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Testámos toda a gama Abarth, em Pista!

Testámos toda a gama Abarth, em Pista!
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“Um dia na pista, com a picada do escorpião”

O convite era irrecusável: “espremer” todos os modelos da gama Abarth, no Circuito Vasco Sameiro, em Braga, um dia antes do Abarth Day 2018, evento que este ano contará com mais de 500 participantes, um número que tem vindo a aumentar.

Na pista, duas novidades: o 695 Rivale, um Abarth muito “picante”, mas cheio de luxo; e o 124 GT, uma versão para conhecedores, onde o mais importante é o peso graças ao seu hard-top em carbono e jantes ‘ultraleggera’. Mas a esses detalhes já lá vamos…

Antes de tudo, um briefing para saber as regras: obviamente foi pedido bom-senso, mas apenas isso, não havia mais regras. Tínhamos uma gama inteira de carros, mais do que os participantes. Portanto, vamos para a pista!

O percurso de Braga, para quem conhece, mistura uma longa reta, com um “miolo” mais técnico, onde o que mais importa é a entrada em curva, de forma a evitar perder tempo (ou saídas de pista). Aqui, para ser mais rápido tem que se ser calculista. E de Abarth em Abarth muito muda, como vão descobrir connosco.

Começamos pelo 124 Spider. Foi inevitável, foi o Abarth que mais gostámos até hoje, e a possibilidade de o conduzir em pista é mais do que cativante. O motor 1.4 Turbo de 170cv, que em conjunto com um chassis bem rígido, um baixo peso e tração no sítio certo (leia-se, enviado para as rodas traseiras) tornam este conjunto muito desejável. Para além disso, toda a componente da marca italiana, onde se inclui, claro, o som cativante.

O som, esse, é proveniente do escape Record Monza, e para quem não sabe foi Karl Abarth quem inventou esta marca. Sim, o Austro-Italiano obcecado por corridas foi também o “pai do tunning”. Era tão obcecado que com 57 anos de idade, emagreceu 30kg para entrar no monolugar (Fiat Abarth 1000 Class G para bater um recorde de aceleração em Monza, fazendo o mesmo no dia seguinte com um monolugar de Classe E, ou seja, mais potente.

Mas estamos em Braga, e nada melhor do que acelerar e aproveitar estes modelos nas próximas 6 horas.

Modo Sport? Check. Controlo de tração? Por enquanto ligado, já que a pista estava ainda húmida das chuvas noturnas e não queríamos estragar o dia. O Abarth 124 Spider dá logo muita confiança, e depois de o aquecermos conseguimos chegar ao fim da reta a mais de 180km/h, travando forte para uma curva à direita que antecede a uma esquerda longa, ótima para testar o equilíbrio do carro, e aí o 124 Spider cumpriu muito bem. Nota-se o seu carácter traseiro, mas extraordinariamente fácil de domar, o que é visto no resto do traçado bracarense. De ressalvar a última secção da pista, mais rápida e técnica, importante fazer bem para conseguir uma boa velocidade de ponta. Com o 124 podemos entrar mais rápido, graças à sua frente leve que nos permite apontar bem a saída, e se isso for algo complicado, temos sempre o powerslide

Depois de mais de duas dezenas de voltas, encostámos às boxes e fomos “pegar” no Abarth mais racional de todos, já que faz um bom equilíbrio entre performances/preço. Falamos, claro, do 595 Pista, que com 160cv já consegue fazer muitos “estragos”, e para os evitar fazer na rua, aproveitemos a oportunidade.

Aqui, a condução é completamente diferente do roadster da marca. Seja pelas dimensões ou pelo eixo motriz. No 595 temos de ser mais suaves para conseguir baixar o tempo por volta, e não “acordar” o ESP que não é desligável, que a marca nunca se mostrou interessada em alterar ao longo dos anos.

Ainda assim não nos tira prazer de condução. Os 160cv têm raça e mostram toda a sua “pica” quando o turbo ‘sopra’ com mais fulgor acima das 3000rpm. Aí, o som invade o habitáculo, e nas mudanças de caixa solta umas muito apetecíveis “pipocas”. Para comparação, a primeira curva tem de ser feita de forma mais calculista, para evitar um “escorregar de frente” e subsequente perda de tração, embora a última secção de três curvas seja divertida de fazer rápido, isso não significa que seja bem feita…

Passamos para o Abarth mais radical de todos, ainda disponível na gama: o 595 Competizone, com 180cv, bacquets Sabelt, travões sobredimensionados, e mais importante que isso tudo: diferencial autoblocante mecânico. São notórios os 30cv extra, já que no final da reta chegava 10km/h mais rápido que o Pista. O diferencial mostra um bom trabalho na curva 2, longa e em apoio que exige muito da aderência que conseguimos “pôr no chão”, é aí que a diferença surge. Quanto à ultima secção? Praticamente igual ao Pista, apenas com a diferença de que podemos “esmagar” o acelerador um pouco mais cedo para atacar o final da volta.

