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Teste Completo – Volkswagen Golf eHybrid

Teste Completo – Volkswagen Golf eHybrid
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“Sinal dos tempos”

 

Estávamos em 1974, um ano bastante importante para nós, Portugueses, um ano em que largámos as “amarras” e tudo se começou a tornar mais claro. Um Portugal Europeu começou a surgir. A mais de 2500km da nossa capital, em Wolfsburgo, também foi conhecida uma “revolução”, à qual a marca alemã dificilmente conseguiria imaginar que o modelo que acabara de lançar, seria um sucesso tão tremendo. Visto, desde então, como uma referência para outros construtores, o Volkswagen Golf chegou à 8ª geração num mercado em mutação, cada vez mais exigente.

Continua ainda a ser o “alvo” de todos os seus concorrentes?

 

Exterior

A imagem do Golf tem sido sempre a de robustez, com um exterior que não choca, agradando a um largo espetro de consumidores. Uma receita que não deve ser mexida, já que se mostra francamente vencedora. Como seria de esperar, a última geração do modelo torna-se uma evolução do seu antecessor. Ainda assim é fácil de distinguir esta oitava geração.

A dianteira é mais baixa e afilada, com o topo dos faróis mais estreitos a dar forma à grelha onde o símbolo da marca está ao centro, iluminado, destacando-se durante a condução noturna. A lateral é “tipicamente Golf” com uma imagem robusta, com linhas bem vincadas e um pilar C largo. Nesta unidade, eHybrid, nota-se a porta de carregamento do lado esquerdo, junto à porta dianteira, com umas jantes de 16’’ que não são as mais cativantes, mas que trarão alguns benefícios mais para a frente na altura da condução.

A traseira é também muito evolutiva, com os farolins traseiros em LED com um desenho que os coloca em linha com outras propostas da marca, como o T-Roc ou o Polo. O spoiler termina o tejadilho de forma definida, melhorando também a imagem global, assim como o para-choques elegante que lhe confere essa imagem descrita acima, sóbria, que convence a maioria dos consumidores.

Ainda no exterior, podemos contar com 10 cores, diversos tipos de jantes, assim como outras versões mais desportivas, como o GTE, GTI ou o R. Portanto, há um Golf para qualquer um…



Interior

Mas é no interior que temos as maiores diferenças, talvez a maior mudança na “vida” do Golf. Mais moderno e clean no seu desenho, o modelo de segmento C viu desaparecer muitos dos seus botões, tendo sido trocados por superfícies táteis e capacitativas, nomeadamente no controlo do volume e da temperatura da climatização. Esses comandos passaram para o ecrã multimedia, que pode ir das 8 às 10 polegadas, através de atalhos colocados mais abaixo para um acesso mais simples.

Quanto aos ecrãs, o painel de instrumentos de 10,25’’ também confere uma imagem mais moderna ao seu interior, que curiosamente é mais pequeno do que na geração anterior, sendo passível de ser personalizado, assim como contar com vários temas. Na consola central temos um novo comando da transmissão, by Wire, que confere mais espaços de arrumação e uma melhor organização desta zona, sendo fácil de utilizar. É também aí que encontramos o botão de arranque.

Na frente contamos com duas saídas USB-C e uma superfície de carregamento por indução para o smartphone. Esse mesmo smartphone pode ser “espelhado” para o sistema Discover Pro sem fios, através de Apple CarPlay e Android Auto. Caso queiramos explorar melhor o seu sistema, encontramos um software moderno e bem organizado, muito completo e lógico na utilização. Contudo, por vezes, demonstra momentos com pouca fluidez, algo que poderá ser atualizado ao longo do tempo.

Num habitáculo bem conseguido, dois pontos menos positivos: a perda do “mini” porta-luvas do lado do condutor, assim como as saídas de ventilação centrais, algo baixas, o que torna mais complicado o vento em direção à nossa cara. O truque é usar o do passageiro, e vice-versa. Nada de grave.

