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Teste ao Hyundai i10 N Line, o “citadino despachado”

Teste ao Hyundai i10 N Line, o “citadino despachado”
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“Double Shot”

 

Ir contra a maré, é isto que a Hyundai faz com o i10. E digo isto porque a maioria das marcas já abandonou, ou pensa abandonar o segmento A – o dos citadinos – que já teve muito sucesso no nosso velho continente. Mas a marca foi ainda mais longe, já que para além de não abandonar este segmento, ainda deu a este i10 uma versão mais “apimentada” chamada de N-Line.

Atenção, aguentem o vosso entusiasmo, é um N-Line e não um “N”, portanto não esperem que este i10 comece a fazer sons de escape motorsport nem que apresente prestações que vos deixem boquiabertos. Este é mais um i10 que não se limitou apenas a pagar as quotas do ginásio, foi mesmo lá fazer umas aulas de grupo.

Pois bem, então o que muda?

Esteticamente, tanto os para-choques dianteiros quanto os traseiros são exclusivos, mais desportivos, como é óbvio. Na frente destaque para os acabamentos em vermelho desta versão, assim como a iluminação LED também com um efeito mais agressivo, tomando o lugar das “simpáticas” luzes diurnas dos i10 mais “certinhos”. Na lateral, o spoiler na traseira começa a evidenciar-se na sua silhueta, mas são as jantes de 16” que mais chamam à atenção. Já a traseira, para além do tal falado spoiler, conta ainda com uma dupla saída de escape que compõe todo o ramalhete desportivo que este i10 tanto quer apresentar.

Entramos no seu habitáculo, que continua espaçoso para um segmento A, e as diferenças não são tão percetíveis. Basicamente as saídas de ventilação contam com acabamentos em vermelho, enquanto os “pontos de contacto” também sofreram tratamento desportivo, ou seja, a pedaleira é agora em alumínio, o volante é mais espesso e a manete da caixa manual de cinco velocidades é (quase) igual à que encontramos no i30N…



A animar tudo isto está o motor mais potente que podem ter num Hyundai i10, o 1.0 T-GDi de 100cv e 172Nm de binário, o que no papel parece mais do que suficiente para puxar os 1024kg, mas que apresenta uns aparentemente “longos” 10,5s dos 0-100km/h.

Mas sabem o que é que isso importa? Zero.
Isto porque volto a dizer mais uma vez: o Hyundai i10 N Line não é um desportivo.

Mas cumpre bem a sua tentativa, já que este motor mostra disponibilidade nos baixos e médios regimes, com uma desenvoltura que agrada, e o seu som tipicamente trícilindrico dá-lhe até uma certa piada. A suspensão cumpre bem com o aumento de potência, permitindo-nos dar ao luxo de uns andamentos um pouco mais vivos, enquanto a transmissão conta com um bom tato, mas um escalonamento algo longo. Pena a Hyundai não ter optado pela de seis velocidades, como no i20, já que tornaria a condução ainda mais divertida com relações mais “curtinhas”. A posição de condução não é desportiva, é sim mais elevada e que dá ao condutor uma boa visibilidade, porque na verdade num citadino isso importa, e muito!

A verdade é que mesmo num ritmo um pouco acima da média, o seu apetite não é voraz, sendo facilmente possível consumos em torno dos 5,5 a 5,8L/100km. A sua desenvoltura graças aos 100cv também o torna mais capaz de andamentos descontraídos em autoestrada, sem muitos cálculos antes de fazer uma ultrapassagem.

Este N-Line está equipado com Apple CarPlay e Android Auto, ar condicionado, vidros escurecidos, assim como sistema de manutenção à faixa de rodagem, travagem autónoma de emergência, bem como cruise-control e limitador de velocidade. Como falha, apenas a ausência de câmara de estacionamento traseira ou mesmo os mais simples sensores. Outro ponto que a Hyundai devia rever era a possibilidade de regular a luminosidade do painel de instrumentos, já que se revela muito forte em condução noturna.

Colocando isso de lado, o Hyundai i10 N Line é um produto emocional, mas que tem a sua lógica, já que juntando-se a uma imagem mais desportiva e jovem, continua a ser poupado e espaçoso. Como rival tem um tal de GTi vindo de Wolfsburgo, que tem mais 15cv mas que pede bem mais euros em troca, já que por pouco mais de 15 mil euros (preço com campanha) este i10 N-Line pode ser o seu desportivo despachado.

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!