Depois de mais um tempinho com o 124 Spider com ESP desligado por diversão, conseguimos ver que este modelo consegue ser tão divertido como eficaz, mas a bandeira axadrezada é mostrada. Contudo, não é o fim da “corrida”, mas sim uma paragem para nos alimentarmos, bem como aos nossos amigos Italianos.

Da parte da tarde, mais três modelos, e começamos com um dos que mais nos impressionou aqui no MotorO2, e que é dono também de um dos artigos mais lidos. Falamos do 695 Biposto, que embora já não esteja presente na gama da marca do escorpião, estava cá para demonstrar o que a marca consegue fazer.

Para quem não conhece, convidamos a ver o ensaio. Resumidamente, é um Abarth pronto para a pista, mas que tem a regalia de possuir uma matrícula que o deixa circular na estrada.

Portanto, menos de 1000kg, um motor com muitos “upgrades” que o permitem chegar aos 190cv de potência, apenas dois lugares, muito carbono, e pouco equipamento. Uma espécie de Ferrari F40 da Abarth. A condução? Uma verdadeira loucura, tanta que me valeu um aviso de estar a ser… demasiado rápido! –Peço desculpa…

Aquelas duas zonas de abordagem que temos vindo a comparar, no 695 Biposto assumem uma outra realidade. Podem ser encaradas mais rápido já que o diferencial e baixo peso conseguem manter este “supercarro” nos carris, enquanto a caixa Bacci Romano, tipo Dog Ring, permitem passagens de caixa sem o uso de embraiagem. Um verdadeiro deleite em pista, e um pequeno pesadelo na cidade (ler ensaio). Este é a verdadeira “track machine” da marca que, para se ter uma noção, é praticamente 4 segundos mais rápido por volta que o 124 Abarth. Mas essas performances têm um preço, e esse assusta, com esta unidade que não contava com todos os opcionais a ultrapassar os 55.000€!

Voltando para um mundo mais real, mas ainda assim exclusivo, o 695 Rivale é a nova edição limitada da marca, com apenas 3000 unidades a serem construídas para o mundo inteiro, numa comemoração dos 175 anos da Riva, uma conhecida marca de iates italiana, que também teve o seu início no desporto náutico. Destaca-se pela sua pintura bi-tom, as jantes cinzentas, e a capota também azul, caso se opte pelo 695C.

Por ser um 695, é também mais artesanal e exclusivo, sendo ultimado na fábrica da marca, em Itália, onde são igualmente construídos os modelos de competição. No caso do 695 Rivale, o interior é das áreas que mais muda, com as confortáveis bacquets em pele azul, ou o carbono que reveste o tablier, que pode mesmo assumir um acabamento mogno em opcional, como a nossa unidade contava, e que dá mesmo um grande resultado estético.

Em condução, é um 595 Competizione. As ligações ao solo são as mesmas, assim como o motor, o que o torna também num dos Abarth mais potentes que pode comprar.

Para o fim, a última novidade: 124 GT. Aqui o foco foi o peso, com o uso de um hardtop integralmente feito em carbono (que pesa apenas 16kg), e que lhe dá um melhor conforto acústico, bem como melhor rigidez torsional.

As jantes contam com um novo desenho, mais leves (-3kg cada uma), que diminuem assim o peso suspenso do automóvel, melhorando a condução. Na prática, essas diferenças não foram muito notórias, já que não existem diferenças mecânicas de fundo, contudo, tiraremos a “prova dos nove” quando o analisarmos em detalhe.

Chegámos ao final de um dia inesquecível. Perto de 50 voltas dadas ao circuito, e podemos dizer que a Abarth está de boa saúde e recomenda-se. A marca é uma verdadeira lufada de ar fresco num mercado cada vez mais “atinadinho”, que nos permite sonhar com automóveis e ter a verdadeira paixão, aquela irracional, mas que tanto gostamos.

Para o ano há mais! (se não se tiverem chateado comigo…)

Fotos: AIFA/Jorge Cunha

Lê também os nosso ensaios individuais a cada um dos modelos:

Abarth 595 Competizione – “Escorpão em cor de Abelha”
Abarth 595 Turismo – “Red Devil”
Abarth 595 Pista – “Ponto Intermédio”
Abarth 695 Biposto – “Monofocal”
Abarth 124 Spider – “O Lado negro da força”

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!