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Teste à SEAT Leon 1.5 TSi com transmissão manual

Teste à SEAT Leon 1.5 TSi com transmissão manual
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“A sujidade não engana”

 

É verdade, esta SEAT Leon está suja. Sim, é um facto, e não, não andei fora de estrada com ela, andei foi muito, praticamente sem descanso. Este teste é diferente, foi um teste em que me comprometi a fazer um trajeto misto de 40km, três vezes por dia, durante quatro dias.

Mas porquê? Primeiro por necessidade, mas depois de forma a perceber se esta proposta da SEAT seria uma boa companhia para o dia-a-dia, assim como entender de uma vez por todas se o motor TSi de 150cv é uma verdadeira alternativa ao diesel com a mesma potência, mas que pede em troca mais 5.200€.

 

Para começar, estamos perante um SEAT Leon ST que, ao contrário daquela que esteve aqui no primeiro contacto, não é uma FR, mas sim uma XCellence. Na verdade, está no mesmo patamar a nível de gama, mas esta oferece uma imagem mais sóbria e elegante, que na minha opinião agrada. Distingue-se pelos para-choques dianteiros e traseiros, pelo diferente padrão da grelha dianteira e do aumento dos cromados, seja em volta da superfície vidrada, ou nas barras de tejadilho.

No interior também são visíveis as diferenças, graças a um padrão específico dos bancos que conjuga a pele castanha escura com um tecido cinzento na parte central. Para além desse aspeto também mais sóbrio, o tablier apresenta um acabamento a imitar madeira, que lhe dá também uma imagem mais sofisticada. De resto, tudo continua muito tecnológico, seja pelo cluster 100% digital e personalizável, ou o sistema multimédia Full Link Media Plus de 10 polegadas, muito completo.



Nestes muitos (e repetitivos) quilómetros, a facilidade de utilização foi comprovada, graças ao painel de instrumentos onde consegui “arrumar” tudo e controlar pelos comandos no volante, de forma a tirar o mínimo de tempo os olhos da estrada. O sistema de climatização, colocando em automático, torna-se fácil de operar nos comandos táteis, situados abaixo do ecrã. É verdade que de início não foi a solução ideal, continuo a preferir comandos dedicados, mas este atalho tem muita lógica.

Para além disso, o espaço a bordo é obviamente um dos pontos fortes da SEAT Leon ST, já que quem viaja atrás consegue ter um espaço generoso em todas as direções, mais até que em modelos de segmento superior. Atrás disso, temos uma bagageira com bom acesso e 620L de capacidade, que conta mesmo com um porta-ski através do banco central traseiro. Aqui, destaque ainda para a opcional ficha “tradicional” de 230v.

Em andamento, temos um motor 1.5 TSI de 150cv, o tal que para mim é um verdadeiro concorrente face ao TDI, aqui com transmissão manual de seis velocidades. Ou seja, não é um eTSi, este é um motor a gasolina tradicional, sem ajudas de motores elétricos. Este “tradicionalismo” até que é uma lufada de ar fresco e que, sem complicações, conseguiu em 500km de circuitos mistos, repetidos sob chuva, sol e nevoeiro, uma média final de 5,8L/100km. Um valor que o motor a gasóleo não conseguiria superar por muito. A autonomia no primeiro dia, apenas subia em vez de descer, chegando a anunciar mais de 780km…

Para além dessa pouca diferença, o motor é mais suave e silencioso, cooperando até muito bem com esta transmissão manual. No entanto, para este tipo de trajetos, uma DSG é sempre uma opção a ter em conta.



A dinâmica também sai a ganhar, já que o TSI é mais rápido, mas pouco, com os 0 aos 100km/h a demorarem menos 0,1s. Diferença mínima, é verdade, mas de notar que o seu peso 125kg inferior melhora a dinâmica, algo em que o SEAT Leon também é competente, sendo fácil de conduzir e clínico nas suas reações. A suspensão está mais preocupada com a dinâmica do que alguns dos seus concorrentes, mas não deixa de ser confortável, mesmo com estas jantes de 18 polegadas opcionais.

No final, a resposta às perguntas iniciais:

“É um carro com que podemos viver no dia-a-dia?”

A resposta é afirmativa. A SEAT Leon ST é um automóvel para todos os dias, um verdadeiro familiar com muito espaço a bordo, e que por não ser SUV, oferece ainda uma dinâmica de condução mais perto do ideal para quem gosta de conduzir. O seu interior sabe acolher, com uma boa dose de tecnologia, sem complicar. Se há um reparo? Sim, há. O sistema Lane Assist podia dar a hipótese ao condutor de o desligar de forma definitiva, sem estar sempre a ligar de cada vez que esta Leon parte para mais uma viagem, já que é algo intrusivo. De resto, nada mais a apontar a uma proposta que pode tanto assumir uma aparência mais elegante, nesta Xcellence, ou desportiva na variante FR.

“O motor TSi é uma boa aposta face ao TDi?”

A resposta aqui também é sim, mas convém sempre ver quantos quilómetros vão ser feitos ao ano. A diferença é que agora já são precisos mesmo muitos para compensar o valor extra a pagar pelo motor diesel, sem esquecer que nada paga a maior suavidade do bloco a gasolina. Sim, para mim sim. Este TSi era o motor que optaria para a minha Leon ST, mas isso é o meu caso…

Rodrigo Hernandez Fundador e Director Editorial, criou o MotorO2 em 2012 devido a uma tremenda vontade de escrever acerca da sua grande paixão: os automóveis! Paixão essa que existe mesmo antes de falar, já que a sua primeira palavra foi a de uma conhecida marca de automóveis. Sim, a sério!