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Teste completo: Opel Corsa 1.2 Turbo GS Line

Teste completo: Opel Corsa 1.2 Turbo GS Line
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“Nova vida”

 

Falar sobre o Corsa, é falar sobre a Opel. Este modelo atravessa décadas, já que está entre nós desde 1982 e é também responsável por mais de 13 milhões de unidades vendidas. Um verdadeiro embaixador da marca alemã.

 Esta é a sua sexta geração, e é também nesta geração que o Opel Corsa se revoluciona, já que pela primeira vez assume genes franceses. O que muda? Muita coisa. Tudo de forma a combater num segmento B que está cada vez mais aguerrido, graças a uma oferta muito completa onde nenhuma marca parece querer facilitar.

 

Exterior

Como já entenderam, este novo Opel Corsa é o “primo” do novo Peugeot 208 que já por aqui testámos. Com ele partilha a família de propulsores, assim como muita da sua ligação ao solo. Contudo, não poderiam ser mais diferentes no que toca à estética. Na minha opinião, que é sempre subjetiva, é mais fácil de gostar do Corsa graças às suas linhas mais tradicionais, ainda que deixe “escapar” alguma desportividade, tão necessária neste tipo de segmento. É como aquele “look smart casual” que fica sempre bem.

Mas, é também uma verdadeira revolução relativamente à anterior geração, ainda que esteja bem integrado na gama. A dianteira conta por isso com linhas retas e bem definidas, com os faróis típicos da marca a começarem a “desenhar” uma frente bem conseguida, e que nesta unidade ganha “pontos extra” graças à versão GS Line. Por enquanto é a mais “picante”, pelo menos no que toca à estética. Os faróis de nevoeiro estão bem arrumados, nos flancos junto à maior entrada de ar inferior.

A lateral destaca-se, por nesta unidade, contar com o tejadilho em cor de contraste dando um maior ênfase ao largo pilar C. Algo que se aconselha. Enquanto os vincos nas portas continuam o seu “trabalho” de desportividade, terminado pelas jantes de 17’’ de dois tons e que preenchem bem as cavas. O teto e as jantes são opcionais, entre eles pedem cerca de 700€.

Quanto à traseira, mesmo correndo o risco de ser repetitivo, é musculada e mais “escavada”, criando assim um para-choques mais saliente, também de desenho especifico e que acolhe a dupla ponteira de escape. Os farolins em LED esculpidos também merecem destaque. O seu comprimento de 4,06m é 39mm superior à anterior geração, enquanto se notou o mesmo na largura (cerca de 19mm). Já a altura diminuiu em 46mm.



 

Interior

Cá dentro o Opel acaba por seguir a mesma receita que no exterior. Agradável, mas não demasiado futurista, e por isso, poderá agradar a um publico mais conservador, mas que também gosta de sentir atual e pertencer a este século. Aqui, notam-se diferenças, e embora primos, (ainda) há algumas peças que são de “baús” diferentes. A posição de condução está mais baixa, e é agora mais agradável com uns bancos mais desportivos nesta versão GS Line, com detalhes em vermelho que se prolongam ao longo de todo este habitáculo. A montagem é correta, sem demonstrar falhas, lembrando sempre do segmento que estamos a falar, não admirando por isso que os materiais sejam de tato mais duro, mas nunca sendo desagradáveis nem à vista nem ao toque. Os pontos de contacto podiam ser mais nobres, mas não sentimos que estamos num produto inferior. Longe disso.

Quanto ao “tal” desenho consegue oferecer uma maior ergonomia. O ecrã do sistema multimédia está bem posicionado, com um sistema que é simples de utilizar, mesmo não sendo referencia, é completo e conta com o Apple CarPlay e Android Auto, que na verdade é o que usamos 90% do tempo. Um ponto a favor no Opel Corsa é que os comandos da climatização continuam a ser “físicos” e estão separados do sistema multimédia. No entanto, nesta unidade era manual, com o automático a estar disponível apenas em opção…

É muito assim que funciona o Corsa, com muitos opcionais, só no interior tínhamos o radio MirrorLink (490€), Pack Camara Traseira e sistema de aviso de ângulo morto (700€), Pack Radar que engloba o sistema de cruise-control adaptativo (490€) e o Tejadilho panorâmico em vidro (800€). É muito essa a filosofia do Opel, a dar a oportunidade ao cliente de o construir a seu gosto… E dessa forma conseguir um preço de arranque mais baixo.

