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Volvo V60 Polestar Engineered Twin Engine

Volvo V60 Polestar Engineered Twin Engine
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“Segundas Intenções”

  

Assim que vi o que o nome Polestar estava de regresso, dei por mim e estava a abrir o e-mail para enviar uma pequena mensagem à Volvo. Assunto? “Marcações Polestar”!

 

Pois é, três anos depois (o tempo voa!) estou de novo ao volante de uma Volvo V60 Polestar, e quem não leu, pode recordar. Na altura chamei-lhes de “filhos bastardos” de uma marca que não nos habituava a níveis de performances como aqueles. Agora, tudo mudou…

Vamos ver o seu nome: Volvo V60 Polestar Engineered, ou seja, a Polestar andou a pôr as mãos na massa e criou algo especial. Sim, é especial, e a potência aumentou; se antes tínhamos 367cv, agora contamos com 405cv, mas graças a outro motor, um motor elétrico. Heresia?

Não, nada disso. Isto é, muito provavelmente, o futuro dos desportivos, devido a preocupações ambientais e de forma a baixar o nível de CO2 da gama. No caso da Volvo, é uma “ponte” para o seu futuro elétrico, que a marca já assumiu querer seguir. Pois bem, é melhor?

Não posso dizer ser melhor. Mas pior, não é. É diferente. É como se a Volvo tivesse entrado pela porta da Polestar e tivesse dito: “Mas o que é que vem a ser isto? Vocês são malucos? Então, mas andamos nós a falar de eletrificação, de segurança e de bem-estar a bordo e vocês querem criar desportivos?”

A conversa, que não deve ter existido a não ser na minha cabeça, surtiu efeito. E os azuis elétricos de anteriormente, deram agora lugar a tons mais sóbrios, e a cor que é agora imagem de marca é um “dourado muito amarelado” que se encontra em elementos como as maxilas que mordem os discos, ou nos cintos que nos agarram aos bancos.

Pois bem, no exterior há diferenças. E sim, nota-se que é a versão mais desportiva da gama. Eles estão mais calmos, mas também não ficaram adormecidos!

Na dianteira há um novo para-choques, com maiores entradas de ar, onde a “estrela” da Polestar está presente junto ao símbolo da marca sueca. Na lateral, é evidente que a distância ao solo está mais diminuta, ainda que os olhos nos fujam para as elegantes jantes de 20’’ em alumínio que “calçam” tão bem esta carrinha desportiva. Já vos disse que adoro carrinhas desportivas?



A traseira, junta a bela imagem da Volvo V60 com os “pózinhos” de desportividade, graças a um para-choques mais radical, que esconde a dupla saída de escape com bocais escurecidos. Uma pose atlética que lhe fica tão bem. É o passo acima da R-Design…

Passando para o interior, as mudanças são de detalhe. Obviamente, os olhos fixam-se nos cintos de segurança, que a nível pessoal são um toque delicioso, pena que fiquem basicamente por aí. Acho que devia existir pelo menos um tema para a instrumentação específico e exclusivo desta versão. De qualquer maneira, os bancos não merecem reparos, juntando o conforto típico da marca, com o apoio necessário. Tudo num interior que continua a ser prático e bem suficiente para uma família. Apenas o túnel central é algo intrusivo, sendo mais aconselhável o transporte de apenas quatro passageiros.

Só para que saibam, já que estamos a falar de uma carrinha, a bagageira, ou “misturadora” se houver muito entusiasmo ao volante, tem 529L de capacidade.



Mas o que vos trouxe aqui não foi muito isso, pois não? Vocês querem é barulho de escape bem audível. Não vos quero desiludir, mas a Volvo V60 Polestar gosta de fazer “pouco barulho” quando liga, apenas elétrica, sem levantar suspeitas…

Sendo uma Plug-In, obviamente a sua prioridade está em poupar, ligando sempre por defeito no modo Hybrid. Nos meus caminhos regulares, consegui atingir 38km em modo elétrico, podendo optar por esse modo Pure se quisesse que o motor 2.0L Turbo nunca entrasse em ação. A condução revela-se superdescontraída, ainda que se note a suspensão Ohlins mais “rijinha”, em conjunto com os pneus com pouca “parede”. Mas tudo isso são bónus.

Antes de falar do modo que importa, o Constant AWD permite que esta V60 Polestar esteja constantemente com o motor a combustão e elétrico ligados de forma a ter sempre a tração em ambos os eixos, ideal para quando a chuva já forma um rio na estrada, e vocês não têm muita paciência para andar devagar.

Depois, há o modo “Polestar Engineered”, e aí o grafismo perde o mostrador “certinho” da utilização ECO e recebe o “tradicional” conta-rotações, o pedal fica mais sensitivo e a direção um pouco mais pesada, e o tal som de escape (devido ao nosso pé afundar mais no pedal) começa-se a ouvir mais. 

 – “Afinal há Polestar!”

O seu peso aumentou, mas a potência também, e isso equilibra a relação peso/potência que é de 4,9kg/cv. Ainda assim é notório o seu peso elevado, que roça os 2000kg. A entrada de curva é feita de forma um pouco mais lenta, mas logo mal tudo estabiliza o pedal pode ser “esmagado”; a tração total encarrega-se de a manter nos eixos, e aqui é notório a ajuda elétrica que dá um boost superior, mas também mais suave que anteriormente.



Na verdade, são mais de 600Nm de binário, que primeiro surgem a baixa rotação graças ao motor elétrico, e depois juntam-se ao do motor de combustão que tem (só ele) 430Nm às 4500rpm. Ao cronómetro, esta nova filosofia da V60 Polestar é mais rápida no exercício dos 0 aos 100km/h que a anterior, levando apenas 4,6s! O que nos leva a crer que afinal a eletricidade tem uma “segunda intenção” aqui…

É uma opção rápida, que permite algumas aventuras, com o sistema de travagem sobredimensionado bem-vindo para parar toda esta massa, e a exigir algum hábito inicial graças ao curso do pedal, mas que se mostrou ótimo para travagem com o pé esquerdo. A suspensão da Ohlins é regulável manualmente. Basta abrir o capot e rodar os manípulos (dourados também) de forma a ajustar o rebound da suspensão, se mais suave ou mais “seca”. Tudo pormenores, que ajudam a ganhar o coração de quem estava a pensar numa T8, mas que depois fica a sonhar com a Polestar Engineered…

Portanto, como conclusão: a nova V60 Polestar consegue fazer “praticamente” o mesmo que a anterior, com menos dramatismo (que na verdade também importa, e muito), mas os números não mentem, esta carrinha é rápida. A vantagem está na sua maior capacidade de utilização, que baixa os consumos para valores bem mais aceitáveis. Já o seu preço é quase uma dezena de milhar de euros mais reduzido que o da anterior geração, mas quase 8.000€ a mais do que uma V60 T8 R-Design que tem menos 15cv, mas também um sistema de travagem e suspensões “normais”. Mais do que uma questão de necessidade, é uma questão de gosto.


 Volvo V60 Polestar Enginered T8 Twin Engine AWD

Especificações:
Potência combinada – 405cv
Binário  combinado – 670Nm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 4,6s
Velocidade Máxima (oficial): 250km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 2,7l/100km (5,4l/100km)

Preços:
Nova Volvo V60 Polestar desde: 70.354€
Preço da unidade ensaiada: 76.867€

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!