Passando para os lugares traseiros, encontramos uma boa amplitude e espaço, principalmente na altura ao teto, sendo o espaço para as pernas normal. É ideal para dois, conseguindo com que três viajem sem muitos constrangimentos. O conforto é também garantido por um apoio de braço central, saída de ventilação (com o opcional para escolher a temperatura), duas saídas USB-C e bolsas nos bancos traseiros, que contam agora com duas extra na parte superior, ideal para smartphones. A mala com 380L não mudou desde a geração anterior, estando acima de alguns dos seus rivais diretos. Contudo, no caso deste eHybrid, a volumetria desce para os 270L, o que é uma elevada redução que fará pensar na altura de tomar uma decisão.



Condução

O Volkswagen Golf é muito homogéneo, seja no seu desenho seja na sua condução. Com isto quero dizer que está, uma vez mais, no centro das preferências. Não vai desapontar quem pretende algum dinamismo, nem vai afastar quem procura conforto, é como um prato que ficou ótimo de sal, e não correu o erro de usar “picante” a mais.

A animar esta unidade, contamos com o préstimo do motor 1.4 turbo de quatro cilindros a gasolina com 150cv, que faz “equipa” com o motor elétrico de 109cv, com a suave transmissão DSG de seis velocidades a servir de ponto de ligação com as rodas. A bateria de 13kWh permite fazer entre 55 a 71 quilómetros sem consumir combustível. Na prática, é mesmo possível chegar em torno do 55 a 60km, mais do que isso apenas em cidade e em condições muito controladas.

No entanto o sistema funciona de forma muito correta, com um bom nível de regeneração (sem ser demasiado intrusivo), assim como uma leitura do percurso que fazemos – mesmo sem rota definida – que nos “abranda” antes de chegar a uma rotunda ou cruzamento, tudo de forma muito natural, o que faz poupar nos consumos.

A ajudar a tudo isso contamos com vários modos de condução, assim como a hipótese de conduzir este Golf eHybrid em modo híbrido, ou “forçar” o modo elétrico. Podemos ainda reservar alguma carga para depois, o usar o modo “charge”, por exemplo, em autoestrada, de forma a circular elétrico nas cidades. Nos primeiros 100km conseguimos um consumo de 2,1L/100km, com os restantes (sem carregar) a rondar os 4,5 a 6L/100km, dependendo do trajeto. O depósito de combustível mais pequeno (39,5L) não garante autonomias tão elevadas, mas um Plug-In é para ser bem usado, ou seja, ligar à corrente sempre que possível.

O Golf eHybrid é então uma solução face ao GTE de 245cv, que usa esta mesma receita, só que com mais especiarias. No entanto, não nos deixemos enganar, este modelo consegue também performances bastante razoáveis, como é o caso da aceleração dos 0 aos 100km/h, que é cumprida em 7,4s, assim como boas recuperações principalmente a baixa velocidade, graças ao boost elétrico.

Dinamicamente, o Volkswagen Golf revela-se muito são nas suas reações, sendo tal como tem sido, bastante equilibrado. A carroçaria não exibe demasiado rolamento, com uma direção bem afinada e que consegue informar, assim como um eixo traseiro que exibe alguma rotação, sempre bem vinda a ajudar à agilidade. Só não marca pontuação elevadíssima porque os pneus Falken Ziex 205/55 R16 não são amantes de loucuras, preferindo antes ajudar no baixo atrito de rolamento. Mas como disse acima, existem os desportivos para quem procura emoções mais fortes.

Ainda sobre a bateria, essa demora cerca de cinco horas a carregar em tomada doméstica (2,3kW) ou um pouco menos de quatro horas se usarmos um carregador wallbox.

Quanto a preços, o Golf eHybrid, comparado com o GTE, consegue uma poupança de 4000€ na altura da compra, assim como uma melhor autonomia elétrica. É uma boa opção para quem tem um ponto de carregamento em casa.



Conclusão

O Volkswagen Golf tem tudo para continuar a ser um dos nomes no topo da lista para quem procura um segmento C. A sua capacidade de “fazer tudo bem”, sem que para isso tenha de abdicar de algo, é o seu segredo. O interior mais moderno pode ser demasiado radical para o cliente fidelizado a este modelo, mas era essencial para continuar competitivo. O eHybrid é uma solução mais comedida face ao GTE, sem perder muito em dinâmica, e mostra-se verdadeiramente competente no que toca ao mais importante, a eficiência.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!