O espaço a bordo é o esperado num automóvel deste tipo, e em linha com os seus concorrentes diretos. O acesso aos bancos traseiros revela-se estreito, mas depois de lá estar dois passageiros conseguem viajar sem problemas. A bagageira, é de 309L com um acesso igualmente algo estreito.

Adivinhem lá quem é que tem precisamente o mesmo número de litros na bagageira… 



 

Condução

A Opel não se cansou de dizer que este seu Corsa é leve. E na verdade é mesmo, com esta unidade a passar ligeiramente dos 1000kg, 1019 para ser mais preciso. Em conjunto com 130cv, isso mostra-se promissor, e é mesmo. Esta é a versão mais potente do Opel Corsa, estando disponível exclusivamente com a muito agradável transmissão automática de 8 relações, com patilhas de seleção atrás do volante.

A sua condução revela-se ágil e divertida desde inicio, com uma boa interação entre condutor-automóvel, a sua suspensão, que tende mais para o lado da rigidez (assim como seu baixo peso) ajudam a essa diversão extra, num automóvel que se revela interativo. Ainda assim, e tendo em conta a sua pequena dimensão, o pisar de estrada revela-se sólido, mesmo em autoestrada. Portanto para quem diz que o Corsa é uma cópia do seu “primo francês”, basta sentar-se ao volante e ver como têm personalidades distintas. Cada uma à sua maneira, um mais “crescido e confortável, sem perder a diversão” e este “mais interativo, com pisar mais desportivo”.

Quanto ao motor tricilíndrico, é o esperado, revela-se mais do que suficiente para este Corsa, com uma aceleração que ao cronometro que é feita em menos de 9 segundos, e uma velocidade que escala para cima dos 200km/h. Conta ainda, com três modos de utilização: Sport, Normal e Eco, que nos permitem escolher se queremos poupar combustível, ou se pretendemos tornar este Corsa num pequeno “hot-hatch” consciente.

Em condições normais revela-se suficientemente elástico e agradável de utilizar, a transmissão, uma vez mais, age sem mácula, muito suave e não apresentado hesitações. Faz-nos pensar uma vez mais: “Para que quero um manual?”

Quanto aos consumos, em estrada e autoestrada consegue ficar ligeiramente abaixo dos 6l/100km, aumentando esse valor em cidade. Resultado? Uma média final de 6,5l/100km.

No capitulo da condução, ressalva ainda para os faróis IntelliLux LED que ajudam a tornar a “noite em dia” e que se destacam neste segmento não por apenas terem “máximos automáticos”, mas sim adaptativos, ou seja, pode estar a “mandar máximos” para o lado direito, enquanto o condutor na faixa contraria não é incomodado por isso. Bem jogado Opel!



  

Conclusão

Na verdade, nesta conclusão, vou falar do grupo PSA, e não apenas na Opel. A “jogada” de ter produtos distintos parece vencedora. Em vez de optar pelo caminho futurista, a Opel (e a PSA) optaram para que o Corsa fosse uma opção mais para “as massas. Ou seja, apresentando um preço mais baixo e uma filosofia mais “tradicional”. Não perdeu ainda assim o seu carisma, mas parece ter ganho mais ainda com este negócio, como pode ser visto na sua gama mais completa e personalizável. Resta esperar a evolução, se existirá um sucessor para o OPC, ou se apenas irá existir um caminho único. Aquele em direção à eletrificação, como já pode ser visto através do Corsa E.


Opel Corsa 1.2 Turbo 130 EAT8 GS Line

Especificações:
Potência – 130cv às 5500rpm
Binário – 230Nm às 1750rpm
Aceleração dos 0-100 (oficial): 8,7s
Velocidade Máxima (oficial): 208km/h
Consumo Combinado Anunciado (Medido) – 4,7l/100km (6,5l/100km)

Preços:
Novo Opel Corsa desde: 15.510€
Preço da versão ensaiada: 22.710€


Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!