainda no interior convém falar do equipamento, que nesta versão Prestige já conta com elementos como volante e bancos em couro, detetor de angulo morto, camaras de estacionamento e de ajuda em fora de estrada (opcional que mostra as laterais, traseira e dianteira), cruise-control com limitador de velocidade e vidros traseiros escurecidos.

Para além deste equipamento recheado, o Duster revela-se também uma proposta espaçosa, conseguindo transportar os cincos passageiros que se compromete, para alem de 445L de bagagem.

Mas aqui o “ponto-chave” não é falar de novo do Duster, mas sim do seu novo motor TCe100. Esta é uma opção interessante para quem não quer o diesel (nem gastar tantos euros na aquisição, já que é menos 2.000 que a versão de 130cv) e assim conseguir um SUV com preços que começam nos 13.500€ para a versão Essential.

Obviamente não se pode esperar andamentos frenéticos, primeiro porque o Duster não é para isso, e segundo é um motor com 999cc e 100cv com 160Nm de binário.

Agora se me perguntarem se chega?

Eu respondo que sim, chega para alguém que faça percursos mistos ou citadinos. Chega perfeitamente.



Este motor está conectado a uma transmissão manual de cinco velocidades (o TCe de 130 conta com seis) e conta com um funcionamento bastante suave, mostrando igualmente que a insonorização do Duster, relativamente à anterior geração, também melhorou.

Disponível apenas em tracção dianteira (se quer aventuras tem de ter o diesel de 115cv) este Duster consegue, ainda assim, levar-nos para os maus caminhos, desde que não contem com subidas muito ingremes ou traçados muito técnicos que dependam de uma maior tração e neste caso, uma maior potência.

Andámos obviamente pela areia, já que é impossível manter um Duster limpo, bem como ao mesmo tempo aguentar a tentação de não se divertir a bordo deste modelo que tem ganho lugar em muitas famílias europeias como o “carro lá de casa”.

O Duster é um automóvel que não nos arrebata o coração, não é um automóvel que nos emocione na sua condução, mas é uma proposta que pelo que se paga traz mais do que pede. Esta unidade, custava 18.187€, já que contava com os opcionais de pintura metalizada, pneu sobresselente, ar condicionado automático e as tais camara multiview. Até os opcionais são baratos… quem não gosta de bons negócios?


DACIA Duster Prestige TCe 100

Especificações:

Potência combinada– 100cv/5000rpm
Binário combinado – 160Nm às 2750rpm
Aceleração do  0-100 (oficial): 12,5s
Velocidade Máxima (oficial): 168km/h
Consumo Combinado Anunciado – 5,8L/100km
Consumo Combinado Medido – 6,6L/100km

Preços:
Dacia Duster desde: 13.500€
Unidade ensaiada: 18.187€

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!